Apenas cerca de um quinto dos tutores de cães pesquisou os custos potenciais de cuidados veterinários antes de ter um animal de companhia, segundo dados de um estudo da Dogs Trust, organização de bem-estar animal do Reino Unido dedicada à proteção e reabilitação de cães.
O estudo, que contou com a participação de mais de 340 mil pessoas, indica que 22% dos inquiridos analisaram previamente os custos veterinários, enquanto 27% avaliaram os custos de aquisição ou adoção. Outros aspetos relevantes, como raça, métodos de treino e necessidades de exercício, também registaram níveis reduzidos de preparação prévia.
Para a Dogs Trust, estes dados evidenciam lacunas na tomada de decisão por parte dos futuros tutores e apontam para a necessidade de maior envolvimento do setor veterinário.
Segundo Josh Heath, diretor sénior de relações públicas da organização, “como os profissionais veterinários são fontes confiáveis de aconselhamento sobre saúde animal, o setor veterinário está bem posicionado para apoiar as pessoas desde o início do seu processo de tomada de decisão”.
O responsável defende a disponibilização de “informações claras e acessíveis” nas clínicas e online, incluindo orientações sobre responsabilidades, custos ao longo da vida do animal e cuidados preventivos, de forma a apoiar decisões mais informadas.
Os dados surgem num contexto em que mais de 7.000 tutores já procuraram apoio da Dogs Trust este ano para entregar os seus cães para adoção. Entre os motivos apontados, cerca de 30% referiram dificuldades em gerir o dia-a-dia do animal e 11% indicaram constrangimentos financeiros.
A organização sublinha que decidir responsavelmente ter um animal começa antes da chegada do mesmo ao domicílio.
“Dedicar tempo para pesquisar adequadamente as necessidades de um cão, os custos envolvidos e a sua origem podem fazer toda a diferença para lhe proporcionar uma vida feliz e saudável”, acrescenta Josh Heath.
A investigação revela ainda que a maioria dos tutores recorre a fontes informais de informação: 49% indicaram pesquisas na internet e 17% redes sociais, enquanto apenas 6% procuraram aconselhamento junto de organizações de bem-estar animal. Este valor sobe para 13% no caso de adoções através de associações.
Também o presidente da British Veterinary Association (BVA), Rob Williams, reconhece o papel dos médicos veterinários no aconselhamento prévio, mas destaca que apenas cerca de 5% dos tutores procuram este tipo de apoio antes da aquisição. O responsável afirma que a associação tem vindo a apoiar os profissionais com recursos que facilitam estas conversas, incluindo informação sobre custos e cuidados preventivos, como a vacinação.
Segundo a organização, os resultados reforçam o potencial papel dos centros de atendimento médico-veterinário (CAMV) na educação dos tutores e na promoção de decisões mais informadas antes da aquisição de animais de companhia.

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