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Médicos Veterinários

Estudantes de Veterinária em Portugal e Espanha já usam IA, mas integração nas instituições continua desigual

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Um estudo realizado em instituições de ensino superior de Veterinária em Portugal e Espanha concluiu que os estudantes já utilizam inteligência artificial (IA) no trabalho académico, muitas vezes de forma informal, mas que a integração institucional destas ferramentas continua desigual.

A investigação analisou o conhecimento, o uso e as perceções dos estudantes de Veterinária sobre a IA durante o ano académico de 2023-2024, envolvendo estudantes matriculados em instituições públicas e privadas dos dois países.

 

O estudo procurou identificar fatores institucionais e individuais que influenciam a capacidade e a disponibilidade dos estudantes para integrarem a IA de forma responsável nos currículos de Veterinária. Segundo os autores, apesar do crescente interesse em torno da IA na educação e na prática veterinária, continua a existir pouca evidência empírica sobre o que os estudantes sabem, fazem e pensam sobre estas ferramentas.

Os resultados mostram diferenças entre instituições no conhecimento e uso autoavaliados, bem como nas atitudes em relação à IA.

 

Os níveis mais elevados de conhecimento e uso autoavaliados foram observados entre estudantes da Universidade de Évora e da Universidade CEU Cardenal Herrera. Em sentido contrário, foram registadas pontuações comparativamente mais baixas no Instituto Politécnico de Portalegre, na Escola Superior Agrária de Elvas, na Universidade de Zaragoza e na Universidade de Santiago de Compostela, em Lugo.

As atitudes positivas face à IA também variaram entre instituições. Os estudantes da Universidade de Évora e da Universidade CEU Cardenal Herrera apresentaram as pontuações mais elevadas, enquanto os valores mais baixos foram registados no Instituto Politécnico de Portalegre, na Escola Superior Agrária de Elvas, na Universidade de Zaragoza e na Universidade de Santiago de Compostela.

 

Na comparação entre países, os estudantes em Portugal apresentaram pontuações médias marginalmente mais altas em conhecimento e uso de IA do que os estudantes em Espanha, embora sem diferença estatisticamente significativa. Já nas atitudes positivas face à IA, os estudantes portugueses registaram pontuações significativamente mais altas do que os espanhóis.

O nível académico também revelou diferenças. As pontuações de conhecimento e uso autoavaliados tenderam a aumentar nos anos mais avançados do curso, com os estudantes do sexto ano a apresentarem os valores médios mais elevados. Os estudantes de pós-graduação e dos primeiros anos apresentaram pontuações comparativamente mais baixas.

 

O estudo indica ainda que a formação prévia em IA continua limitada. Em todas as instituições analisadas, os estudantes que declararam não ter recebido formação nesta área eram mais numerosos do que aqueles que tinham tido algum tipo de preparação.

A formação prévia surgiu associada a maior conhecimento autoavaliado, maior utilização e atitudes mais positivas em relação à IA. Segundo os autores, este é um dos resultados centrais do trabalho, a par da variabilidade observada entre instituições.

De acordo com os cientistas, o uso diário de redes sociais apresentou uma correlação positiva pequena, mas estatisticamente significativa, com o conhecimento e uso autoavaliados de IA.

Na educação veterinária, os investigadores defendem que a IA deve ser enquadrada num ecossistema mais amplo de recursos de ensino anatómicos, clínicos, baseados em simulação e assistidos por modelos. Ao mesmo tempo, sublinham que os estudantes devem compreender o potencial e as limitações destes sistemas, incluindo questões relacionadas com precisão, qualidade dos dados, enviesamento, transparência, privacidade e uso responsável.

Os autores concluem que a educação veterinária se encontra num ponto de inflexão. “Os estudantes já utilizam a IA no seu trabalho académico, muitas vezes de forma informal, mas a integração institucional continua desigual”, afirmam.

Para os investigadores, a questão central já não é saber se a IA vai influenciar a educação veterinária, mas de que forma as instituições irão responder. Nesse sentido, defendem que preparar os futuros médicos veterinários para utilizar a IA de forma crítica, ética e responsável deve ser considerado uma prioridade nos próximos anos.

No total, participaram 340 estudantes de Portugal e Espanha, com idades entre os 19 e os 40 anos.

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