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Animais de Companhia

Gatos com acesso ao exterior têm risco de infeção semelhante ao de gatos errantes

Gatos com acesso ao exterior têm risco de infeção semelhante ao de gatos errantes iStock

Um estudo liderado por investigadores da University of British Columbia, no Canadá, concluiu que gatos com acesso não supervisionado ao exterior apresentam taxas de doenças infeciosas comparáveis às observadas em gatos errantes, mesmo quando recebem cuidados veterinários, alimentação regular e abrigo.

A revisão científica, publicada na revista PLOS Pathogens, analisou dados de 604 estudos envolvendo mais de 174 mil gatos em 88 países. Os investigadores identificaram 124 espécies de agentes patogénicos, dos quais quase 100 podem infetar humanos.

 

“Esperávamos que os gatos errantes tivessem um risco maior de contrair doenças do que os gatos de companhia, uma vez que o leque de doenças a que estão expostos é muito menor”, afirma Amy Wilson, autora principal do estudo.

E continua: “mas surpreendeu-nos que os gatos com acesso ao exterior apresentassem um risco geral de infeção comparável ao dos gatos errantes”.

 

Os resultados colocam em causa a ideia de que os gatos errantes são a principal fonte de transmissão de doenças associadas a felinos. Segundo os investigadores, muitos gatos de companhia circulam livremente no exterior, funcionando como potencial ligação entre agentes patogénicos da fauna selvagem e os humanos.

Entre os agentes identificados encontram-se Toxoplasma gondii, lombrigas intestinais, Bartonella — bactéria associada à doença da arranhadela do gato — e Leptospira.

 

O estudo refere ainda que os gatos caçam mais de duas mil espécies de animais selvagens em todo o mundo. Entre as presas mais frequentes estão pequenos mamíferos, frequentemente associados à transmissão de doenças.

Os investigadores sublinham que os tutores apenas observam cerca de 20% dos animais capturados pelos seus gatos, desconhecendo frequentemente a dimensão das interações dos animais de companhia com fauna selvagem.

 

“Os gatos errantes transportam a maior diversidade de agentes patogénicos, mas os planos de saúde pública focados apenas neles não abordam uma grande parte do problema”, sublinha Amy Wilson, acrescentando que muitos tutores afirmam sentir-se pouco informados sobre as doenças transmissíveis pelos seus animais de companhia e sobre a influência do estilo de vida dos mesmos nesse risco.

O estudo aponta ainda medidas para reduzir a exposição a agentes infeciosos, incluindo o acesso supervisionado ao exterior através de pátios fechados, cercas adaptadas para gatos ou passeios com arnês.

A investigadora alerta ainda que “as vacinas e a desparasitação, por si só, não são suficientes”, uma vez que não previnem muitos dos agentes patogénicos identificados no estudo. Segundo os autores, quando gatos infetados defecam em áreas públicas, o risco de transmissão estende-se além dos tutores.

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