Médicos veterinários

Discriminação de género na veterinária? “Se nós mesmas fizermos disso um caso, ela existe”

O setor europeu da medicina veterinária é dominado pelas mulheres. O VetSurvey de 2019, da Federação Europeia de Veterinários (FVE), indica que 58% dos veterinários, de todas as idades, são mulheres. Em Portugal, de acordo com dados enviados pela Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) à VETERINÁRIA ATUAL, em 12 de fevereiro de 2020 havia 4071 (61%) mulheres veterinárias e 2551 (39%) homens veterinários registados na OMV.

Em 2019, um estudo realizado pela Lancaster University Management School e pela Open University Business School, no Reino Unido, e publicado na revista científica Veterinary Record, revelava que as mulheres do setor enfrentam discriminação e ocupam menos cargos de topo na medicina veterinária. Interessada em conhecer a realidade portuguesa, e para celebrar o Dia Internacional da Mulher (8 de março), a VETERINÁRIA ATUAL dá voz a quatro mulheres do setor.

“Empresas onde a administração de topo é dominada por homens tendem a escolher homens para promoções”
A médica veterinária Patrícia Poeta, diplomada europeia em Microbiologia Veterinária e diretora do primeiro Colégio Europeu de Especialidade em Microbiologia Veterinária em Portugal, situado na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), tem dedicado grande parte da sua vida à investigação.

Atualmente a liderar a equipa MicroART- Microbiology and Antibiotic Resistance Team, que estuda amostras biológicas de várias espécies de animais selvagens, de consumo e companhia numa perspetiva One Health para decifrar os mecanismos genéticos que levam as bactérias à multirresistência, a investigadora revela que nunca se sentiu “menos valorizada por ser mulher”, ao contrário do que vários estudos sobre a discriminação de género nas organizações apontam.

Patrícia Poeta, líder do MicroArt

“Cresci numa família em que as mulheres ocupavam lugares de topo e tenho um agregado familiar que sempre me incentivou e apoiou em todas das decisões. Por parte da família, amigos e colegas de profissão, nunca senti que fosse discriminada por ser mulher. Em relação à entidade patronal, foi diferente, mas não quero abordar o assunto”, explica.

Questionada sobre o estudo publicado na Veterinary Record, que indica haver menor representação de mulheres em lugares de topo na medicina veterinária, a investigadora diz que as razões podem ser diversas.

Existe uma discriminação nos salários e nas promoções, como tem sido documentado amplamente pela investigação. As pessoas tendem a escolher outros que lhes são semelhantes. Portanto, empresas onde a administração de topo é dominada por homens tendem a escolher homens para promoções. Enfrentando a discriminação de género, é razoável que as mulheres estejam mais inclinadas para seguirem oportunidades de empreendedorismo ou desistirem do mercado de trabalho, deixando menos mulheres a competir pelas funções tradicionais. As mulheres ainda enfrentam uma parte desproporcional das responsabilidades domésticas e do cuidado parental. Por isso, em média, trabalham menos horas que os homens, o que também reduz os seus salários e as possibilidades de promoção”, afirma.

“O relatório da OCDE publicado em abril de 2018 refere que Portugal aparece no topo da lista com a maior percentagem de mulheres formadas nas áreas de ciências, matemáticas e tecnologias do grupo (57%), muito à frente da média da OCDE (39%) e mesmo da vizinha Espanha (35%). Apesar disto, as conclusões do trabalho revelam que a desigualdade de género continua a ser uma realidade na maioria dos países, em todas as áreas socioeconómicas, com mais mulheres a seguir estudos superiores, mas tendo bastante menos oportunidades de carreira do que os homens, e com as diferenças salariais entre géneros para o mesmo tipo de trabalho. A medicina veterinária não é exceção, principalmente quando falamos de lugares de topo”, refere Patrícia Poeta. A investigadora diz, no entanto, que prefere olhar para o tema da discriminação de género de forma “otimista” e “com esperança nas gerações futuras”.

