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Revisão científica associa circulação livre de gatos a menor esperança de vida

Revisão científica associa circulação livre de gatos a menor esperança de vida iStock

Gatos de companhia com acesso livre ao exterior apresentam maior risco de acidentes, doenças e menor esperança de vida, segundo uma revisão científica recente que analisou dados de vários estudos internacionais.

A investigação conclui que a circulação livre expõe os animais a múltiplos perigos, incluindo acidentes rodoviários, quedas e confrontos com outros gatos, fatores que estão entre as principais causas de morte e lesões. Em alguns contextos, cerca de dois terços dos tutores já perderam um gato durante saídas ao exterior.

 

Os dados analisados indicam que os gatos que circulam livremente vivem, em média, menos dois a três anos do que aqueles mantidos em ambiente controlado. Entre os riscos identificados, destacam-se também doenças infecciosas, como o vírus da imunodeficiência felina (FIV), frequentemente associado a interações agressivas entre animais.

Estudos com câmaras colocadas em coleiras mostram que os gatos expostos ao exterior enfrentam múltiplas situações de risco. Nos Estados Unidos da América (EUA), 25% dos animais observados ingeriram substâncias potencialmente perigosas fora de casa, enquanto 45% atravessaram estradas e 25% tiveram contacto com outros gatos. Resultados semelhantes foram registados na Nova Zelândia, onde 32% dos gatos atravessaram estradas e 21% acederam a locais com risco de queda.

 

Na Austrália, um estudo com 428 gatos monitorizados indicou uma média de 4,8 travessias de estrada por dia. No Reino Unido, os acidentes rodoviários surgem como a principal causa de morte em gatos até aos oito anos de idade. Estimativas europeias apontam que entre 18% e 24% dos gatos são atropelados ao longo da vida, sendo cerca de 70% desses incidentes fatais.

Para além dos acidentes, a revisão identifica riscos adicionais, como envenenamento acidental ou intencional, lesões traumáticas e custos veterinários associados a tratamentos prolongados. Em alguns casos, os animais sobrevivem com sequelas permanentes.

 

A investigação destaca que a limitação do acesso ao exterior é uma das medidas mais eficazes para reduzir estes riscos. O confinamento pode incluir soluções como espaços exteriores controlados ou saídas supervisionadas, mantendo a segurança dos animais sem eliminar totalmente o acesso ao exterior.

Os autores sublinham ainda que o bem-estar dos gatos em ambiente controlado depende da criação de condições adequadas, incluindo estímulos ambientais, espaços de refúgio e gestão adequada das necessidades comportamentais.

 

 

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