Fusão do Miguel Bombarda e Júlio de Matos gera «ruptura» das urgências

A fusão dos hospitais Miguel Bombarda e Júlio de Matos, ambos em Lisboa, conduziu ao caos nos serviços psiquiátricos, levando a directora clínica deste ultimo a apresentar a demissão, dizem vários médicos.

Citado pelo “Público”, o director do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, Ricardo França Jardim, reconheceu «um certo mal-estar dos colegas das urgências», que alegam estar «em ruptura».
Para solucionar o problema, França Jardim afirmou estar a «tentar alterar esta situação, racionalizando os serviços».
Além disso, foi o próprio psiquiatra a confirmar o pedido de demissão da directora clínica a 15 de Maio, «alegando problemas de doença pessoal».
Contactada pela “Lusa”, Antónia Frasquilho não quis comentar os motivos que estiveram na origem da demissão.
Outras fontes avançaram que as duas instituições de saúde encontram-se «esvaziadas» de médicos, o que está a alegadamente a pôr em causa a qualidade da assistência aos doentes.
«Aquela ideia moderna de integrar os doentes psiquiátricos no meio familiar é muito bonita quando as famílias têm condições para os acolher e os podem acompanhar», afirmou ao “DN” Pilar Vicente, clínica do Miguel Bombarda, sobre a medida que promove a saída dos doentes do hospital.
A psicóloga do Miguel Bombarda Ana Barreiros denuncia também que «os utentes têm alta de forma abrupta; que vêem os tratamentos interrompidos». «Não pode ser assim pois muitos destes doentes não conhecem outra realidade além do hospital», acrescentou.
Agora que o hospital Miguel Bombarda deixou de realizar consultas em algumas especialidades, todos os doentes da zona Sul do país e da área de Lisboa são encaminhados para o Júlio de Matos.
Uma situação que se deverá agravar a partir do momento em que apenas um médico irá assegurar a urgência, como prevê a administração.

Hospitais precisam de mais eficácia
«Inaceitável» é como o novo presidente da Associação de Administradores Hospitalares encara o facto de a maioria dos blocos operatórios nos hospitais públicos não funcionar, no mínimo, oito horas por dia.
O alerta foi lançado, ontem, durante um seminário para discutir a produtividade dos hospitais.
Em declarações à “Rádio Renascença”, Pedro Lopes considerou que os hospitais públicos têm a «obrigação de produzir mais», embora reconheça que se registaram alguns progressos nos últimos anos.
No entanto, o novo presidente advoga um papel mais activo por parte do Estado. Neste sentido, uma das críticas que deixa é ao facto do estudo pedido pelo ex-ministro Correia de Campos, sobre o financiamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS), nunca ter tido uma avaliação rigorosa.
Isto porque, segundo o responsável, a questão da sustentabilidade de financiamento do sector «ainda não está resolvida».
Quanto aos alertas da ministra da Saúde, Ana Jorge, quanto ao número de médicos de saída do SNS para o sector privado, Pedro Lopes reconhece que estão de saída «algumas pessoas de qualidade», mas salienta que não estamos perto de uma ruptura.