“O mais importante, a meu ver, é dar oportunidades a pessoas competentes, justas e corretas”, afirma Patrícia Poeta

A médica veterinária diz também que “sucesso profissional não é sinónimo de um cargo de topo”. E explica: “Nem toda a gente que ocupa lugares de topo tem competência profissional, ética ou científica para o fazer…Todos reconhecemos este facto. Depois há aqueles que ‘vibram’ com cargos e categorias hierárquicas superiores e que, profissionalmente, são incompetentes. É um assunto muito sensível e, como referia Jeffrey Pfeffer, um dos maiores especialistas em questões de poder nas organizações, num artigo sobre As mulheres e as lutas pelo poder, ‘O sucesso profissional está relacionado com competência política.’ Isto tem inúmeras interpretações e significados.”

Patrícia Poeta conclui que “apesar de uma sociedade justa, inclusiva e imparcial requerer igualdade entre homens e mulheres, no Portugal atual, é possível observar uma enorme disparidade entre os géneros”. Para a investigadora, são, por isso, essenciais políticas públicas adequadas que visem fechar o abismo que existe entre homens e mulheres no mercado de trabalho e em todas as vertentes da vida. “Todos temos perfis diferentes uns dos outros e não podemos sectorizar em caraterísticas masculinas e femininas. O mais importante, a meu ver, é dar oportunidades a pessoas competentes, justas e corretas. Pessoas com carácter e que não se vergam apenas para agradar a alguém. Que digam o que pensam de forma clara e transparente. Todas estas características, aliadas à competência e profissionalismo, permitem a construção de excelentes líderes”, afirma.

“As mulheres podem e conseguem desempenhar as diversas profissões”
Para a médica veterinária Someia Umarji, fundadora e diretora clínica da ZenVet – Medicina Veterinária Integrativa e presidente do Grupo de Interesse Especial em Acupuntura na Associação Portuguesa de Médicos Veterinários Especialistas em Animais de Companhia (APMVEAC), a crescente percentagem de mulheres nas diferentes profissões, além da medicina veterinária, “é o reflexo de fatores sociais como a necessidade de rendimentos pessoais e familiares e a consciência individual e coletiva de que as mulheres podem e conseguem desempenhar as diversas profissões”.

Someia Umarji acredita que a subrepresentação de mulheres veterinárias em cargos de topo pode estar relacionada com a integração de novas gerações no setor, que, de acordo com a médica veterinária, têm prioridades diferentes das gerações anteriores.

Someia Umarji

“Se observarmos por faixas etárias, as mais jovens procuram uma carreira que se adeque a uma visão diferente sobre o trabalho e a profissão. Estou a referir-me aos Millennials, que procuram qualidade de vida, enquanto a carreira se encaixa nos seus planos. Viajar é uma das prioridades, mas também aprender, o que é excelente. Diferente de uma faixa etária anterior, em que a profissão e o trabalho são formas de subsistência e de valorização pessoal. Para os mais antigos, além da subsistência, o prestígio e a ideia de legado são marcantes. Se olharmos por esta perspetiva, e se há mais mulheres nos últimos tempos, há certamente mais mulheres Millennials, e para estas os lugares de topo não são a maior motivação pela mudança de prioridades”, justifica.

Contudo, não rejeita a ideia de que haja ainda alguns sintomas de discriminação entre sexos. “Apesar das mudanças, [a discriminação] é notória, sim, a começar pela diferença nos salários, cujos motivos são transversais a todas as profissões e que se relacionam com fenómenos como a maternidade e o auxílio à parentalidade, que é muito mais associada socialmente à mulher do que ao homem, inclusive pelas leis que temos. Na medicina veterinária, o que parece ser ainda frequente é que a maioria dos donos de clínicas e hospitais são homens, ocupando eles os lugares de topo, sendo por isso as mulheres a ocupar necessariamente lugares abaixo. Não está em causa a competência, mas a posição apenas. E é a posição no estatuto corporativo que a sociedade, no geral, valoriza ainda”, lamenta.

