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Quais as raças com maior predisposição para hipertensão secundária?

Quais as raças com maior predisposição para hipertensão secundária? iStock

A Real Sociedad Canina de España (RSCE) alertou para o risco de hipertensão arterial secundária em cães, uma patologia frequente sobretudo em animais sénior, com obesidade ou doenças subjacentes, e que pode evoluir durante longos períodos sem sinais clínicos evidentes.

Segundo a entidade, raças como o Caniche, o Schnauzer Miniatura e o Teckel estão entre as que podem apresentar risco acrescido de desenvolver hipertensão arterial secundária, devido a maior predisposição para determinadas doenças endócrinas, renais ou metabólicas.

 

A hipertensão arterial no cão não é habitualmente considerada uma doença primária, mas sim uma consequência associada a processos como a doença renal crónica, o hiperadrenocorticismo, também conhecido como síndrome de Cushing, ou a diabetes mellitus.

Nestes casos, o aumento sustentado da pressão arterial pode provocar lesões progressivas em órgãos-alvo, incluindo rim, retina, cérebro e sistema cardiovascular, mesmo quando o animal aparenta estar clinicamente estável.

 

A RSCE sublinha que se trata de uma patologia pouco diagnosticada na clínica veterinária de rotina, precisamente pelo seu carácter silencioso. Por esse motivo, a deteção precoce em animais de risco ou em consultas geriátricas assume particular relevância.

Com a crescente importância das revisões preventivas no acompanhamento veterinário de pacientes sénior, os especialistas defendem que a medição da pressão arterial deve integrar de forma habitual o seguimento de cães mais velhos ou com patologias crónicas, ainda que não apresentem sintomas aparentes.

 

O diagnóstico pode ser realizado pelo médico veterinário através de técnicas não invasivas, como o método Doppler, ferramentas de uso clínico que permitem confirmar a hipertensão, avaliar a sua gravidade e definir o acompanhamento mais adequado.

O tratamento tem como objetivo reduzir a pressão arterial de forma controlada e progressiva e, em simultâneo, abordar a doença subjacente, quando exista. Este processo pode implicar terapêutica farmacológica anti-hipertensiva, ajustes no maneio clínico e controlos periódicos para avaliar a evolução do paciente.

 

A RSCE recorda ainda que a hipertensão não é exclusiva de cães sénior. Embora seja mais frequente em animais de idade avançada, pode surgir em qualquer fase da vida quando existem doenças subjacentes que alterem o equilíbrio cardiovascular ou renal. A vigilância clínica deve, por isso, ser adaptada ao risco individual de cada animal.

De acordo com a Comissão Científica da Real Sociedad Canina de España, a identificação de fatores predisponentes e o acompanhamento veterinário regular são essenciais para evitar complicações graves associadas a esta patologia.

“A hipertensão canina é um problema pouco visível para muitos tutores, mas com consequências muito sérias se não for detetada a tempo. Tal como prestamos atenção ao peso, à alimentação ou ao exercício, devemos normalizar as revisões veterinárias periódicas, sobretudo em cães mais velhos ou com patologias prévias, para prevenir complicações, ajustar o tratamento e garantir o bem-estar do cão a longo prazo”, afirma Ana Prats, membro da Comissão Científica da RSCE.

 

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