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Estudo destaca papel da comunicação na decisão sobre eutanásia em animais de companhia

Estudo destaca papel da comunicação na decisão de eutanásia em animais de companhia iStock

A comunicação veterinária, o apoio emocional aos tutores e a avaliação estruturada da qualidade de vida são fatores centrais na decisão de eutanásia em animais de companhia, conclui um estudo húngaro que analisou perspetivas de tutores e médicos veterinários.

Entre as principais conclusões, a investigação indica que os tutores que receberam apoio emocional do médico veterinário reportaram menor carga emocional e maior satisfação com a comunicação.

 

O estudo aponta ainda para uma utilização limitada de ferramentas estruturadas de avaliação da qualidade de vida, referidas por apenas 7,3% dos inquiridos.

A investigação conclui também que a doença e a deterioração associada à idade foram os principais motivos para a eutanásia, enquanto o apego emocional ao animal surgiu como o fator que mais influenciou a tomada de decisão dos tutores.

 

O estudo teve como objetivo analisar os fatores clínicos, emocionais, éticos e comunicacionais envolvidos na decisão de eutanásia em animais de companhia. A investigação recorreu a um inquérito internacional e a entrevistas semiestruturadas, procurando integrar as perspetivas dos tutores e dos médicos veterinários.

No total, foram incluídos na análise final 228 questionários completos. Os grupos mais numerosos eram provenientes da Alemanha, Hungria e África do Sul, tendo também participado inquiridos de países como Áustria, França, Irlanda e Espanha.

 

Segundo os autores, a eutanásia é uma das responsabilidades mais complexas da prática veterinária de animais de companhia, tanto do ponto de vista ético como emocional, tendo como objetivo evitar sofrimento desnecessário e proporcionar uma morte humanitária quando a recuperação já não é possível, mas a decisão ultrapassa o procedimento clínico.

Determinar o momento adequado para a eutanásia exige a articulação entre evidência médica, avaliação da qualidade de vida, raciocínio ético e comunicação sensível, sublinham os autores, avançando que, na medicina de animais de companhia, este processo é ainda condicionado pelo vínculo emocional entre tutores e animais, que pode transformar decisões clínicas de fim de vida em dilemas pessoais e éticos.

 

A investigação sublinha também que tanto a eutanásia prematura como a sua realização demasiado tardia podem levantar preocupações relevantes de bem-estar animal. Por isso, os médicos veterinários são chamados a equilibrar indicadores clínicos com a dimensão emocional da relação humano-animal.

A doença foi a razão mais frequente para a eutanásia, indicada por 63,3% dos participantes. Seguiu-se a deterioração associada à idade, referida por 31,6%. Entre os motivos menos frequentes surgiram a agressividade comportamental, com 1,7%, e outras causas, como traumatismos, cegueira ou negligência, com 3,4%.

“Estes resultados indicam que as afeções médicas e as associadas à idade representaram as principais indicações clínicas para a eutanásia entre os tutores de animais de companhia inquiridos”, referiram os autores.

Na avaliação da condição do animal antes da eutanásia, 53,5% dos inquiridos basearam-se na observação pessoal do comportamento, da condição física e do funcionamento diário. Foram consideradas alterações no apetite, mobilidade, nível de atividade, interação social, sinais visíveis de desconforto ou dor, conforto respiratório, higiene e capacidade de cumprir rotinas diárias.

O aconselhamento veterinário foi identificado como uma fonte importante de orientação por 39,2% dos participantes. Em contraste, apenas 7,3% recorreram a ferramentas estruturadas de avaliação da qualidade de vida, o que, segundo os autores, revela uma implementação limitada de métodos padronizados na decisão clínica de rotina.

O apego emocional ao animal foi o fator mais referido na decisão de eutanásia, mencionado por 69,3% dos inquiridos. O aconselhamento de familiares ou amigos foi indicado por 21,9%. As considerações económicas, as preocupações com o bem-estar animal e as razões relacionadas com segurança foram referidas com menor frequência, por 3,9%, 5,7% e 3,1%, respetivamente. Uma minoria, correspondente a 12,3%, indicou que nenhum fator influenciou a decisão.

A comunicação veterinária assumiu um papel central nos resultados. Mais de 90% dos inquiridos, concretamente 90,4%, afirmaram ter recebido informação antes do procedimento de eutanásia. Os tutores que indicaram ter recebido apoio emocional do médico veterinário registaram uma carga emocional significativamente menor do que aqueles que afirmaram não ter recebido esse apoio.

Os participantes informados antecipadamente sobre o procedimento de eutanásia reportaram também maior satisfação com a comunicação veterinária.

“Os resultados realçam ainda mais a importância central da comunicação veterinária. Os tutores de animais de companhia que perceberam apoio emocional por parte do seu médico veterinário reportaram uma carga emocional significativamente menor e maior satisfação com a comunicação”, acrescentaram os autores.

A investigação conclui que o apego emocional, a comunicação veterinária e o apoio profissional percecionado desempenham um papel determinante na experiência dos tutores durante decisões de fim de vida. Os autores defendem, por isso, uma maior integração da avaliação estruturada da qualidade de vida, da formação em comunicação e de estratégias de resiliência emocional na formação veterinária e na prática clínica.

Segundo os investigadores, esta integração “pode melhorar o bem-estar animal, facilitar a tomada de decisões informadas e promover o bem-estar a longo prazo tanto dos tutores de animais de companhia como dos médicos veterinários”.

 

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