“Não nos podemos esquecer que a medicina veterinária não é um universo separado da sociedade, pelo que reflete o que se passa nela”, sublinha Someia Umarji

Someia Umarji revela, no entanto, que ao longo da sua carreira profissional já se sentiu menos valorizada por ser mulher. “Sim [já me senti menos valorizada por ser mulher]. Apesar de não ter sido de uma forma agressiva, senti que foi preciso ir educando os clientes a não nos identificarem pelo sexo, mas pela profissão que desempenhamos, a de médicas veterinárias. Quantas de nós não fomos já chamadas, carinhosamente, de ‘menina’ ou ‘filha’? Isto gera inconscientemente uma atitude condescendente em relação às opiniões e recomendações médicas. E quando trabalhamos num ambiente misto é claro que a palavra de um médico veterinário com a mesma posição é ouvida de outra forma. Existem casos, inclusive, de colegas que são as proprietárias da clínica ou hospital, mas que o público em geral assume serem a funcionária, existindo um médico a trabalhar na clínica em simultâneo. Esta visão é relativa ao cliente, que difere do que se passa entre colegas. Acredito também que é mais fácil a um cliente procurar negociar o preço de um tratamento com uma médica do que com um médico. Estas são questões da nossa sociedade ainda muito ligadas ao passado e que precisam de mudar.”

Recentemente, Daniella dos Santos, atual presidente da British Veterinary Association (BVA), disse que “a discriminação de género é um problema latente na medicina veterinária”, no Reino Unido. Questionada sobre se o mesmo acontece em Portugal, a médica veterinária Someia Umarji responde que a partir do momento em que existe uma diferença salarial que representa de forma material a diferença entre os sexos, “é impossível” não aceitar a declaração. “Não nos podemos esquecer que a medicina veterinária não é um universo separado da sociedade, pelo que reflete o que se passa nela.”

“Na data em que celebramos a mulher, aproveito para congratular todas a veterinárias da profissão e lembrá-las que antes de a sociedade mudar a sua visão, teremos que ser nós a fazê-lo, apoiando e valorizando mutuamente o trabalho que desempenhamos”, sublinha.

Discriminação? “Se nós mesmas fizermos disso um caso, ela existe”
Andreia Santos sabe o que é ser mulher num mundo de homens. Com raízes rurais, decidiu ser médica veterinária de animais de produção em 2000, altura em que muito poucas mulheres trabalhavam na área.

Andreia Santos

“Nasci e passei a infância entre vacas de leite e outra bicharada, toda a que se pode encontrar numa família de aldeia: porcos, galinhas, coelhos, cães, gatos, pombos…Sempre gostei de vacas. A minha ocupação, bem cedo, sempre foi tomar conta dos vitelos. Fazia esperas ao meu avô para que ele não me fugisse e me levasse para as suas lides. Ele tinha muita paciência. Depois foi crescendo o respeito por animais que tratamos durante a sua vida em que trabalham sempre em prol do proprietário e até ao seu fim. Via veterinários tratar as vacas lá de casa e às vezes achava que devia ser de maneira diferente, mais humana, até mais delicada. Fui consolidando a ideia de ingressar medicina veterinária e dentro da imensidão do nosso curso, decidi seguir as espécies pecuárias”, conta.

“Basta chegar para uma distocia, com 23 anos, e ver a cara de desespero do produtor. Lembro-me tão bem… Ele espreitava para trás de mim, até que decidiu perguntar: ‘Então e o doutor, não vem consigo?’. Respondi: ‘Não, não vem.’ – Andreia Santos

Na altura, poucas mulheres escolhiam trabalhar em veterinária de animais de produção, contudo, de acordo com Andreia Santos, as que escolhiam eram “todas muito icónicas”. E continua a descrição: “As grandes características que as definiam eram, sobretudo, o carácter marcado, energia imensa e capacidade técnica espetacular.”

