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Nova técnica permite observar articulação temporomandibular canina em contexto clínico

Nova técnica permite observar articulação temporomandibular canina em contexto clínico iStock

O UC Davis William R. Pritchard Veterinary Medical Teaching Hospital, nos Estados Unidos da América (EUA), tornou-se o primeiro hospital veterinário do mundo a utilizar clinicamente uma técnica de artroscopia com microcâmara em cães com alterações da articulação temporomandibular (ATM).

As doenças da articulação temporomandibular podem contribuir para dor orofacial e limitar a capacidade dos cães para comer, beber, vocalizar e usar a boca em atividades normais. Segundo a informação divulgada, o tratamento destas condições, incluindo tumores malignos, doenças inflamatórias graves e artrite séptica, tem evoluído na última década, em parte devido à investigação veterinária dedicada à área.

 

A artroscopia consiste na introdução de uma pequena câmara na articulação, permitindo a visualização direta da anatomia interna da articulação. Neste caso, a técnica é aplicada à articulação temporomandibular, uma estrutura estreita, permitindo a inspeção interna da articulação, a observação em tempo real e a recolha de amostras de tecido para biópsia.

Até agora, os profissionais veterinários recorriam sobretudo a tomografia computorizada e/ou PET para este tipo de avaliação. Embora estes exames sejam úteis para visualizar osso e tecidos moles, não permitem observar as superfícies articulares, a membrana sinovial envolvente, nem recolher uma biópsia física.

 

Até ao momento, os quatro casos clínicos analisados pela equipa de investigação forneceram resultados positivos e informação clínica considerada relevante pela equipa.

“Cada um destes casos revelou achados significativos”, afirma Boaz Arzi, chefe do serviço de medicina dentária e cirurgia oral do hospital e parte integrante da equipa de investigação.

 

E continua: “nunca tínhamos observado a articulação desta forma através de um endoscópio, e as nossas descobertas são promissoras. De facto, identificámos uma doença num dos casos — artrite da articulação temporomandibular imunomediada — que nem sequer sabíamos que existia nesse formato clínico nas articulações dos cães. Teoricamente, sabia que podia acontecer, mas nunca a tinha visto até à utilização deste endoscópio.”

O UC Davis está também a trabalhar na disseminação da técnica. O hospital organizou recentemente o primeiro workshop de artroscopia da articulação temporomandibular.

 

O equipamento atualmente utilizado mede 1,9 milímetros e é introduzido através de uma pequena incisão na mandíbula. Devido às limitações de espaço, a técnica ainda não pode ser aplicada a gatos ou cães de porte pequeno, uma vez que ainda não existe um endoscópio suficientemente pequeno para esses doentes. Segundo a informação divulgada, essa evolução poderá exigir tecnologia de fibra ótica de menores dimensões.

Neste momento, a utilização veterinária desta técnica é diagnóstica. Em medicina humana, a tecnologia já é usada de forma operatória para reparar discos da articulação temporomandibular danificados ou deslocados. A equipa de investigadores espera que estas intervenções mais avançadas possam vir a ser aplicadas futuramente em doentes veterinários.

 

 

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