Uma investigadora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos da América (EUA), está a estudar carraças com o objetivo de melhorar as estratégias de controlo e reduzir a transmissão de doenças.
Karen Fuenzalida, médica veterinária e estudante de doutoramento no Programa de Pós-Graduação em Ciências Biomédicas Comparadas, lidera este projeto, que se apresenta como um estudo ecológico com aplicação direta na gestão de carraças e na prevenção de doença.
De acordo com a responsável, a investigação surge num contexto em que a doença de Lyme continua a representar uma preocupação significativa nos EUA. De acordo com a Universidade de Wisconsin, cerca de 500 mil americanos são diagnosticados todos os anos com esta doença, que pode causar erupção cutânea, febre, fadiga acentuada e rigidez articular, entre outros sinais. Para o setor veterinário, este enquadramento é relevante, uma vez que a mesma espécie de carraça associada à doença em humanos também aumenta o risco de exposição em animais de companhia.
Na América do Norte, a doença de Lyme é causada por Borrelia burgdorferi sensu stricto e transmitida por carraças do género Ixodes. A espécie Ixodes scapularis, conhecida como carraça-de-pernas-pretas, é o principal vetor no leste e centro da América do Norte, enquanto Ixodes pacificus assume esse papel a oeste das Montanhas Rochosas.
Segundo a informação disponibilizada, a transmissão exige, em regra, que a carraça permaneça ‘colada’ durante tempo suficiente para que o agente passe do vetor para o hospedeiro, o que mantém a remoção rápida da carraça como uma recomendação preventiva central.
Nos cães, a doença clínica é menos frequente do que a exposição. O texto indica que apenas cerca de 5% dos cães expostos desenvolvem doença de Lyme clínica, embora os casos possam incluir febre, letargia, anorexia, depressão, claudicação, tumefação articular, poliartrite e linfadenopatia. A mesma revisão sublinha ainda que a serologia documenta exposição, e não doença, o que torna essenciais a história clínica, os sinais apresentados e a avaliação do risco na interpretação dos resultados.
O enquadramento preventivo ganhou maior relevância à medida que o risco parasitário se expandiu geograficamente. Segundo a informação referida, as carraças e as doenças que transmitem continuam a alargar-se a outras regiões, reforçando a ideia de que o risco tende a ser cada vez mais anual e menos limitado a uma janela sazonal estreita.
Neste contexto, a investigadora reforça a importância de articular a proteção individual do paciente com a compreensão da ecologia que permite a persistência e disseminação das carraças.
Entre os fatores que aponta estão a disponibilidade de hospedeiros, as condições ambientais e a dinâmica populacional local, variáveis que influenciam a pressão regional da doença. Segundo a informação disponibilizada, esta abordagem está alinhada com prioridades da medicina preventiva já presentes na prática clínica de animais de companhia, nomeadamente através da educação dos tutores, da prevenção acaricida e de estratégias de testagem adequadas.

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