Um estudo científico com participação de investigadores da Faculdade de Veterinária da Universidade Autónoma de Barcelona e do respetivo Hospital Clínico Veterinário avaliou a utilidade do pelo como amostra para o diagnóstico molecular da leishmaniose canina.
O trabalho comparou o desempenho da PCR quantitativa em amostras de pelo com métodos tradicionais baseados em sangue, em diferentes estádios clínicos da infeção por Leishmania infantum.
Embora as técnicas moleculares baseadas em sangue tenham registado avanços nos últimos anos, a utilização de amostras de pelo como alternativa não invasiva ainda não tinha sido estudada de forma exaustiva em cães com diferentes estádios clínicos de infeção.
Assim, o objetivo do estudo passou por avaliar a utilidade diagnóstica de amostras de pelo por PCR quantitativa e compará-la com métodos baseados em sangue.
Foram analisados 134 cães de diferentes regiões de Espanha, classificados em três grupos: cães saudáveis seronegativos, cães saudáveis seropositivos e cães clinicamente doentes. A maioria dos cães doentes encontrava-se no estádio IIa da classificação LeishVet. Os investigadores recolheram amostras de pelo da orelha ou do pescoço e amostras de sangue de todos os animais incluídos no estudo.
Os métodos de diagnóstico utilizados incluíram um ensaio imunoenzimático quantitativo interno, um ELISA de ponto final, um ensaio de libertação de interferão-gama (IGRA) em sangue total e testes de PCR quantitativa em pelo e em sangue para deteção de Leishmania spp.
Os resultados mostraram que a PCR quantitativa realizada em pelo apresentou uma sensibilidade significativamente superior em cães doentes quando comparada com a PCR quantitativa em sangue. A sensibilidade foi de 74% nas amostras de pelo, face a 36% nas amostras de sangue. Nos cães saudáveis seropositivos, não foram observadas diferenças significativas entre as duas técnicas.
O estudo concluiu ainda que a produção de IGRA não se relacionou com a positividade da PCR quantitativa em pelo, tanto em cães saudáveis seropositivos como em animais doentes. Em contrapartida, os investigadores observaram que uma seropositividade média ou elevada no ELISA estava associada a maior positividade da PCR quantitativa, quer em sangue, quer em pelo.
Os cães clinicamente doentes apresentaram níveis de anticorpos significativamente mais elevados, enquanto os cães saudáveis seropositivos evidenciaram respostas de IGRA mais intensas.
De acordo com o estudo, estes resultados reforçam o potencial das amostras de pelo como ferramenta diagnóstica não invasiva para a deteção da leishmaniose canina em determinados contextos clínicos.

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