Uma investigação do Royal Veterinary College (RVC) identificou novos dados sobre os riscos cirúrgicos e os resultados de recuperação associados à reparação da válvula mitral em cães, contribuindo para reforçar a base de evidência nesta área.
A doença degenerativa da válvula mitral é a patologia cardíaca mais comum em cães, afetando sobretudo raças de pequeno porte, como o Cavalier King Charles Spaniel e o Poodle Miniatura e Toy. A condição leva à insuficiência da válvula, podendo evoluir para insuficiência cardíaca. Em casos avançados, a cirurgia de correção é uma opção, embora envolva elevada complexidade, incluindo o recurso a circulação extracorpórea.
Com o objetivo de colmatar a escassez de dados sobre este procedimento, a equipa do RVC analisou informação clínica anonimizada de cães submetidos a cirurgia no Queen Mother Hospital for Animals. Um dos estudos avaliou 176 cães, focando-se na gestão anestésica e nas complicações intra e perioperatórias, enquanto o segundo analisou 66 cães para identificar fatores preditivos após a intervenção.
Os resultados indicam que, apesar da eficácia potencial da cirurgia, existem riscos significativos associados, tanto durante como após o procedimento, sublinhando a necessidade de um acompanhamento clínico rigoroso. A maioria das melhorias no tamanho do coração ocorre nos primeiros três meses após a cirurgia.
Entre os principais fatores identificados, destaca-se a duração da circulação extracorpórea, associada a maior risco quando prolongada, sugerindo a necessidade de a minimizar sempre que possível. O estudo reforça também a importância de monitorização perioperatória intensiva e de protocolos de resposta rápida para gestão de complicações.
Os dados indicam ainda que cães com maior dilatação cardíaca prévia e maior peso corporal apresentam maior probabilidade de manter alterações estruturais após a cirurgia. A variabilidade nos resultados de recuperação reforça a necessidade de avaliação individual de cada caso.
Segundo os autores, estas conclusões permitem apoiar a prática clínica, melhorar a gestão de risco e contribuir para uma comunicação mais informada com os tutores sobre os potenciais resultados e riscos associados a este tipo de intervenção.

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