A médica veterinária diz também que o facto de as mulheres serem ainda muito associadas à responsabilidade pela organização da rotina familiar pode levar as empresas a acreditar que “terão menos disponibilidade para a carreira”, justificando a sua sub-representação em cargos de topo, contudo, não se recorda de alguma vez ter sido menos valorizada ou discriminada por ser mulher.

Ainda assim, já se sentiu questionada ou considerada menos capaz por ser mulher numa profissão tipicamente de homens. “Basta chegar para uma distocia, com 23 anos, e ver a cara de desespero do produtor. Lembro-me tão bem… Ele espreitava para trás de mim, até que decidiu perguntar: ‘Então e o doutor, não vem consigo?’. Respondi: ‘Não, não vem.’ Perguntou-me: ‘Então e a menina vai ser capaz?’. Se já duvidava de mim, imagine depois disto. O pânico tomou a forma de vitelo com retroflexão da cabeça. Na verdade, esse foi o momento em que houve uma decisão em mim, tão clara como água cristalina: como haveria de lidar com ser mulher e muito jovem?”, conta.

“Não sou homem, nem pretendo fazer ou tomar o lugar de um. Passei a definir o meu trabalho com características muito próprias, de modo que os produtores não criassem sequer a dúvida em momento algum. É um trabalho feito para quem o quer realizar e não de outra forma. Com boa disposição, sempre, parceria com todos no local de trabalho, assertividade, delicadeza com as pessoas e animais, profissionalismo, dedicação, humildade e capacidade de ouvir. Acho que a forma como lidamos com os pressupostos é que rege a nossa conduta, portanto a quem achar que não somos capazes só temos de não ligar de maneira alguma. Apenas fazer o nosso trabalho. Se partirmos da vontade de provar alguma coisa a alguém, acho que só a ideia em si tolda o discernimento e vamos perder com isso. Se nós mesmas fizermos disso um caso, ele existe. Podem perguntar: ‘Mas sabes que só estás a ignorar?’. Talvez, mas ainda me parece mais sensato do que fazer disso um cavalo de uma batalha que está muito longe de ser vencida. Desculpem repetir-me: é o nosso trabalho de todos os dias que diz o que somos capazes de fazer, mulheres ou homens”, acrescenta.

Andreia Santos acrescenta que não acredita que na medicina veterinária a discriminação seja um problema maior que noutra área qualquer. “Como se sentirá um professor de jardim-de-infância? Concordamos que vemos essa profissão como sendo característica de mulher, certo? Não me parece ser um problema mais específico da veterinária. Em animais de grande porte, pode ser mais um bocadinho…É claro que há sempre a questão de lidar com animais muito grandes, às vezes mil quilos. Mas tudo é técnica, criatividade… Será que alguém pensa que um homem só com as mãos domina um animal de 800 quilos? Um bracinho mais comprido, às vezes dava o seu jeito, mas há que criar soluções. A determinação vale muito mais que tamanho ou força. A técnica protege os audazes, mulheres ou homens.”

A médica veterinária refere ainda que o que mais pode afastar as mulheres da profissão, independentemente de ser na vertente de animais de produção ou companhia, “são os horários”. “Trabalhar em equipa diminui o efeito, como acontece numa clínica ou hospital de animais de companhia. Nos animais de produção são poucos os grupos com bastantes colegas, o que significa que trabalhamos sozinhas ou com apenas mais um ou dois colegas, e despendemos muito tempo a trabalhar, efetivamente. O gozo das muitas vertentes da vida perde para o plano profissional. Mas esta é uma questão que depende das vontades de muita gente. Há uma outra razão [que afasta as mulheres da veterinária de animais de produção] difícil de contornar, que o facto de estarmos expostas às vontades dos elementos: chuva, frio, calor, vento, muitos quilómetros de estrada. Outra ainda, o cheiro: não há remédio, vacas cheirarão sempre a vacas”, conclui, em jeito de brincadeira.

