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Animais Selvagens

Estudo associa comércio de mamíferos selvagens a maior risco de transmissão de zoonoses

Estudo associa comércio de mamíferos selvagens a maior risco de transmissão de zoonoses iStock

Uma investigação publicada na revista Science concluiu que os mamíferos selvagens envolvidos no comércio internacional, legal ou ilegal, apresentam uma probabilidade superior de transmitir agentes infeciosos aos humanos.

Segundo os investigadores, os resultados reforçam a importância de compreender a relação entre o comércio de espécies e a emergência de zoonoses, num contexto em que a saúde humana e animal são cada vez mais abordadas numa perspetiva integrada.

 

De acordo com a análise, cerca de um quarto de todas as espécies de mamíferos são alvo de comércio em todo o mundo, incluindo espécies como elefantes, ursos, pangolins, rinocerontes e primatas.

A equipa analisou 40 anos de dados relativos ao comércio internacional legal e ilegal de mamíferos e cruzou essa informação com o conhecimento disponível sobre as relações entre patógenos e hospedeiros. A investigação concluiu que os mamíferos selvagens comercializados têm uma probabilidade 1,5 vezes superior de transmitir agentes infeciosos aos humanos quando comparados com espécies que não participam neste tipo de comércio.

 

“Por outras palavras, essas espécies têm uma probabilidade 50% maior de partilharem pelo menos um vírus, uma bactéria, um fungo ou um parasita connosco”, afirma Jérôme Gippet, das universidades de Friburgo e Lausanne, na Suíça, e primeiro autor do estudo.

De acordo com os autores, o risco aumenta quando estão em causa espécies comercializadas ilegalmente ou transacionadas vivas, nomeadamente no âmbito do comércio de animais de companhia exóticos.

 

A investigação identificou ainda uma relação entre a duração da presença das espécies nos circuitos comerciais e a transmissão de agentes patogénicos. Em média, por cada 10 anos em que uma espécie é alvo de comércio, verifica-se a passagem de um agente patogénico adicional para os humanos.

“A nossa descoberta de que os mamíferos partilham, em média, um patógeno adicional com os humanos por cada década que estão presentes no mercado global mostra que o número de contactos desempenha um papel decisivo”, explica Jérôme Gippet.

 

Os investigadores sublinham que o risco de transmissão não está associado ao consumo final de determinados produtos derivados de animais selvagens. “É importante perceber que a probabilidade de infeção por tocar um piano com teclas de marfim ou usar peles é praticamente nula”, esclarece Gippet. “O problema está no início da cadeia: alguém teve de caçar o animal, de esfolá-lo, de transportá-lo”, acrescenta.

Cleo Bertelsmeier, principal coautora do estudo, destaca igualmente o papel indireto das escolhas de consumo. “Mesmo que o perigo não seja imediato, as nossas escolhas de consumo alimentam indiretamente a transmissão de patógenos para os humanos”, refere. “Isso coloca em questão as nossas práticas de compra”, acrescenta.

Para os investigadores, a redução do risco de emergência de zoonoses passa pela diminuição do volume do comércio de espécies selvagens, limitando os contactos entre humanos e animais e, consequentemente, as oportunidades de transmissão de doenças.

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