Suspeita-se pouco de hipertensão felina e faz-se pouca medição da pressão arterial em gatos. Esta é uma condição silenciosa, que pode prolongar-se durante muitos anos, e nem sempre está no topo de suspeitas numa consulta de rotina.
Neste episódio, Rui Máximo, médico com interesse especial e experiência em cardiologia, e também fundador da Updatevet, explica por que motivo a medição da pressão arterial deve ser integrada na rotina dos check-up em veterinária, o impacto do efeito da bata branca, a partir de que momento se deve instituir o tratamento, e quais os erros mais comuns.
A medição da pressão arterial deveria ser um ato clínico padronizado e rotineiro como a auscultação cardiopulmonar ou a palpação abdominal em todos os felinos que entram no consultório, defende o médico. Mas, para ser bem realizada, deve ter-se em consideração o ambiente da forma mais cat friendly possível e promover o treino adequado da equipa.
Conforme as diretrizes da International Society of Feline Medicine (ISFM), o rastreio da pressão arterial deve ser estratificado em categorias muito bem definidas, segundo uma obrigatoriedade uma vez por ano, em gatos seniores saudáveis, com idades entre os sete e os nove anos, e de seis em seis meses, em gatos geriátricos saudáveis, com mais de onze anos. Por outro lado, “qualquer gato com doenças que podem conduzir à hipertensão devem ser monitorizados ao longo do tempo, ainda que a doença primária esteja controlada”, sugere o médico.
Perante alguns resultados que podem suscitar preocupação, pode surgir alguma hesitação no momento de decisão de instituir a terapêutica devida, em particular, em valores considerados limítrofes ou quando o clínico assume que o aumento se deve unicamente ao stresse da consulta. “Todavia, as recomendações consensuais internacionais estabelecem metas objetivas e seguras para a intervenção terapêutica com base na classificação da pressão arterial e no risco associado de lesão em órgão-alvo”, defende Rui Máximo.
Nesta conversa falámos ainda das opções terapêuticas recomendadas e dos ajustes ao longo do tempo.
Pode ouvir o episódio na íntegra aqui e nas plataformas habituais de podcast.

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