Em 2024, os centros de recolha oficial dos municípios portugueses procederam à eutanásia de 2.364 animais errantes, um aumento face a anos anteriores, segundo o relatório anual do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
O documento, que reúne dados de 74,3% dos 303 municípios, revelou ainda uma queda nos números de recolhas, adoções, vacinações e esterilizações, apontando para um retrocesso nas políticas de proteção animal. Como nem todos os municípios responderam, os números reais poderão ser ainda mais elevados.
O relatório revelou também um aumento de 8% no número de animais submetidos à eutanásia nos centros de recolha oficial em 2024, totalizando 2.364 casos, ou seja, mais 190 do que no ano anterior.
Segundo o ICNF, estes dados inserem-se numa “tendência de estagnação” registada nos últimos cinco anos: em 2020 foram abatidos 2.281 animais, em 2021 o número desceu para 2.188, e em 2022 subiu ligeiramente para 2.378. Cascais destacou-se como o município com mais eutanásias em 2024, com 110 animais abatidos.
Desde 2018, a legislação proíbe o abate de animais em canis e gatis por motivos de sobrelotação. No entanto, uma portaria publicada em 2017 prevê exceções que permitem a eutanásia em determinadas circunstâncias: quando o animal tenha provocado ferimentos graves a pessoas, apresente comportamentos excessivamente agressivos, ou seja, portador de doenças infetocontagiosas, incluindo patologias transmissíveis aos humanos, caso a sua permanência represente um risco para a saúde pública ou animal.
Ao todo, foram recolhidos cerca de 40 mil animais no ano passado, menos cinco mil do que no ano anterior. O município do Porto lidera nas recolhas, com 1.546 animais, seguido de Vila Nova de Famalicão, com 1.059, e Santo Tirso, com 1.012. Já em Lisboa, foram recolhidos 810 animais.
Como consequência, o número de adoções acompanhou a redução das recolhas, registando uma quebra de 5%, segundo o relatório. Em 2024, foram adotados cerca de 29 mil animais, menos mil do que no ano anterior, quando o total rondava os 30 mil.
O número de animais esterilizados também registou uma descida, o que, segundo o relatório, poderá estar diretamente relacionado com a redução de animais recolhidos. No total, foram realizadas 66 mil esterilizações, menos duas mil do que no ano anterior. Sintra foi o município com o maior número de esterilizações, contabilizando 2.182 procedimentos.
A vacinação antirrábica, uma das intervenções realizadas pelos centros de recolha e autarquias, também registou uma diminuição no ano passado. Apesar de ser, em geral, administrada de três em três anos — com um pico observado em 2021 —, e de se prever um novo aumento em 2024, o número de vacinações acabou por cair 7,3% face a 2023. No total, foram vacinados 64 mil animais.

iStock
