A Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) lançou a nova Estratégia de Saúde da Vida Selvagem 2026-2030. O documento reforça a importância dos sistemas de vigilância da saúde da vida selvagem como pilar da segurança sanitária global.
A nova estratégia sucede ao Quadro de Saúde da Vida Selvagem 2021-2025 e define um roteiro mais focado e operacional para apoiar os membros da WOAH na prevenção, deteção e resposta a riscos sanitários na interface entre humanos, animais e ambiente.
Num contexto de aumento das interações entre pessoas, animais de companhia e animais selvagens, a WOAH posiciona a saúde da vida selvagem como uma prioridade estratégica global. A organização sublinha que populações saudáveis de animais selvagens são relevantes para a conservação da biodiversidade, a proteção da saúde animal e pública, a resiliência dos ecossistemas e o apoio a sistemas alimentares sustentáveis.
A estratégia está organizada em torno de três objetivos principais: fortalecer a gestão dos sistemas de saúde da vida selvagem, melhorar o conhecimento científico e as políticas baseadas em análise de risco, e desenvolver sistemas de vigilância multissetoriais, sustentáveis e integrados.
Entre as áreas de foco estão os sistemas de vigilância, a resposta aos riscos sanitários associados ao comércio de animais selvagens e o apoio a ações de prevenção a montante, com o objetivo de reduzir o risco de emergência de doenças.
Para apoiar esta abordagem, a WOAH pretende continuar a melhorar a notificação de doenças da vida selvagem e a partilha de informação através do Sistema Mundial de Informação sobre Saúde Animal, o WAHIS. A organização vai também expandir a utilização do WildEpi, uma plataforma destinada à partilha de informação sobre eventos de saúde da vida selvagem por profissionais autorizados.
O WildEpi foi concebido para facilitar a comunicação e análise em tempo real de eventos de morbilidade e mortalidade em animais selvagens. A plataforma apoia a análise de risco e a tomada de decisão baseada em evidência, promovendo a colaboração multissetorial.
Segundo a WOAH, o sistema integra ainda suporte baseado em inteligência artificial (IA) para identificação de espécies selvagens. Ao envolver organizações de conservação, investigadores e redes de vida selvagem, o WildEpi pretende colmatar lacunas na recolha de dados de saúde animal e na tomada de decisão.
“A consolidação da vigilância da saúde da vida selvagem é essencial para melhorar a nossa capacidade coletiva de detetar riscos emergentes precocemente e responder antes que se transformem em eventos de saúde animal ou pública de maior escala”, afirma Tiggy Grillo, responsável da WOAH para a vida selvagem na Austrália e diretora de operações da Wildlife Health Australia.
A responsável acrescenta que a Estratégia de Saúde da Vida Selvagem cria “uma estrutura importante para conectar países, conhecimentos especializados e sistemas de vigilância sob uma visão partilhada de Uma Só Saúde”.
A WOAH sublinha ainda que a vigilância eficaz de doenças na vida selvagem depende de parcerias sólidas, legislação eficaz e coordenação operacional entre setores e fronteiras.
“A saúde da vida selvagem não pode continuar a ser abordada de forma isolada. Apoiar a colaboração entre os serviços veterinários, os agentes de conservação, os laboratórios e as autoridades ambientais é fundamental para construir sistemas de vigilância resilientes, capazes de responder aos desafios de saúde globais cada vez mais complexos”, afirma Marco Sordilli, responsável de vida selvagem da WOAH para Itália.
A estratégia dá também ênfase à implementação prática, através de projetos regionais, parcerias e apoio ao nível nacional. A abordagem operacional baseia-se nas lições retiradas do quadro anterior e centra-se em resultados mensuráveis, adaptados às realidades regionais.

iStock
