Mais de 80% dos médicos veterinários de pequenos animais em Portugal e Espanha afirma observar sinais de medo ou stress com frequência durante consultas e procedimentos, mesmo em situações não invasivas ou rotineiras.
A conclusão resulta de um questionário prévio à Jornada ZEN da Dechra, respondido por 372 profissionais.
Os dados indicam que o stress em consulta é reconhecido pela maioria dos clínicos como uma componente relevante do ato médico-veterinário. Quase 90% dos inquiridos considera que a sedação contribui para o bem-estar emocional do animal, o que aponta para um consenso sobre o seu papel na gestão clínica do stress.
Apesar desse reconhecimento, a informação recolhida mostra que a sedação nem sempre é integrada de forma preventiva ou estratégica na prática diária. Entre os principais entraves identificados pelos profissionais estão a resistência percecionada por parte dos tutores e a ausência de protocolos claros. As limitações de tempo e a dinâmica da consulta também são referidas como fatores que podem dificultar decisões antecipadas.
“A sondagem evidencia que a profissão veterinária já interiorizou o impacto do stress na consulta. O passo seguinte não é convencer sobre a necessidade de sedar, mas sim disponibilizar ferramentas que proporcionem estrutura, segurança fisiológica e argumentos sólidos para tomar decisões mais precoces e estratégicas”, afirma Daniela Ferreira, Product Manager da Dechra Iberia.
A segurança cardiovascular surge como a principal preocupação dos veterinários na sedação de pacientes caninos. Segundo a informação disponibilizada, esta incerteza ajuda a explicar por que motivo a sedação tende, em muitos casos, a ser reservada para situações em que o stress já é evidente ou quando o procedimento clínico o exige de forma clara.
“A segurança cardiovascular não é apenas um parâmetro técnico, é um elemento que influencia diretamente a confiança do clínico. Quando o profissional percebe maior estabilidade hemodinâmica, a sedação deixa de ser uma decisão reativa e pode ser integrada mais cedo na abordagem global do paciente”, acrescenta Daniela Ferreira.
A documentação técnica referida no material aponta para o desenvolvimento de abordagens farmacológicas orientadas para manter a eficácia sedativa e reduzir o impacto cardiovascular associado a agonistas alfa-2 tradicionais.
De acordo com essa documentação, a combinação de medetomidina e vatinoxano demonstrou, em estudo clínico de campo, efeitos cardiovasculares mínimos, mantendo uma sedação adequada, com frequência cardíaca e pressão arterial mais próximas da normalidade, início de ação rápido e recuperação controlada.
O vatinoxano é também referido como um componente que contribui para reduzir a vasoconstrição periférica e facilitar a monitorização hemodinâmica, aspetos considerados relevantes em pacientes nos quais a estabilidade cardiovascular é uma prioridade.
Os resultados do questionário apontam para a necessidade de uma abordagem mais estruturada da sedação na prática clínica, assente em protocolos definidos, maior previsibilidade e redução da incerteza fisiológica.
Para os profissionais de pequenos animais, o desafio identificado passa por integrar a sedação de forma mais precoce na gestão do stress, quando clinicamente indicada, sem a limitar apenas a situações reativas ou a procedimentos em que a sua necessidade seja evidente.

iStock
