Quantcast
Eventos

Prémio Nacional da Pastorícia 2026 marca Jornadas Internacionais de Évora

Prémio Nacional da Pastorícia 2026 marca Jornadas Internacionais de Évora Direitos Reservados

A 17.ª edição das Jornadas Internacionais do Hospital Veterinário Muralha de Évora ficou assinalada pela entrega do Prémio Nacional da Pastorícia 2026 a Marcos Rebocho, pastor da Herdade do Barrocal, distinguido sob aplauso de pé dos congressistas.

Ligado às ovelhas desde a infância, assumiu aos 13 anos a condução de um rebanho de 500 animais e, há 26 anos, passou a trabalhar na Herdade do Barrocal, onde fez crescer o efetivo de 1.500 para os atuais 3.000 ovinos.

 

De acordo com o comunicado de imprensa, integradas nas comemorações do Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, promovido pela FAO, estas jornadas destacaram o papel essencial dos pastores e vaqueiros portugueses, reconhecendo o seu contributo na articulação entre tradição, eficiência produtiva, boas práticas ambientais e adaptação permanente às exigências do sector.

A pastorícia continua a ser uma profissão pouco atrativa para os jovens, tema em destaque na mesa-redonda sobre “O Futuro da profissão dos pastores e dos vaqueiros”. Entre as principais conclusões, destacou-se a necessidade de o Estado reconhecer e apoiar financeiramente o serviço público prestado pelos pastores, criando melhores condições para atrair novas gerações.

 

Um dos grandes desafios da atividade passa por conciliar tradição e inovação e aproximar a sociedade urbana da realidade das explorações agrícolas. Valorizar a pastorícia pelo seu contributo na prevenção de incêndios, no sequestro de carbono, na preservação da biodiversidade e na fixação das populações no território é essencial para tornar esta profissão mais apelativa para os jovens.

Nuno Prates, presidente da Comissão Organizadora das Jornadas, sublinha que os pastores “são a alma da produção extensiva e os guardiões do ecossistema” e destaca a reprodução bovina como um dos temas centrais desta edição.

 

E continua: “tentamos sempre trazer temas atuais para despertar a atenção dos produtores e, este ano, um dos temas foi a transferência de embriões abordado em sala e em alguns workshops”.

Entre os destaques esteve ainda a técnica OPU-FIV, apresentada por Daniel Bello, doutorado em Medicina Veterinária, especialista em tecnologias reprodutivas bovinas e fundador da Embriovet, empresa parceira do Hospital Veterinário Muralha de Évora, que em breve passará a disponibilizar este serviço aos seus clientes.

 

As pastagens do futuro e a falta de mão de obra na agricultura estiveram também em destaque, concluindo-se que as explorações terão de se adaptar a esta nova realidade.

“A utilização das novas tecnologias ajuda a gerir de forma eficiente as pastagens que são o ativo base do ecossistema que permite que os animais transformem erva, que ninguém aproveita e que é combustível para incêndios sobretudo no verão, em proteína que é o que nos interessa”, disse Nuno Prates, referindo que neste momento a produção animal atravessa um “bom momento” e que o valor justo pela compra de um animal está a ser pago ao produtor.

Segundo a comunicação, a falta de mão de obra é hoje um dos problemas mais graves do sector. A concentração da população nas cidades tem afastado as pessoas do campo e da realidade da produção agrícola. Muitas vezes, desconhece-se o trabalho técnico e humano que está por detrás dos alimentos, desde a exploração até à prateleira, num processo que envolve tecnologia, bem-estar animal e segurança alimentar do prado ao prato.

A emergência de novas doenças, a biossegurança nas explorações e o papel do médico veterinário estiveram também em debate no congresso. “Temos várias doenças emergentes, umas que já chegaram a Portugal, e outras que podem vir a chegar, nomeadamente a doença nodular contagiosa, que já está em Espanha, e tem classificação de nível A, o que significa que todo o efetivo tem de ser abatido, caso haja algum animal com a doença comprovada. Estas doenças nunca param de aparecer e temos de estar preparados para elas”, refere o presidente da comissão organizadora das jornadas.

O responsável sublinha ainda que as explorações pecuárias estão hoje mais conscientes da importância de cumprir os planos profiláticos, como forma de prevenir a entrada de doenças e reforçar a proteção sanitária dos efetivos.

Com três salas a funcionar em simultâneo, dedicadas aos ruminantes, às comunicações científicas e aos equinos, as jornadas incluíram ainda vários workshops, reforçando a ligação entre teoria e prática, e acolheram a exposição de fotografia “Pastores pelo Mundo”, com imagens de vários continentes que retratam a dimensão social, económica e cultural da pastorícia.

À semelhança de edições anteriores, as jornadas voltaram a distinguir vários trabalhos e entidades. O Prémio Inovar na Pecuária Extensiva foi atribuído à Associação de Criadores de Bovinos Mertolengos. O Prémio de Melhor Comunicação Oral distinguiu Paulo Carvalho, da Sexing Technologies, pelo trabalho “Utilização de gonadotrofina coriónica equina recombinante em protocolos de IATF de vacas leiteiras”.

Na categoria de melhor póster, a vencedora foi Beatriz Carvalho, com o trabalho “Prevalência e Fatores de Risco da Teireliose Bovina na Raça Alentejana”. Já o Prémio OMV Melhor Jovem Investigador foi entregue a Maria Margarida Azinhais, pelo estudo “Prevalência de Chlamydia abortus em ovinos e caprinos do Alto Alentejo e sudoeste da Extremadura.”

 

 

 

 

Este site oferece conteúdo especializado. É profissional de saúde animal?