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Estudo associa parvovírus a lesões cardíacas em cães jovens

Estudo associa parvovírus a lesões cardíacas em cães jovens iStock

Um estudo realizado na Roménia identificou lesões no músculo cardíaco em todos os 27 cães jovens analisados após a morte e detetou ADN de parvovírus canino tipo 2 (CPV-2) em tecido cardíaco de nove animais.

Os resultados sugerem uma possível associação entre a infeção por CPV-2 e alterações cardíacas em cães jovens, embora os autores sublinhem que são necessários mais estudos para confirmar um papel causal direto do vírus.

 

Segundo os investigadores, o CPV-2 continua a ser um dos principais agentes virais que afetam cães, sobretudo aqueles com menos de seis meses.

Embora a forma gastrointestinal da doença seja a mais reconhecida, a afetação cardíaca é descrita com menor frequência. A inflamação do músculo cardíaco associada ao parvovírus tem sido associada sobretudo a cães recém-nascidos ou muito jovens e caracteriza-se por morte de células do músculo cardíaco, inflamação linfocítica e histiocítica e graus variáveis de fibrose miocárdica.

 

Segundo os autores, a suscetibilidade dos cães jovens poderá estar relacionada com a elevada multiplicação das células do músculo cardíaco durante o desenvolvimento pós-natal inicial, criando condições favoráveis à replicação do parvovírus.

Nos últimos anos, vários estudos têm sugerido que o envolvimento miocárdico em infeções por CPV pode estar subestimado, em particular em cães que morrem subitamente ou que apresentam sinais clínicos predominantemente entéricos. Ainda assim, a prevalência e o espectro histopatológico das lesões cardíacas associadas ao CPV continuam insuficientemente caracterizados, sobretudo em cães infetados naturalmente.

 

De acordo com os registos clínicos disponíveis, 22 dos 27 cães jovens tinham histórico documentado de diarreia. Os restantes foram submetidos a exame realizado após a morte súbita, sem registo de sinais clínicos prévios ou com informação clínica incompleta.

Os autores encontraram alterações no músculo cardíaco em todos os cães analisados. A inflamação cardíaca foi observada nos 27 casos. A morte de células do músculo cardíaco surgiu em nove cães, correspondendo a 33,3%, e a fibrose cardíaca foi detetada em 14, ou 51,9%.

 

O ADN de CPV-2 foi encontrado em nove dos 27 cães analisados. Nestes animais, as alterações cardíacas foram mais frequentes: a morte de células do músculo cardíaco surgiu em 77,8% dos casos positivos, face a 11,1% nos negativos, e a fibrose cardíaca foi observada em todos os cães positivos, contra 27,8% dos negativos.

Segundo os investigadores, estes resultados “concordam com padrões previamente reconhecidos de dano miocárdico associado ao CPV-2”. Por isso, os autores defendem que o estudo deve ser visto como uma análise regional de casos já existentes, e não como prova de uma nova ligação direta entre o parvovírus e estas alterações cardíacas.

“Os resultados apoiam uma possível associação entre a deteção de ADN do CPV-2 e as alterações no músculo cardíaco em cães jovens”, referem os autores. Ainda assim, sublinham que são necessários mais estudos para confirmar se o CPV-2 tem um papel direto no desenvolvimento destas alterações cardíacas.

 

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