Um estudo conduzido por investigadores espanhóis documentou, pela primeira vez, a deteção de imunocomplexos circulantes num gato naturalmente infetado por Leishmania infantum, apontando este marcador como uma ferramenta promissora para apoiar o diagnóstico e o acompanhamento terapêutico da leishmaniose felina.
A leishmaniose felina é uma zoonose transmitida por vetores, causada por L. infantum, tendo o cão como principal reservatório vertebrado. Em cães, títulos elevados de anticorpos anti-Leishmania estão associados a maior gravidade clínica.
A hipergamaglobulinemia pode favorecer a formação de imunocomplexos circulantes, que se depositam nos tecidos e podem desencadear lesões imunomediadas, como glomerulonefrite e insuficiência renal. Por isso, na leishmaniose canina, a deteção de imunocomplexos circulantes tem vindo a ser considerada um potencial biomarcador de diagnóstico e monitorização. Em gatos, porém, não existia um teste específico para medir estes complexos.
Com esse objetivo, uma equipa da Faculdade de Medicina Veterinária de Zaragoza, da LETI Pharma, do Centro Severo Ochoa de Biologia Molecular e da Faculdade de Farmácia da Universidade Autónoma de Barcelona realizou o estudo, em colaboração com a Urano Vet, apresentando o primeiro caso documentado de deteção de imunocomplexos circulantes num gato com infeção natural por L. infantum, bem como um seguimento de curto prazo associado ao tratamento anti-Leishmania.
O caso descrito refere-se a um gato europeu de pelo curto, esterilizado, com oito anos, proveniente de Espanha, cuja principal manifestação clínica associada à infeção foi uma uveíte unilateral.
A infeção por Leishmania foi confirmada através de teste imunocromatográfico rápido positivo, ensaio imunoenzimático (ELISA) e reatividade ao Western Blot anti-Leishmania, teste molecular em sangue e humor aquoso, além de cultura parasitária tipificada como L. infantum.
Para viabilizar a avaliação do novo marcador, os investigadores desenvolveram e configuraram um ELISA específico para detetar imunocomplexos circulantes felinos, medindo longitudinalmente os níveis deste biomarcador durante um acompanhamento de curto prazo.
Durante o tratamento, o animal recebeu alopurinol (20 mg/kg a cada 24 horas) e anti-inflamatórios tópicos. A uveíte resolveu-se ao fim de 30 dias, com melhoria paralela da atividade e dos sinais clínicos oculares.

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