Um estudo publicado na revista npj Veterinary Sciences concluiu que o tipo de dieta (seca ou húmida) está associado a diferenças significativas na composição do microbioma intestinal de gatos.
A investigação baseou-se na reanálise de dados do projeto KittyBiome, iniciativa de investigação científica focada no estudo do microbioma dos gatos, utilizando novas ferramentas analíticas e uma base de dados taxonómica atualizada. Os autores analisaram um subconjunto de 172 gatos considerados saudáveis, com o objetivo de avaliar o impacto da formulação da dieta no microbioma fecal.
Os resultados mostram que gatos alimentados com dieta seca apresentam perfis microbianos distintos dos que consomem exclusivamente alimentos húmidos. Em particular, foi identificada uma maior abundância de géneros bacterianos como Prevotella, Bifidobacterium e Megamonas nos animais alimentados com dieta seca, microrganismos associados ao metabolismo de hidratos de carbono e potencialmente relacionados com doença metabólica.
A análise revelou ainda diferenças na diversidade microbiana. Gatos que consumiam qualquer quantidade de alimento seco apresentaram menor diversidade alfa (índice de Shannon) quando comparados com os alimentados exclusivamente com dieta húmida, que registaram os níveis mais elevados de diversidade microbiana.
Segundo os autores, a composição nutricional das dietas poderá explicar estas diferenças. Os alimentos secos apresentam, em média, cerca de 45% de hidratos de carbono, enquanto os alimentos húmidos contêm aproximadamente 10%, refletindo-se na estrutura e função do microbioma intestinal.
A análise estatística confirmou uma separação significativa entre os perfis microbianos dos diferentes grupos alimentares, incluindo gatos alimentados exclusivamente com dieta seca, húmida ou com ambas. Estes resultados reforçam que o tipo de formulação alimentar é um fator determinante na composição do microbioma felino.
O estudo enquadra-se num contexto mais amplo de investigação sobre o papel do microbioma na saúde animal. Os autores sublinham que, embora existam associações entre determinados perfis microbianos e potenciais riscos metabólicos, a relação direta com doença clínica ainda não está totalmente estabelecida.
Segundo os investigadores, os resultados reforçam o papel da nutrição como um dos principais moduladores do microbioma intestinal em animais de companhia, com potencial relevância para a prática clínica e para o desenvolvimento de dietas comerciais direcionadas.

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