Um novo estudo apresentado durante o Vet Symposium 2026 indica que o envelhecimento dos animais de companhia pode ser influenciado por intervenção atempada, incluindo monitorização precoce, nutrição adequada e cuidados preventivos.
As conclusões foram apresentadas pela Royal Canin no âmbito do evento, que decorre esta semana em Montpellier e reúne mais de 700 participantes, entre profissionais veterinários, jornalistas e criadores de conteúdo de 80 países.
Segundo a informação divulgada, as evidências científicas indicam que o envelhecimento é um processo biológico gradual que começa mais cedo do que muitos tutores consideram. O estudo revela, contudo, que persistem ideias erradas sobre o envelhecimento saudável dos animais de companhia: 38% dos tutores inquiridos acreditam que não é possível fazer nada para contrariar esse processo, 44% só se preocupam com o tema quando surgem problemas de saúde e 25% desconhecem que doenças como a diabetes podem representar um risco para animais em envelhecimento.
Estas conclusões surgem num contexto em que os chamados “animais da pandemia” estão a entrar na meia-idade, fase apontada como relevante para a adoção de cuidados preventivos.
De acordo com a informação partilhada, a atenção dos tutores está a deslocar-se da esperança média de vida para a esperança de vida saudável, entendida como o número de anos vividos com boa saúde e qualidade de vida antes do aparecimento de doenças associadas à idade ou de deterioração física.
Segundo Tanya Schoeman, médica veterinária especialista em medicina interna e especialista em saúde felina na Royal Canin, “um envelhecimento mais saudável está ao nosso alcance quando agimos no momento certo. A oportunidade que temos pela frente não passa por colmatar uma lacuna de conhecimento entre os profissionais veterinários, mas sim por envolver os tutores dos animais nesse conhecimento mais cedo, antes que os sinais de envelhecimento tornem a conversa urgente”.
E continua: “os tutores querem profundamente que os seus companheiros prosperem e, quando recebem a informação certa no momento certo, estão prontos para agir. Encarar a meia-idade não como um período de espera, mas como uma janela de oportunidades significativas pode permitir às equipas veterinárias influenciar de forma positiva o percurso de envelhecimento dos animais”.
O tema central do Vet Symposium 2026 foi “Entering the age of tomorrow” (“Entrar na era do amanhã”), com foco na forma como a profissão veterinária pode apoiar cuidados mais precoces e proativos. O evento aborda também o futuro da prática clínica, incluindo a adaptação das equipas veterinárias às expectativas dos tutores de animais.
O programa inclui sessões dedicadas ao envelhecimento saudável em animais de companhia, à passagem do foco na longevidade para a qualidade de vida, à prevenção da fragilidade, à gestão da osteoartrite, à adoção de tecnologia e inteligência artificial e à aplicação do conhecimento científico na prática clínica.
As sessões têm por base um conjunto de evidências científicas, incluindo o artigo “Aging is modifiable: current perspectives on healthy aging in companion dogs and cats”, publicado na revista JAVMA e distinguido como o artigo mais discutido da revista em 2025. O evento integra ainda novas publicações sobre gestão nutricional da osteoartrite.
Durante o simpósio foi também apresentado um Guia de Conversa sobre Envelhecimento Saudável, destinado a profissionais veterinários. O documento, baseado em evidência científica recente e em conhecimentos comportamentais obtidos através de investigação junto de consumidores, foi desenvolvido para apoiar as equipas veterinárias na abordagem precoce do tema junto dos tutores, promovendo uma transição de cuidados reativos para uma atuação mais proativa ao longo da vida dos animais de companhia.

iStock 
