Uma investigação do Royal Veterinary College (RVC) concluiu que cães com três patas utilizam diferentes estratégias de locomoção consoante a velocidade, incluindo uma marcha semelhante ao galope em velocidades mais elevadas.
De acordo com os autores do estudo, os resultados podem contribuir para orientar estratégias de reabilitação em cães amputados e para futuros desenvolvimentos em robótica com pernas.
Embora a mecânica do movimento em animais bípedes e quadrúpedes esteja bem estudada, há menos conhecimento sobre a forma como os animais se adaptam à locomoção com três membros. Segundo a informação divulgada, a amputação de membros é relativamente comum em cães, muitas vezes como tratamento para salvar a vida do animal após lesões graves ou cancro, tornando estes casos relevantes para estudar equilíbrio, estabilidade e mobilidade.
A investigação envolveu seis cães com amputações nos membros anteriores e seis cães com amputações nos membros posteriores, recrutados em todo o Reino Unido através das redes sociais do RVC. Os investigadores utilizaram um sistema de captura de movimento 3D e plataformas de força no Laboratório de Estrutura e Movimento do RVC para analisar a forma como os cães adaptavam o corpo a diferentes velocidades.
Os resultados indicam que, em velocidades mais elevadas, os cães com três patas recorrem a uma marcha semelhante ao galope, próxima da observada em cães com quatro patas. Em velocidades mais baixas, foram identificadas duas estratégias distintas: uma versão mais lenta do galope e uma marcha menos comum, na qual o par de membros restantes se movia num padrão de caminhada, enquanto o membro remanescente tocava o solo mais de uma vez em cada passada.
A análise das forças exercidas nos membros revelou ainda diferenças na distribuição do peso corporal. Nos cães com amputação de um membro anterior, cerca de 50% do peso corporal é suportado pelo único membro anterior remanescente. Já nos cães com amputação de um membro posterior, o peso é distribuído de forma mais uniforme pelos três membros restantes.
A investigação fornece uma base para trabalhos futuros em reabilitação e apoio à mobilidade canina, ao melhorar a compreensão sobre a forma como os cães se adaptam à perda de um membro. As conclusões poderão também contribuir para o desenvolvimento de robôs com pernas adaptáveis, capazes de responder à perda de um membro.
“O foco da minha pesquisa de pós-doutoramento era a locomoção de animais bípedes e quadrúpedes, mas fui inspirada a estudar a locomoção de animais tripatas quando comecei a dividir um escritório com um cão amputado. O mais interessante na pesquisa é que muitas vezes acabamos explorando caminhos que não havíamos previsto inicialmente”, afirma a Zoe Davies, antiga investigadora de pós-doutoramento no RVC e atual professora de Ciências Veterinárias na Escola de Medicina Veterinária Harper & Keele, no Reino Unido.

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