“A mudança tem de começar cedo e de dentro para fora” – Isabel Maia

Isabel Maia ainda se lembra do dia em que despertou para a medicina veterinária. A sua vida foi passada no campo, entre os animais, e por isso sempre quis ser agricultora, como a mãe. Depois, agrónoma, como o pai. Mas um dia, ainda durante o ensino secundário, uma pergunta do seu pai pô-la a pensar. “‘E porque não veterinária?’ Lembro-me perfeitamente de pensar: ‘E porque não? Como é que nunca me lembrei disto? Assim, quando tiver um animal doente, já sei como o tratar. Não viverei com a angústia de pensar que talvez houvesse algo mais a fazer.’ A ideia entranhou-se e nunca mais saiu. Foi a melhor decisão que podia ter tomado”, conta.

Isabel Maia

Quando começou a exercer, em animais de produção, em 2006, “já existiam algumas” mulheres na profissão. “Na maioria dos concelhos por onde passei não fui a primeira mulher veterinária com quem os agricultores contactaram. Aliás, a empresa na qual comecei a trabalhar tinha dois sócios médicos veterinários e uma era mulher. Eu fui a terceira mulher contratada. Depois de mim, das seis pessoas que foram contratadas, cinco eram mulheres”, recorda.

Sobre a falta de representatividade de mulheres em cargos de topo, na veterinária, como aponta o estudo da Lancaster University Management School e Open University Business School, Isabel Maia diz que “na área dos animais de produção, nas faixas etárias mais velhas, existe claramente uma desproporção homem-mulher a favor dos homens”. Assim, acrescenta a médica veterinária, esses cargos de topo masculinos são muitas vezes consequência do tempo de experiência. “Nas faixas etárias mais novas existem mais mulheres. Pelo menos, no setor privado, conheço alguns exemplos de mulheres que são sócias-gerentes. Penso que, com o passar dos anos, assistiremos a um número crescente de mulheres em cargos de poder.”

Apesar disso, não nega que já tenha sentido que a achavam menos capaz por ser mulher. “No início da carreira, senti descrédito, principalmente em chamadas para partos. Muitas vezes ouvi da parte dos agricultores ‘Eu não tive força para tirar a cria e a doutora vai ter?’. Respondia ‘Se fosse uma questão de força, o senhor tinha feito o parto. Eu não trago a força, trago o jeito.’ Por exemplo, nas torções uterinas, rodava e rodo as vacas no chão com mais frequência do que um veterinário homem. O resultado final é o mesmo. Parto feito. Quando o agricultor percebe que o resultado final é o mesmo, o género do veterinário é um pormenor”, garante.

Isabel Maia conta, no entanto, que o facto de ser filha de agricultores a fez gozar de “um estado de graça que contrabalança com a ideia de que a mulher é um ser frágil e delicado”, já que “o estereótipo da mulher do campo é o da mulher resiliente e ‘dura’”. Por outro lado, a feminilidade de uma mulher pode gerar opiniões ‘fortes’ de terceiros: “Noto muito essa discriminação, mesmo dentro da nossa classe, sobre as estudantes de medicina veterinária que decidem seguir animais de produção. Quanto mais bonita e vaidosa, mais provável é que lhe digam que não tem perfil para trabalhar com animais de produção, especialmente como veterinária de campo de bovinos. Este preconceito entristece-me, enquanto mulher e veterinária.”

“Não sinto que ser mulher me esteja a prejudicar em termos de progressão de carreira ou reconhecimento. Talvez não tenha uma visão abrangente o suficiente para responder a essa pergunta. Preocupa-me, sim, essa discriminação no ensino universitário sobre as estudantes de veterinária, como expliquei”, acrescenta.

Para atrair mais mulheres para a medicina veterinária de campo, com animais de produção, acredita ser essencial “desconstruir a ideia de que a medicina veterinária em animais de produção é uma atividade de homens, viril, insensível e sem compaixão”. E aponta soluções: “Isso tem de começar durante o próprio curso de medicina veterinária. Contrariar os estereótipos. Reduzir os preconceitos. A mudança tem de começar cedo e de dentro para fora.”