Cães adotados através de fontes ilegais ou com baixos padrões de bem-estar têm maior probabilidade de desenvolver problemas de saúde na vida adulta, independentemente das condições do lar onde são posteriormente integrados. A conclusão resulta de um estudo do Royal Veterinary College (RVC), realizado no Reino Unido.
A investigação analisou 985 cães adotados durante a pandemia, período marcado por um aumento da procura e pela limitação de visitas presenciais, fatores que contribuíram para a degradação das práticas de aquisição. Com base em questionários online respondidos por tutores, os investigadores avaliaram a evolução da saúde dos animais desde a fase inicial até ao início da idade adulta.
Os resultados indicam que a forma de adotar tem impacto direto na saúde futura. Cães adquiridos ilegalmente com menos de seis semanas apresentaram, aos 21 meses, quase três problemas de saúde adicionais face a animais adquiridos com mais idade.
A ausência da mãe no momento da adoção também foi identificada como fator de risco, estando associada a um aumento de 0,3 problemas de saúde. A aquisição sem a presença da progenitora é igualmente ilegal em Inglaterra, País de Gales e Escócia, ao abrigo da denominada “Lei de Lucy”. Adicionalmente, cães adotados por tutores sem experiência prévia apresentaram mais 0,35 problemas de saúde em comparação com aqueles adquiridos por tutores com experiência.
O estudo refere ainda que a adoção de cães muito jovens ou sem a presença da mãe pode estar associada a práticas enganosas, nas quais a origem dos animais e as condições de criação são ocultadas. A elevada procura, associada à falta de diligência por parte de alguns tutores e à crescente mercantilização dos animais de companhia, tem contribuído para o aumento de práticas de criação com baixos padrões de bem-estar, tanto no Reino Unido como em países da Europa Central e Oriental.
Em termos gerais, 91,1% dos animais apresentaram pelo menos um problema de saúde até aos 21 meses. Entre os mais frequentes destacam-se problemas digestivos (75,4%), cutâneos (26,8%), oculares (25,1%), respiratórios (18,5%) e auriculares (17,6%). Mais de metade dos cães (54,6%) necessitou de tratamento veterinário para, pelo menos, uma condição, e 23,5% dos tutores referiram ter tido custos superiores ao esperado com cuidados de saúde.
Os dados sugerem que os riscos para a saúde começam antes da integração no novo lar, reforçando a importância de decisões informadas na fase de adoção. A investigação destaca a necessidade de maior sensibilização para práticas ilegais e sinais de alerta na aquisição de cães, bem como de uma aplicação mais consistente da legislação existente.
“Decidir ter um novo cão e levá-lo finalmente para casa é, muitas vezes, um momento entusiasmante para muitas famílias. No entanto, o nosso estudo identificou que a forma e o local onde os tutores adquirem os seus cães podem ter efeitos a longo prazo na sua saúde e bem-estar”, referiu Fiona Dale, autora principal do artigo e assistente de investigação do RVC.
E continua: “estes resultados evidenciam a necessidade de um maior conhecimento público sobre a legislação relativa à adoção de cães, de forma a proteger a sua saúde e bem-estar. Os potenciais tutores devem ser extremamente cuidadosos e atentos à origem dos cães e evitar fontes ilegais ou com baixos padrões de bem-estar animal, que podem ter impactos negativos a longo prazo na saúde do animal”.

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