A AniCura alertou para a necessidade de maior vigilância médico-veterinária sobre o excesso de peso em animais de companhia, no âmbito do Dia Nacional de Luta contra a Obesidade, que se assinala a 23 de maio.
De acordo com o comunicado de imprensa, estudos realizados em Portugal indicam que cerca de 40% dos cães adultos apresentam excesso de peso ou obesidade.
A identificação do problema continua a ser um dos principais desafios na prática clínica. De acordo com dados recentes, citados na comunicação, 35% dos tutores subestimam a condição corporal do próprio animal quando comparada com a avaliação veterinária, o que pode atrasar a intervenção clínica e nutricional.
A AniCura explica que a obesidade em animais de companhia está associada a várias complicações, incluindo diabetes, doenças articulares e osteoarticulares, dificuldades respiratórias e problemas cardiovasculares. O excesso de gordura corporal pode ainda agravar doenças já existentes, aumentar o desgaste articular e dificultar atividades diárias.
“O aumento de peso nos animais acontece muitas vezes de forma gradual, o que leva muitos cuidadores a normalizarem a situação ou a não reconhecerem os sinais de alerta atempadamente. A ausência de cintura visível, a dificuldade em sentir as costelas ao toque, menor disposição para brincar ou passear e alterações na mobilidade são alguns dos sinais que devem motivar uma avaliação médico-veterinária”, explica Joana Alegrete, diretora clínica do AniCura Aveiro Hospital Veterinário.
Nos cães, o excesso de peso pode reduzir progressivamente a capacidade de exercício, limitar a mobilidade e afetar a vitalidade. Nos gatos, pode dificultar movimentos essenciais, comprometer o autocuidado e aumentar o risco de desenvolvimento de outras doenças.
A AniCura destaca também a obesidade como fator de risco para outras patologias. O excesso de gordura corporal aumenta a probabilidade de resistência à insulina e, consequentemente, de diabetes, além de sobrecarregar o sistema cardiovascular e acentuar problemas articulares, sobretudo em animais mais idosos.
Entre os fatores que contribuem para o aumento de peso estão a oferta excessiva de alimento, a falta de controlo das porções, o consumo frequente de snacks e restos de comida, a ausência de exercício físico regular e a perceção incorreta da condição corporal do animal.
Segundo a nota de imprensa, a esterilização é outro fator frequentemente associado ao aumento de peso, embora não seja, por si só, causa de obesidade.
“É importante sublinhar que a cirurgia, por si só, não provoca obesidade. Após a esterilização, podem existir alterações nas necessidades energéticas do animal, sendo importante ajustar a alimentação e garantir atividade física adequada”, sublinha Joana Alegrete.
A prevenção e o acompanhamento regular são apontados como ferramentas centrais para evitar a progressão do excesso de peso e o aparecimento de complicações associadas.
Segundo a AniCura, a monitorização da condição corporal, o ajuste das necessidades nutricionais e a identificação precoce de alterações de peso devem integrar o acompanhamento clínico dos animais de companhia.

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