Mais de metade dos cães incluídos num estudo de larga escala apresentavam doença periodontal, de acordo com dados reportados por tutores nos Estados Unidos da América (EUA) e no Canadá. A investigação, publicada no Journal of Small Animal Practice, analisou questionários relativos a 12.753 cães e identificou a idade, a raça, diagnósticos orais e hábitos de higiene oral como fatores associados a esta patologia.
Segundo os resultados, os tutores de 50,5% dos cães incluídos no estudo indicaram que os seus animais tinham doença periodontal. A idade surgiu como um dos fatores mais relevantes: cães com oito anos ou mais apresentaram um risco significativamente superior, enquanto os animais com menos de quatro anos registaram a menor probabilidade de desenvolver a doença.
Raças pequenas apresentam maior frequência
O estudo identificou uma maior frequência de doença periodontal em raças pequenas. Entre as raças com risco mais elevado foram referidas o Cocker Spaniel Americano, o Papillon, o Yorkshire Terrier, o Cavalier King Charles Spaniel e o Pomerania. Em sentido contrário, as raças de grande porte apresentaram menor probabilidade de desenvolver esta patologia.
Os investigadores observaram ainda que determinados diagnósticos de saúde oral, como halitose ou resistência do animal ao contacto com a cabeça, estavam associados a uma maior probabilidade de doença periodontal.
Por outro lado, cães com dentes ausentes por traumatismo ou por ausência de erupção dentária, bem como animais com má oclusão, apresentaram menor probabilidade de desenvolver a doença.
No que diz respeito aos cuidados bucais, a prevalência de doença periodontal foi inferior em cães que utilizavam brinquedos para mastigar. No entanto, o estudo detetou prevalência mais elevada em cães nos quais eram utilizados produtos líquidos, em gel ou óleo, produtos em pó ou escovagem dentária.
Conexão entre comportamento e estado geral
A investigação encontrou também associações comportamentais. Os cães com doença periodontal tinham maior probabilidade de ser descritos pelos tutores como animais medrosos, tímidos, muito stressados, reservados ou com pouca energia. Estes animais estavam também menos associados a um excelente estado geral de saúde e ânimo.
Os cães braquicéfalos apresentaram uma probabilidade significativamente menor de doença periodontal quando comparados com raças mesocefálicas. Ainda assim, os autores alertam que esta menor prevalência pode estar relacionada com possível subdiagnóstico, uma vez que os exames necessários requerem anestesia geral, procedimento considerado de maior risco neste tipo de raças.
O estudo não encontrou associações significativas entre doença periodontal e fatores como sexo ou castração.
Alex Jemmett, autor principal do estudo e investigador, afirmou que os resultados “apoiam numerosos relatórios existentes sobre a doença periodontal canina e os seus fatores de risco associados”. O investigador sublinhou ainda que as conclusões levantam questões relevantes para a gestão da doença e manifestou confiança de que os fatores de risco identificados possam contribuir para melhorar a deteção e a prevenção precoce no futuro.

iStock
