Lobo ibérico ameaçado em Vila Real

Lobo ibérico ameaçado em Vila Real

O Grupo Lobo alertou, no dia 18 de Abril, para os riscos que os menos de 90 lobos que sobrevivem no distrito de Vila Real correm se não forem minimizados os impactos provocados pela construção de parques eólicos, barragens, auto-estradas e pedreiras.

Segundo adiantou o “Diário Digital”, Gonçalo Costa integra a equipa do Grupo Lobo que monitoriza a população destes animais desde 2005, no âmbito da construção das auto-estradas A7 e A24 no Sítio Rede Natura 2000 Alvão/Marão.
Neste sentido, o técnico explicou, durante a conferência “Grandes Infra-Estruturas & Conservação do Lobo”, que teve lugar em Lamego, que o recente «desenvolvimento humano tem contribuído decisivamente para o desaparecimento do factor isolamento, ameaçando a manutenção a médio prazo dos lobos».
De acordo com o último Censo Nacional de Lobo, efectuado em 2002/2003, foram identificadas naquele distrito 18 alcateias (com uma média de cinco lobos por alcateia), distribuídas pelas serras do Alvão, Marão, Falperra e zona do Barroso.
«Nestes últimos anos registou-se um decréscimo da população e, actualmente, pensamos que haverá menos de 90 lobos neste território», sublinhou Gonçalo Costa, que se devem a «grandes alterações» no habitat destes animais.
Alterações essas que, segundo o presidente do Grupo Lobo, Francisco Petrucci-Fonseca, poderão conduzir «mesmo à extinção» naquele território.
Por outro lado, «o grande impacto provocado pelos parques eólicos são os acessos construídos em zonas que antes eram inacessíveis e que serviam de abrigo aos lobos», frisou Gonçalo Costa.
A somar a estas construções, estão mais quatro barragens na zona do Alto do Tâmega, o que para este grupo representa «mais um problema», uma vez que «vão destruir o corredor ecológico ao longo do rio Tâmega, que é de importância vital para muitas espécies». Para Francisco Petrucci-Fonseca, estas infra-estruturas «vão funcionar como uma barreira, impedindo a passagem dos lobos e o seu contacto com outras alcateias e servirão também de factor de atractividade para muitas pessoas», pelo que considera que todos estes factores «vão fazer com que os lobos do Alvão fiquem completamente isolados».
Para que a sobrevivência da espécie seja assegurada, o responsável defende a integração desta área num Plano Nacional de Acção para o Lobo, «há muitos anos previsto e nunca implementado», o ordenamento das actividades humanas numa visão de desenvolvimento sustentável e a elaboração de planos de gestão de áreas naturais e agro-florestais onde a presença de espécies autóctones seja um dos objectivos.
Estima-se que existam cerca de 2.000 lobos na Península Ibérica, 300 dos quais em Portugal, mais concretamente na região fronteiriça dos distritos de Viana do Castelo e de Braga, província de Trás-os-Montes e parte dos distritos de Aveiro, Viseu e Guarda.
«Apesar do actual estatuto de conservação do lobo, os estudos até agora realizados sugerem que a população lupina em Portugal continua em regressão», alerta o Grupo Lobo no seu site, indicando que entre as principais causas para este declínio estão a perseguição directa, o extermínio das suas presas selvagens (veado e corço) e, actualmente, a fragmentação e destruição do habitat e o aumento do número de cães abandonados que com eles competem pela procura de alimento.
Criado em 1985, o Grupo Lobo, que conta com cerca de 1.250 associados, luta pela conservação do lobo e do seu ecossistema em Portugal.