O mercado dos animais de companhia em Portugal continua a crescer de forma consistente, mas apresenta um desalinhamento face à evolução do consumidor, que é hoje mais informado, exigente e orientado para a qualidade e prevenção, segundo a primeira fase de um estudo da UPPartner.
Com base em entrevistas a diferentes intervenientes do setor, a análise estima que o mercado atinja cerca de 681 milhões de euros anuais, com aproximadamente 60% dos lares portugueses a terem animais de companhia. O crescimento médio anual situa-se na ordem dos 15%, “mesmo num contexto económico adverso”, refere o comunicado de imprensa enviado às redações.
Apesar desta evolução, o estudo identifica fragilidades estruturais. Cerca de 82% dos tutores recorrem ao médico veterinário apenas uma vez por ano e apenas cerca de 15% dispõem de seguro para os seus animais, “refletindo a predominância de um modelo reativo e a ausência de práticas preventivas consistentes”.
Este contexto revela uma crescente tensão entre a sofisticação da procura e a maturidade da oferta. Embora os tutores procurem mais qualidade, informação e soluções completas, o setor continua, em muitos casos, pouco estruturado, com níveis limitados de diferenciação e especialização.
A investigação destaca também que a prestação de cuidados continua a ocorrer maioritariamente após o aparecimento de problemas, o que pode aumentar custos e reduzir a eficácia a longo prazo. Esta realidade aponta para a necessidade de uma transição para modelos mais preventivos, alinhados com outras áreas da saúde, avança a comunicação.
Outro dos desafios identificados prende-se com a distância entre a intenção e a prática dos tutores. Apesar de existir maior consciência sobre a importância dos cuidados, essa evolução nem sempre se traduz em decisões mais informadas, refletindo limitações ao nível da literacia e da informação disponível.
Para Bernardo Soares, médico veterinário e responsável pela área One Health da UPPartner, “o setor pet está a entrar numa fase de maior exigência, mas ainda não tem a estrutura necessária para acompanhar essa evolução. Existe hoje um consumidor mais informado e mais atento, mas o mercado continua, em muitos casos, a responder com modelos pouco diferenciados e ainda muito centrados na reação, e não na antecipação”.
O responsável acrescenta que “é neste desfasamento que está, simultaneamente, o principal risco e a maior oportunidade de crescimento do setor”.
A UPPartner indica que esta é a primeira fase de uma análise contínua ao mercado, que será aprofundada nos próximos meses, com foco em áreas como prevenção, profissionalização e desenvolvimento de novos modelos de resposta.

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