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Animais de Companhia

Tabagismo passivo deve integrar avaliação clínica de cães e gatos, defende AniCura

Tabagismo passivo deve integrar avaliação clínica de cães e gatos, defende AniCura Image generator/ChatGPT

A exposição de cães e gatos ao fumo do tabaco deve ser considerada na avaliação clínica de animais de companhia com sinais respiratórios persistentes, historial de doença crónica ou suspeita oncológica. O alerta é da AniCura, no âmbito do Dia Mundial Sem Tabaco, assinalado a 31 de maio.

Segundo a informação divulgada, a exposição regular ao fumo pode aumentar o risco de problemas respiratórios, irritação crónica das vias aéreas e determinadas doenças oncológicas. O contacto pode ocorrer por inalação direta e por exposição a superfícies contaminadas, sobretudo em ambientes fechados.

 

A AniCura alerta que, mesmo quando o fumo deixa de ser visível, resíduos de nicotina e outros compostos tóxicos podem permanecer em sofás, cortinas, tapetes e roupa. Esta exposição prolongada reforça a importância da avaliação do ambiente doméstico na recolha de história clínica, em particular nos casos em que os sinais respiratórios são recorrentes ou de origem não esclarecida.

Os gatos são identificados como um grupo especialmente vulnerável. A ingestão de substâncias acumuladas no pelo durante a higiene e a permanência frequente junto ao chão aumentam a exposição a partículas tóxicas depositadas em superfícies. De acordo com a informação disponibilizada, estudos científicos têm associado a exposição ao fumo de tabaco ambiental ao aumento do risco de linfoma e carcinoma de células escamosas em gatos.

 

Nos cães, o tabagismo passivo pode contribuir para irritação das vias respiratórias, agravamento de doença respiratória crónica e maior predisposição para determinados tumores, sobretudo em animais mais sensíveis ou com historial clínico prévio.

“O impacto do tabaco nos animais de companhia continua a ser subestimado por muitos cuidadores. Tosse persistente, espirros frequentes, dificuldade respiratória, fadiga ou alterações no comportamento podem ser sinais de alerta que justificam avaliação médico-veterinária”, afirma Joaquim Henriques, médico-veterinário e diretor do serviço de referência em oncologia do AniCura Atlântico Hospital Veterinário.

 

A exposição a aerossóis de cigarros eletrónicos é outro fator a considerar em contexto clínico, sublinhou a AniCura. Embora o impacto nos animais ainda seja pouco estudado, os líquidos de vaporização contêm nicotina e outros compostos potencialmente tóxicos. A ingestão acidental de cartuchos ou líquidos de recarga representa um risco imediato e grave de intoxicação por nicotina, devendo ser tratada como urgência veterinária.

Para a prática clínica, a exposição ambiental ao tabaco pode ser enquadrada como fator de risco modificável, a integrar na anamnese, na avaliação de sinais respiratórios e no acompanhamento de animais com maior predisposição para doença oncológica.

 

 

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