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Animais de Companhia

IA nos cuidados a animais de companhia pode atrasar procura de apoio veterinário

IA nos cuidados a animais de companhia pode atrasar procura de apoio veterinário Image generator/ChatGPT

A Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA) alertou para os riscos associados ao uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) por tutores de animais de companhia para obter aconselhamento sobre saúde e comportamento animal.

Segundo dados do Animal Kindness Index da organização, divulgados a 29 de junho, 10% dos tutores recorrem regularmente a plataformas de IA para apoio e orientação.

 

A instituição receia que esta tendência possa levar a uma menor procura de cuidados veterinários, deixando doenças por tratar e comprometendo o bem-estar dos animais. O alerta surge num contexto em que os custos dos cuidados veterinários são também apontados como um dos fatores que pode estar a impulsionar o recurso a ferramentas digitais.

De acordo com os dados divulgados, 56% dos 5619 participantes no inquérito admitiram estar preocupados com a capacidade de suportar despesas veterinárias. Um em cada dez referiu ter reduzido gastos com cuidados por motivos financeiros, enquanto um em cada 20 afirmou usar chatbots de IA por razões semelhantes.

 

Gemma Hope, diretora assistente de políticas, advocacy e evidências da RSPCA, afirma que a IA representa uma mudança relevante também no bem-estar animal. “Quer gostemos ou não, a IA é uma mudança de paradigma — incluindo para o bem-estar animal”, refere.

A responsável alerta, contudo, para os riscos de os tutores recorrerem a grandes modelos de linguagem para avaliar sintomas ou questões comportamentais dos animais de companhia.

 

“Estamos preocupados que, com tantos tutores a usarem agora grandes modelos de linguagem para verificar sintomas em animais de companhia com problemas ou questionar desafios comportamentais, isto possa ser uma bomba-relógio involuntária para o bem-estar animal”, afirma.

Gemma Hope sublinha ainda que, perante dúvidas sobre o estado de saúde de um animal ou alterações rápidas, a consulta veterinária deve manter-se prioritária. “Por mais boa ou inteligente que a IA pareça, se alguém estiver em dúvida sobre a saúde do seu animal de companhia ou notar mudanças rápidas, é vital procurar imediatamente um médico veterinário.”

 

O alerta da RSPCA aponta para a necessidade de reforçar a literacia dos tutores sobre os limites da inteligência artificial nos cuidados aos animais de companhia, sobretudo quando estão em causa sintomas clínicos, alterações comportamentais ou decisões que exigem avaliação médico-veterinária.

 

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