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Artigo de Opinião

Médicos Veterinários, os guardiões de um mundo indivisível

Médicos Veterinários, os guardiões de um mundo indivisível Direitos Reservados

Há datas que nos convidam a parar e a refletir. O Dia Mundial da Medicina Veterinária é uma delas. Este ano, a World Veterinary Association propõe um tema que toca na essência mais profunda da profissão: “Veterinários: guardiões da alimentação e da saúde”. Não poderia haver formulação mais justa. Numa época em que grandes ameaças à saúde humana decorrem da interface entre o mundo animal, o ambiente e a nossa forma de produzir e consumir alimentos, o Médico Veterinário emerge como um agente estratégico de saúde pública global.

A Medicina Veterinária tem um papel importante na prevenção e controlo das zoonoses, ou seja, doenças infecciosas transmissíveis entre animais e humanos. Alguns exemplos mais comuns, como o COVID-19, a gripe aviária, a raiva e a brucelose, recordam-nos que a nossa saúde está indissociavelmente ligada à dos animais que nos rodeiam e partilham o nosso espaço. Estima-se que mais de 60% das doenças infecciosas emergentes nos seres humanos tenham origem animal, facto que a história tem cobrado a preços muito elevados.

 

O contributo da Medicina Veterinária para a saúde pública não se esgota na vigilância epidemiológica. Estende-se também à segurança da cadeia alimentar, desde a inspeção sanitária nos matadouros até à rastreabilidade dos produtos de origem animal, e ao bem-estar dos animais de produção. O Médico Veterinário que supervisiona um abate ou que acompanha, por exemplo, uma exploração leiteira, está, concretamente, a proteger consumidores que nunca o verão, mas que dele dependem para a garantia de todas as condições de segurança e higiene.

É um trabalho, muitas vezes, silencioso e insubstituível, que tem de considerar desafios como o da resistência antimicrobiana, porventura uma das maiores ameaças sanitárias das próximas décadas. O uso inadequado de antibióticos na produção animal contribui diretamente para o desenvolvimento de estirpes bacterianas resistentes que chegam aos humanos. Assim, a Medicina Veterinária e a Medicina humana não podem ser consideradas mundos separados, mas sim dois lados de um problema comum que exige uma resposta comum.

 

É este reconhecimento que sustenta o paradigma One Health, que se alicerça na visão integrada e recusa a compartimentação entre Saúde Humana, Animal e Ambiental, tratando-as como dimensões de um sistema único, interdependente e frágil. As alterações climáticas estão a redefinir habitats de vetores e reservatórios de doenças. A perda de biodiversidade desequilibra ecossistemas que, durante milénios, funcionaram como amortecedores naturais de agentes patogénicos. A intensificação da produção cria condições propícias à emergência de novos vírus. Para responder a estes desafios, surge o Médico Veterinário, enquanto profissional tranversal e estratégico que trabalha no campo e no laboratório, na cidade e na floresta, nos portos e aeroportos, nos conselhos científicos e nas políticas públicas. É um profissional de Saúde com uma cobertura profundamente ampla das interfaces que definem o risco sanitário do século XXI.

Importa também, claro, reconhecer o papel insubstituível que estes profissionais desempenham na manutenção e no tratamento da saúde dos animais de companhia, membros das nossas famílias, que partilham connosco o quotidiano e nos oferecem afeto incondicional. Mais do que profissionais que vacinam, diagnosticam e operam, os Médicos Veterinários são guardiões do bem-estar animal e acompanham cada fase da vida dos nossos cães, gatos e outros companheiros, desde os primeiros cuidados pediátricos até ao apoio paliativo na velhice, prevenindo e tratando doenças, aliviando o sofrimento e prolongando vidas com qualidade.

 

Cuidar dos nossos animais é, em última análise, cuidar também de nós próprios, num tempo em que a relação entre humanos e animais se aprofunda e ganha novos contornos emocionais e sociais. Valorizar a Medicina Veterinária é reconhecer que a empatia, o rigor científico e a dedicação destes profissionais constituem um pilar fundamental de uma sociedade mais saudável, mais ética e mais humana.

É neste enquadramento que a Egas Moniz School of Health & Science tem apostado na formação de Médicos Veterinários. Uma decisão que resulta do cuidado com a excelência e formação qualificada de profissionais de saúde, com o objetivo de gerar impacto positivo e responder às necessidades atuais do mercado.

 

A nossa vocação é formar Médicos Veterinários que compreendem o seu lugar num sistema mais vasto: que saibam ler a saúde do animal como sinal da saúde do ambiente e esta como condição da saúde humana. Profissionais com consciência One Health, não como slogan, mas como grelha de leitura permanente da realidade.

Neste 25 de abril de 2026, em que assinalamos o Dia Mundial da Medicina Veterinária, fica a certeza: o futuro da saúde global passa, de forma incontornável, pelos Médicos Veterinários. Que saibamos estar à altura do que isso exige.

* A Egas Moniz School of Health and Science é uma instituição de ensino superior com sede e campus na Caparica (Almada) e unidade especializada em Sesimbra.
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