O aumento dos custos e as dificuldades de acesso aos cuidados veterinários nos Estados Unidos da América (EUA) estão a levar um número significativo de tutores a adiar ou evitar consultas, com impacto direto na saúde dos animais de companhia.
De acordo com um relatório, divulgado pela Dutch, empresa norte-americana de telemedicina veterinária, dois em cada cinco tutores deixaram de levar os seus animais ao médico veterinário ou recusaram atendimento devido a custos ou limitações de acesso, o que corresponde a cerca de 75 milhões de pessoas.
O estudo, baseado em mais de 10 mil inquéritos, indica que o custo médio anual com cuidados veterinários atingiu os 3.000 dólares por animal, superando a inflação desde 2019. Metade dos inquiridos afirma estar “muito preocupada” com a capacidade de pagar despesas veterinárias inesperadas nos próximos 12 meses, enquanto 74% referem não conseguir marcar consultas no próprio dia.
A escassez de profissionais agrava o cenário, com uma estimativa de um médico veterinário para cada 1.250 cães e gatos. Neste contexto, apenas 12% dos tutores afirmam procurar assistência veterinária imediata quando suspeitam de doença ou lesão. Em alternativa, 58% recorrem a motores de busca, ferramentas de inteligência artificial (IA) ou redes sociais, e 57% optam por monitorizar os sintomas em casa.
O adiamento do atendimento tem consequências clínicas relevantes. Segundo o relatório, 46% dos animais de companhia viram o seu estado agravar-se, necessitaram de tratamento urgente, foram abandonados ou morreram devido à falta de intervenção atempada.
Kate Elden, diretora médica da Dutch, sublinha que “com o aumento dos custos e a dificuldade em agendar consultas, as famílias não estão a escolher entre uma visita ao veterinário e um luxo; estão a escolher entre a saúde de seus animais de companhia e necessidades básicas”. A responsável acrescenta que “quando o acesso ao tratamento é difícil ou o custo é elevado, as doenças tratáveis pioram e os resultados se deterioram, muitas vezes desnecessariamente”.
O relatório aponta a telemedicina como uma possível resposta, com potencial para reduzir custos ao longo da vida dos animais. No entanto, a sua implementação enfrenta limitações regulamentares. Em nove estados dos EUA, não é permitido estabelecer uma relação veterinário-tutor-paciente através de telemedicina, sendo que, noutros casos, é exigido exame físico prévio ou a renovação anual dessa relação.
Nos estados americanos onde a telemedicina é permitida, a participação dos médicos veterinários é cerca de 50% superior, evidenciando o potencial desta abordagem para melhorar o acesso aos cuidados num contexto de pressão sobre o setor.

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