A Canadian Veterinary Medical Association (CVMA) deu destaque à importância e aos desafios da senciência animal, bem como ao estatuto legal dos animais como seres sencientes durante a sua Convenção Anual, que decorreu no Canadá, em junho deste ano.
O evento, intitulado “Senciência Animal: O que significa, por que é difícil de definir e que impactos pode ter na profissão veterinária?”, teve como objetivo analisar o atual reconhecimento e a evolução da senciência em animais, abordando o potencial do tema em criar atritos junto de grupos de defesa dos direitos dos animais e da indústria, assim como destacou a falta de abordagem política nestas questões.
“A CVMA tem uma longa história no que toca à defesa da melhoria do bem-estar de todos os animais e a senciência animal é uma questão para a qual a nossa profissão deve estar profundamente consciente. À medida que o mundo evolui, também evolui a nossa compreensão da senciência e as expectativas da sociedade”, afirmou Trevor Lawson, presidente da CVMA.
A Convenção contou com mais de 800 participantes e várias sessões educacionais, que deram também especial atenção à saúde mental dos profissionais do setor, à diversidade e inclusão, ao bem-estar animal, às questões nacionais do setor veterinário, aos seguros para animais de companhia e ao acesso a produtos farmacêuticos.
Recorde-se que a senciência animal foi oficialmente reconhecida na Constituição da Bélgica, em maio deste ano, tornando-se assim o sexto Estado-membro da União Europeia (UE) a incluir os animais na sua Constituição, depois da Itália, Alemanha, Luxemburgo, Eslovénia e Áustria.
Também outros países fora do espaço europeu já aprovaram a senciência animal constitucional, incluindo a Suíça, Egito, Brasil e Índia.
De acordo com o médico veterinário George Stilwell, “um animal senciente dispõe de um sistema nervoso − mais ou menos complexo −, ou seja, é capaz de sentir dor e sofrimento. O grau e tipo de perceção ou de consciência já é bem mais variável. Por exemplo, a ciência diz-nos que o animal não tem propriamente a capacidade de ter expectativas em relação ao futuro, ou seja, o eventual sofrimento é algo que ocorre naquele momento e que é esse que é preciso combater”.

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