Os cães de raças grande vivem substancialmente menos do que a população canina geral e apresentam uma maior frequência de algumas doenças, segundo um novo estudo do Royal Veterinary College (RVC), no Reino Unido.
De acordo com os investigadores, os resultados levantam questões sobre os impactos no bem-estar associados à seleção de cães para tamanhos corporais extremos.
A investigação foi liderada pelo programa VetCompass do RVC e analisou registos veterinários anónimos de 2,25 milhões de cães acompanhados em clínicas de no Reino Unido durante 2019. Desse universo, os investigadores identificaram 28.345 cães de raças grandes e avaliaram dados demográficos, frequência de doenças e registos de longevidade.
O estudo incluiu ainda uma revisão manual detalhada dos registos clínicos de uma amostra aleatória de mais de 4300 cães de raças grandes, com o objetivo de identificar as doenças mais frequentes e as principais causas de morte.
Segundo os cientistas, as raças grandes são geralmente definidas como raças com peso corporal médio superior a 45 kg, valor substancialmente acima dos 14,3 kg de peso médio registado no conjunto dos cães de raça no Reino Unido. No estudo, foram reconhecidas 29 raças grandes, incluindo Irish Wolfhound, Great Dane e Saint Bernard.
O resultado considerado mais preocupante foi a longevidade média destes cães, estimada em 8,9 anos. Este valor é mais de três anos inferior à longevidade média anteriormente reportada pelo VetCompass para a população canina geral em Inglaterra. Segundo o RVC, o dado está em linha com investigação realizada em vários países, que associa o crescimento mais rápido dos cães grandes a um envelhecimento também mais acelerado.
A investigação concluiu ainda que 73,8% dos cães de raças grandes tinham pelo menos uma doença registada anualmente, uma proporção superior à média de 65,8% observada no conjunto das raças caninas no VetCompass.
Os grupos de doenças mais frequentes foram doenças de pele, doença musculoesquelética e doença auricular. Entre as doenças específicas mais comuns surgiram infeções auriculares, em 8,2% dos cães, excesso de peso ou obesidade, em 8%, e agressividade, em 5,6%.
A frequência de agressividade nas raças grandes foi mais do dobro da registada na população canina geral, onde o valor foi de 2,2%. Segundo os autores, este dado sugere que os tutores devem considerar cuidadosamente o comportamento do cão antes de adquirir um animal de raça grande.
Entre as raças gigantes mais comuns no Reino Unido surgiram o Dogue de Bordeaux, o Alaskan Malamute e o Akita. O estudo concluiu também que as fêmeas de raças grandes viveram, em média, mais 0,8 anos do que os machos, com uma longevidade média de 9,3 anos, face a 8,5 anos nos machos.
Algumas raças apresentaram longevidades médias particularmente curtas, incluindo o Tibetan Mastiff, com 4,8 anos. O cancro foi identificado como a principal causa de morte nos cães de raças grandes avaliados.
Em termos de peso, os cães mais pesados entre as 29 raças gigantes analisadas foram o Great Dane, com 60,5 kg, o Irish Wolfhound, com 64,0 kg, e o Saint Bernard, com 65,1 kg.
“Os seres humanos modificaram o cão doméstico, tornando-o a espécie de mamífero fisicamente mais diversa do planeta, para criar mais de 1200 raças distintas. Entre estas, as raças grandes podem oferecer uma companhia extraordinária às pessoas, mas os nossos resultados sugerem que os custos em termos de longevidade e bem-estar para estes cães, associados ao seu tamanho corporal extremo, são substanciais”, afirma Dan O’Neill, professor de Epidemiologia de Animais de Companhia no RVC e autor principal do estudo.
O investigador defende que a menor longevidade dos cães gigantes deve motivar uma discussão mais ampla sobre os limites de bem-estar da seleção genética orientada para o tamanho extremo.
“Para proteger estas raças e torná-las sustentáveis no futuro, avançar para tamanhos corporais mais moderados dentro destas raças pode ajudar a melhorar tanto a qualidade como a duração de vida destes cães, mantendo ao mesmo tempo uma experiência gratificante para os tutores”, acrescenta.

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