Os tutores têm dificuldade em lidar com o envelhecimento dos animais de companhia ou evitam abordar o tema, numa altura em que milhões de cães e gatos adotados durante a pandemia de COVID-19 estão a chegar à meia-idade.
A conclusão consta de um estudo global encomendado pela Royal Canin, que aponta para falhas na perceção dos tutores sobre esta fase da vida dos animais.
Segundo a investigação, mais de um terço dos tutores inquiridos, 38%, acredita que nada pode ser feito em relação ao envelhecimento dos animais de companhia. O estudo revela ainda que 66% se sentem tristes ao pensar no envelhecimento dos seus animais e que 55% evitam pensar ou falar sobre o tema por o considerarem demasiado triste.
Ao mesmo tempo, os dados mostram uma ligação emocional forte entre tutores e animais de companhia. De acordo com o estudo, 74% dos inquiridos compram presentes para assinalar datas importantes, como aniversários, mais de metade, 52%, celebra esses momentos todos os anos e quase um terço, 30%, afirma gastar mais em presentes de aniversário para os animais de companhia do que para os filhos.
Apesar deste envolvimento, a investigação aponta para uma possível falha na adoção de cuidados preventivos. Pouco mais de dois em cada cinco tutores, 44%, dizem que só pensam no envelhecimento quando começam a surgir problemas de saúde. Segundo a informação divulgada, este dado pode indicar falta de sensibilização sobre o momento adequado para atuar.
Os especialistas veterinários citados no estudo sublinham que esta fase ganha particular relevância porque a geração de animais de companhia adotados durante a pandemia está agora a entrar na meia-idade, geralmente por volta dos seis ou sete anos. Nesta etapa, podem começar a desenvolver-se alterações biológicas associadas ao envelhecimento, muitas vezes antes de existirem sinais visíveis.
A investigação refere que, apesar de muitos cães e gatos parecerem saudáveis e ativos nesta fase, alterações subtis podem já estar em curso. Entre os exemplos apontados estão mudanças nos níveis de energia em gatos ou redução da mobilidade em cães, sinais que podem surgir antes de manifestações clínicas mais evidentes.
Quase um terço dos tutores inquiridos, 31%, afirma adiar medidas preventivas porque os seus animais de companhia “parecem bem”. Para os autores, este dado evidencia uma oportunidade para reforçar uma abordagem mais proativa aos cuidados de saúde.
O estudo refere ainda que um em cada quatro tutores, 25%, desconhece que certos riscos para a saúde, como a diabetes, podem aumentar com a idade.
Tanya Schoeman, médica veterinária especialista em saúde felina da Royal Canin, afirma que “o envelhecimento dos nossos animais de companhia começa muito mais cedo do que muitos de nós imaginamos, frequentemente na meia-idade, quando cães e gatos ainda parecem saudáveis e cheios de energia”. Segundo a responsável, esta fase representa “uma oportunidade valiosa” para adotar medidas simples e proativas que possam contribuir para o bem-estar a longo prazo.
A veterinária acrescenta que “pequenas medidas podem fazer uma diferença significativa”, incluindo manter consultas veterinárias regulares, discutir de forma proativa o envelhecimento saudável com o médico veterinário e prestar atenção a alterações subtis no comportamento, mobilidade ou níveis de energia.
De acordo com a informação divulgada, os dados apontam para a necessidade de encarar a meia-idade dos animais de companhia como uma fase de prevenção, e não apenas como uma etapa anterior ao aparecimento de doença.

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