Médicos Veterinários

Veterinários municipais alertam para ‘listas de espera’ na recolha de animais para canis

Veterinários municipais alertam para ‘listas de espera’ na recolha de animais para canis

A Associação Nacional de Médicos Veterinários dos Municípios (ANVETEM) alertou esta semana para a existência de “listas de espera” nos canis municipais que está a impossibilitar a recolha de animais abandonados. Este alerta é dado três meses depois de ter entrado em vigor a lei que proíbe o abate de animais nos canis municipais.

Ricardo Lobo, membro da direção da Associação Nacional de Médicos Veterinários dos Municípios (ANVETEM), citado pela Lusa, revela que “o canil intermunicipal com o que o meu concelho funciona, o canil intermunicipal do Alto Minho, tem neste momento uma lista de espera, de cães, de 63 animais. Estão à espera 63 animais para ser recolhidos. Desses, alguns estão na rua, outros estão a ser acolhidos por pessoas que os abrigaram e estão à espera que haja uma vaga no canil”.

De acordo com o médico veterinário, este é “um número considerável”, uma vez que os animais que estão na rua se podem “juntar a outros e formar matilhas (…) Numa certa fase estes cães estão inofensivos e mais ou menos circunscritos, depois com a distribuição de alimentos começam a formar ninhadas, e as ninhadas a formar matilhas, e depois começa a haver ataques a pessoas e a animais e isto são sinais de coisas que vão acontecer”.

Ricardo Lobo diz ainda que “a maior parte dos centros de recolha” estão a recolher apenas os animais que são “mesmo urgentes”, ou seja, que representam perigo para as pessoas ou estão doentes. “Os cães que são agressivos, que estão na rua e representam um perigo, tudo o resto vão dizendo [os Centros de Recolha Oficiais (CRO)] às pessoas para aguentarem os animais no sítio em que estão algum tempo, que logo que houver um espaço se arranja um sítio para eles ficarem”, revelou à Lusa.

A lei que entrou em vigor no final de 2018 os animais acolhidos pelos Centros de Recolha Oficial que não sejam reclamados pelos seus donos no prazo de 15 dias, a contar da data da sua recolha, são “considerados abandonados e são obrigatoriamente esterilizados e encaminhados para adoção”.