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Fim de vida dos cães: Novas evidências sobre perceção da dor, sofrimento e apoio a tutores

Fim de vida dos cães: Novas evidências sobre perceção da dor, sofrimento e apoio a tutores iStock

Dois estudos do Dog Aging Project analisaram como os tutores experienciam a morte dos seus cães e como os profissionais veterinários podem melhorar o suporte prestado durante o fim de vida dos animais de companhia.

Publicados no Journal of the American Veterinary Medical Association, os trabalhos indicam que, independentemente das circunstâncias da morte, o impacto emocional para os tutores é consistente.

 

“A ligação entre humanos e animais é muito forte e, independentemente de como um cão falece, esse vínculo não muda”, afirma Kellyn McNulty, responsável pelo estudo.

O Dog Aging Project, projeto norte-americano que investiga o envelhecimento canino, recolheu dados através da sua End of Life Survey (EOLS), que permitiu aos tutores descrever as circunstâncias da morte dos seus cães e a sua perceção sobre a qualidade de vida e sofrimento.

 

Um estudo focou-se na forma como os tutores interpretam sinais de dor e sofrimento, influenciando decisões sobre eutanásia, enquanto o outro comparou experiências de perda por eutanásia e morte não assistida.

Os resultados mostram que dor e sofrimento são as razões mais citadas para a eutanásia, seguidas de prognóstico desfavorável e diminuição da qualidade de vida. Os tutores relataram sinais como alterações de mobilidade, vocalizações e mudanças subtis na expressão facial como indicativos de sofrimento.

 

No entanto, alguns tutores podem ter dificuldades em distinguir entre dor e alterações normais relacionadas com a idade, revelam os autores da investigação.

O segundo estudo revelou que as emoções associadas à perda — tristeza, culpa e luto — são semelhantes independentemente de a morte ocorrer por eutanásia ou de forma não assistida.

 

A morte súbita foi mais mencionada em cães que não foram sujeitos a eutanásia, mas o impacto emocional foi comparável em ambos os grupos.

“Perdas inesperadas podem deixar os tutores sem o mesmo suporte que uma eutanásia numa clínica veterinária”, sublinhou Jake Ryave, coautor do estudo.

Ambos os trabalhos reforçam a necessidade de os veterinários melhorarem a comunicação com os tutores sobre envelhecimento, dor crónica, qualidade de vida e cuidados de fim de vida.

Além disso, a disponibilização de recursos de apoio emocional a todos os tutores que enfrentam a perda de um animal de companhia, independentemente do tipo de morte, é considerada uma prioridade para os investigadores.

“Os animais vêm sempre acompanhados de pessoas, e apoiar essas pessoas também faz parte da nossa responsabilidade como profissionais de medicina veterinária”, conclui Jake Ryave.

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