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Alterações na marcha podem ajudar a monitorizar declínio cognitivo em cães idosos

Alterações na marcha podem ajudar a monitorizar declínio cognitivo em cães idosos iStock

Um estudo com 88 cães seniores e geriátricos associou a redução do comprimento da passada dos membros torácicos a maior declínio cognitivo. Os resultados sugerem que a marcha pode ser usada como indicador complementar na monitorização geriátrica de cães.

A investigação, conduzida pela North Carolina State University, analisou cães séniores acompanhados num estudo sobre envelhecimento canino. Os animais tinham uma idade média entre 12 e 13 anos e incluíam cães de raça e raça cruzada, com diferentes portes.

 

Os cães foram avaliados aproximadamente a cada seis meses. Em cada visita foram realizados exames físicos, neurológicos e ortopédicos, avaliações de mobilidade, testes auditivos e análises laboratoriais.

A marcha foi registada num corredor interior padronizado de cinco metros. Os cães eram conduzidos com trela solta e podiam definir o próprio ritmo. Dois observadores treinados analisaram os vídeos para contar os passos de cada membro. O comprimento da passada foi depois ajustado à altura do cão, para reduzir o efeito do tamanho corporal.

 

Os tutores preencheram questionários para avaliar sinais de declínio cognitivo nos cães e registar dor associada à osteoartrite. Esta abordagem permitiu aos investigadores distinguir melhor os efeitos cognitivos dos efeitos musculoesqueléticos.

Os resultados indicam que o comprimento da passada dos membros torácicos, ajustado à altura, diminuiu significativamente com a idade. Já a passada dos membros pélvicos não apresentou um padrão consistente associado ao envelhecimento.

 

O estudo verificou ainda que pontuações mais elevadas na escala de demência canina, indicativas de maior declínio cognitivo, estavam associadas a passadas mais curtas nos membros torácicos. Esta associação manteve-se mesmo depois de considerados a idade e a dor reportada pelos tutores.

Segundo os autores, o efeito identificado foi reduzido. Um aumento de 10 pontos na escala de demência canina correspondeu a uma redução aproximada de 1,2% no comprimento da passada dos membros torácicos. Ainda assim, os investigadores consideram que o resultado pode ter relevância quando avaliado ao longo do tempo.

 

Natasha J. Olby, professora de neurologia no College of Veterinary Medicine da NC State e autora principal do estudo, explica que, em humanos, alterações no comprimento da passada têm sido associadas a comprometimento cognitivo e demência. “Essa relação não tinha sido investigada em cães, por isso criámos este estudo para analisar o problema”, afirmou.

A investigadora sublinha que os membros torácicos podem ser particularmente relevantes nesta avaliação. “Enquanto os membros torácicos desempenham um papel importante na travagem e estabilização da postura, os membros pélvicos funcionam sobretudo como motor de propulsão”, referiu. Segundo Natasha J. Olby, o movimento dos membros torácicos poderá estar mais dependente do controlo cerebral e ser mais sensível a alterações na consciência visual ou espacial.

Os autores salientam que o comprimento da passada não deve ser usado como ferramenta diagnóstica isolada. O seu potencial está antes na utilização como marcador adicional, a acompanhar em consultas sucessivas, juntamente com questionários cognitivos e avaliação clínica.

“Os nossos resultados mostram que o declínio cognitivo tem um pequeno efeito no comprimento da passada e que este poderá servir como indicador precoce de declínio funcional em cães idosos”, afirmou Natasha J. Olby. A investigadora acrescenta que a medição poderá também ser útil para acompanhar a trajetória geral de saúde de cada cão ao longo do tempo.

 

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