Os gatos domésticos envelhecem de forma semelhante aos humanos e apresentam padrões comparáveis de deterioração cerebral relacionada com a idade, segundo um novo estudo desenvolvido por uma colaboração internacional entre o Reino Unido, os Estados Unidos da América (EUA) e França.
Os resultados apontam para o potencial dos gatos como modelo natural para estudar o envelhecimento e doenças associadas à idade.
De acordo com a investigação, os gatos podem contribuir para o estudo do envelhecimento humano por duas razões principais. Por um lado, vivem tempo suficiente para desenvolver alterações cerebrais relacionadas com a idade semelhantes às observadas em humanos idosos. Por outro, têm uma esperança de vida inferior à dos humanos, o que permite estudar fatores associados ao envelhecimento num período mais curto.
Os autores sublinham que a investigação atual recorre frequentemente em animais de laboratório, nos quais as doenças são induzidas artificialmente e cuja esperança de vida é limitada.
Neste estudo, os investigadores analisaram 3754 pontos de dados recolhidos em humanos, gatos e outras espécies de mamíferos. A informação incluía exames cerebrais, análises bioquímicas ao sangue, padrões relacionados com doenças e marcos comportamentais.
O objetivo foi comparar a forma como o envelhecimento se desenvolve em humanos, gatos e outras espécies de mamíferos.
Os estudos de ressonância magnética mostraram que gatos e humanos partilham alterações semelhantes na estrutura cerebral associadas à idade. Entre essas alterações estão uma redução geral da altura cerebral, a expansão dos ventrículos, espaços preenchidos por líquido dentro do cérebro, e outras alterações estruturais.
Estas alterações cerebrais são observadas em condições frequentemente associadas ao envelhecimento. Segundo os investigadores, tanto humanos como gatos idosos podem desenvolver alterações neurodegenerativas relacionadas com a idade numa fase mais avançada da vida.
“Foi interessante observar que os gatos apresentam padrões de atrofia cerebral relacionados com a idade semelhantes aos observados em humanos. Estas descobertas contribuem para o crescente conjunto de evidências de que os animais de companhia podem fornecer informações valiosas sobre o envelhecimento”, afirmam os autores do estudo.
Em vez de recorrer a proporções simples entre idades humanas e felinas, os investigadores desenvolveram um modelo biológico baseado em alterações mensuráveis relacionadas com a idade. Esta abordagem indica que o envelhecimento nas duas espécies não progride a uma taxa constante, podendo acelerar ou desacelerar em diferentes fases da vida.
Com este modelo, a equipa concluiu que os padrões de envelhecimento nas fases finais da vida são particularmente semelhantes entre gatos e humanos. Segundo os investigadores, um gato entre os 15 e os 19 anos é equivalente, em termos biológicos, a um humano de 80 anos. A análise refere ainda que nem todos os animais atingem uma esperança de vida equivalente à velhice humana, ao contrário dos gatos domésticos.
Os autores defendem que o próximo passo passa por uma maior colaboração entre medicina veterinária e medicina humana, com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre o envelhecimento e melhorar a saúde em idade avançada. Esta aproximação poderá também contribuir para acelerar a compreensão de doenças como a demência.
Os autores apontam ainda para o potencial de desenvolvimento de bases de dados de saúde veterinária em larga escala para animais de companhia, semelhantes a bases de dados de saúde humana. Segundo a equipa, este tipo de recurso poderia melhorar a capacidade de estudar o envelhecimento e as doenças com base em dados clínicos reais e em dados fornecidos pelos tutores, recolhidos em várias espécies.

iStock
