O crescimento do mercado pet em Portugal está a alterar a estrutura competitiva do setor, aumentando a pressão sobre operadores sem escala ou diferenciação suficiente para sustentar posição no mercado.
A conclusão consta do estudo “ProPet Insights – Panorama Empresarial da Saúde Animal”, desenvolvido pela UPPartner com base em entrevistas a operadores das áreas de saúde animal, alimentação, farmacêutica veterinária, diagnóstico, seguros e plataformas digitais.
Segundo o estudo, o mercado representa atualmente cerca de 681 milhões de euros anuais, está presente em aproximadamente 60% dos lares portugueses e regista um crescimento médio anual estimado de 15%.
O relatório refere que a evolução do setor deixou de estar centrada apenas no aumento da procura, passando a depender da capacidade dos operadores responderem com maior especialização, integração de serviços e consistência operacional.
De acordo com a análise, os tutores procuram atualmente “conveniência, continuidade, especialização e propostas de valor mais claras”, tendência que está a expor fragilidades em modelos intermédios que não conseguem competir nem pela escala nem pela diferenciação técnica.
O estudo identifica uma reorganização concorrencial assente em dois polos: operadores focados em escala, eficiência e conveniência e estruturas mais especializadas, com maior profundidade técnica e capacidade de resposta diferenciada. Entre ambos, os operadores sem posicionamento claro enfrentam maior pressão sobre margens e relevância no mercado.
Bernardo Soares, médico veterinário e responsável pela área One Health da UPPartner, afirma que “o mercado pet está a crescer em volume, mas ainda não em maturidade”. Segundo o responsável, “a próxima fase do setor será menos definida pela procura e mais pela capacidade de a transformar em propostas de valor mais robustas, especializadas e sustentáveis”.
O relatório destaca ainda que a vantagem competitiva tenderá a deslocar-se do serviço isolado para modelos integrados, articulando saúde, nutrição, retalho, seguros e plataformas de acompanhamento. Neste contexto, a digitalização, a centralização de dados e a criação de relações continuadas com o tutor passam a assumir um papel estratégico na diferenciação das empresas.
O estudo conclui que o crescimento futuro do setor dependerá cada vez mais da capacidade de gerar valor por animal, através de serviços de maior valor acrescentado, modelos de receita recorrente e maior articulação entre áreas complementares.

iStock
