A identificação de problemas de saúde ocultos e de sinais de dor é o aspeto mais subvalorizado do trabalho dos médicos veterinários, segundo os resultados de um inquérito global da Boehringer Ingelheim, realizado entre março e abril de 2026 junto de 1046 profissionais médico-veterinários de 51 países.
O estudo analisou o trabalho veterinário em três áreas: animais de companhia, equinos e animais de produção. Os resultados apontam para um conjunto de funções clínicas, preventivas e de vigilância que, apesar de terem impacto direto na saúde animal, na saúde pública e na segurança alimentar, continuam a ser pouco reconhecidas.
Entre os profissionais inquiridos, 87% identificaram a deteção de problemas de saúde e dor não evidentes como a dimensão do seu trabalho mais frequentemente ignorada pelos tutores.
No caso dos animais de companhia, esta avaliação clínica pode permitir identificar precocemente doenças, acompanhar o estado de saúde ao longo da vida e gerir situações crónicas ou complexas. O inquérito sublinha que, à medida que aumentam as expectativas dos tutores em relação à saúde e ao bem-estar dos animais, o juízo clínico dos médicos veterinários assume maior relevância desde a prevenção até ao diagnóstico precoce e ao acompanhamento terapêutico.
“Todos os dias, os médicos veterinários tomam decisões que importam muito para além da sala de consulta — para os animais ao seu cuidado, para as pessoas que gostam deles e para os sistemas alimentares e de saúde pública de que dependemos”, afirma Claire Fowler, responsável de marketing estratégico global da área de saúde animal da Boehringer Ingelheim.
Segundo a responsável, o inquérito destaca “o valor de algo que muitos de nós no setor da saúde animal há muito sentimos ser verdade: as partes mais críticas do que os médicos veterinários fazem são muitas vezes as menos visíveis.”
Na área dos equinos, os profissionais inquiridos destacaram a deteção de dor oculta e de sinais subtis de doença precoce, referida por 60%, e a utilização do ambiente e do historial clínico do cavalo para prever riscos de saúde, mencionada por 42%, como aspetos importantes, mas pouco reconhecidos.
Na prática, este trabalho inclui orientação sobre dieta, cuidados dentários e de cascos, vacinação, controlo parasitário e maneio em estábulo, com o objetivo de prevenir doenças.
Nos animais de produção, o inquérito aponta para uma dimensão ainda mais ampla do trabalho médico-veterinário. Segundo a informação divulgada, bovinos, suínos e aves dependem de profissionais cujo trabalho contribui diretamente para uma parte relevante do abastecimento global de proteína alimentar.
Apesar disso, os médicos veterinários de animais de produção indicaram que o seu papel social é frequentemente pouco compreendido. Entre os inquiridos, 65% identificaram a proteção da segurança da cadeia alimentar como a dimensão do seu trabalho mais facilmente ignorada, enquanto 62% apontaram os programas de vigilância de doenças.
O inquérito recorda ainda que 60% das doenças infeciosas humanas são conhecidas por se transmitirem entre animais e pessoas e que 70% das doenças emergentes têm origem animal, reforçando o papel dos médicos veterinários de produção na saúde pública.

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