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Médicos Veterinários

Médicos veterinários não devem virar as costas à participação cívica e política

Médicos veterinários não devem virar as costas à participação cívica e política Direitos Reservados

No âmbito do 11.º EFOMV, a sessão dedicada ao tema “A importância do Médico Veterinário na política” refletiu sobre o papel dos médicos veterinários na participação cívica, na tomada de decisão política e na construção de políticas públicas. Na sala dedicada ao tema da Liderança, veterinários de diferentes espetros partidários debateram o papel deste profissional como agente de desenvolvimento, progresso e cidadania.

Jorge Cid, Miguel Viegas e Nuno Vieira e Brito foram os intervenientes de um painel do 11.º EFOMV que contou com moderação de Alfredo Jorge Silva, onde, apesar de todas as divergências político-partidárias, se chegou a um consenso em torno da importância da participação mais ativa e destacada do médico veterinário na esfera pública.

 

Os intervenientes defenderam que a política deve ser entendida num sentido amplo, abrangendo não apenas os partidos políticos, mas também a participação em associações, sindicatos, ordens profissionais e outras estruturas da sociedade civil. Foi sublinhado que a democracia depende do envolvimento ativo dos cidadãos e que os médicos veterinários têm conhecimentos e competências que podem contribuir significativamente para a definição de políticas públicas.

Um dos principais temas abordados foi a necessidade de uma maior presença dos médicos veterinários nos espaços de decisão política. Os oradores consideraram que a profissão continua sub-representada em cargos políticos e institucionais, apesar do contributo que pode oferecer em áreas como a saúde pública, a produção animal, a segurança alimentar, o desenvolvimento rural, o ambiente e o conceito One Health.

 

Destacou-se também a importância da proximidade dos médicos veterinários às comunidades, especialmente no meio rural, onde conhecem de perto os desafios dos agricultores e produtores. Esta ligação à realidade local foi apontada como uma vantagem para a construção de políticas mais ajustadas às necessidades do território e para o combate à desertificação do interior.

Os participantes defenderam ainda que os médicos veterinários não devem limitar-se à defesa dos interesses da profissão, mas assumir um papel mais abrangente na construção de uma sociedade melhor. A formação multidisciplinar dos médicos veterinários foi apresentada como uma mais-valia para compreender problemas complexos e participar em diferentes áreas da governação e da administração pública.

 

Outro tema relevante foi o papel do lobby institucional e da representação profissional. Houve consenso sobre a importância de a Ordem dos Médicos Veterinários e outras organizações representativas manterem uma presença ativa junto dos decisores políticos, fornecendo pareceres técnicos e influenciando a elaboração de legislação e políticas públicas.

Durante o debate, discutiu-se ainda a perceção negativa que muitas vezes existe sobre a política e os políticos. Os oradores defenderam que a participação política não deve ser vista como algo negativo, mas como um serviço à comunidade e uma forma legítima de intervenção cívica. Foi reforçada a ideia de que a política pode ser exercida tanto através dos partidos como por via de cargos técnicos, académicos ou associativos.

 

Por fim, foi lançado um apelo às novas gerações de médicos veterinários para que participem mais ativamente na vida pública, nas associações estudantis, nas organizações profissionais e nos órgãos de decisão locais, nacionais e europeus. A mensagem central do debate foi que os médicos veterinários devem assumir-se como agentes de desenvolvimento, progresso e cidadania, contribuindo para a sociedade muito para além do exercício clínico da profissão.

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