Uma startup tecnológica desenvolveu um sistema que usa inteligência artificial (IA) para “falar” com animais na sua própria linguagem e afastá-los de zonas perigosas, como autoestradas, linhas férreas ou aeroportos. A inovação foi criada pela Flox Intelligence, empresa sediada em Syracuse, nos Estados Unidos da América (EUA), que quer reduzir colisões entre fauna selvagem, veículos e infraestruturas.
A empresa recorre a IA para analisar uma biblioteca digital de vocalizações de mais de duas dezenas de tipos de animais, desde ursos a aves. Depois, instala dispositivos em árvores e em áreas próximas de locais onde a vida selvagem e os veículos se cruzam.
A Flox Intelligence já começou a trabalhar com o Departamento de Agricultura dos EUA, com um aeroporto no Michigan e com o World Wildlife Fund. Também um grupo de melhoria de plantas encontrou aplicações para esta tecnologia.
Até ao momento, a empresa instalou algumas centenas de dispositivos e adiantou que o objetivo é chegar aos milhares até ao final do ano.
A empresa anunciou também recentemente que angariou 3 milhões de dólares junto de investidores, o maior financiamento da sua história. A Flox conta ainda com apoios públicos.
Os fundadores da empresa transferiram os escritórios da Suécia para Nova Iorque no ano passado, com o objetivo de acelerar a comercialização da tecnologia e alargar a sua utilização através de contratos com várias empresas, nomeadamente aeroportos e departamentos públicos de transportes.
A empresa está construiu uma biblioteca digital baseada no “vocabulário” de 27 espécies diferentes, tendo reunido vocalizações de várias espécies de aves, raposas, veados, ursos, esquilos, coiotes, pumas e outros animais. O projeto começou também a trabalhar com vocalizações de cangurus na Austrália.
De acordo com os fundadores da empresa, durante a fase de investigação e desenvolvimento, os sistemas da Flox afastaram 60 mil animais de zonas onde poderiam ter sofrido ferimentos ou causado danos em infraestruturas.
O dispositivo Flox’s Edge, uma caixa semelhante a uma câmara de trilho que pode ser presa a uma árvore, continua a ser produzido em Estocolmo, mas deverá vir a ser fabricado nos EUA em breve.
Ao contrário de práticas humanas do passado, em que os sons dos animais eram imitados para os atrair para a caça, os responsáveis pela inovação sublinham que esta tecnologia pretende promover a coexistência.

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