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Animais de Produção

Biossegurança é investimento-chave para travar doenças animais, defende WOAH

Biossegurança é investimento-chave para travar doenças animais, defende WOAH iStock

A convivência entre animais selvagens e animais domésticos está a aumentar o risco de transmissão de doenças animais graves, com impactos diretos na saúde animal, na segurança alimentar e nos meios de subsistência das populações.

A conclusão é de uma análise da WOAH – Organização Mundial de Saúde Animal, que defende a biossegurança como um investimento estratégico essencial para prevenir surtos antes de estes ocorrerem.

 

Segundo a organização, doenças transfronteiriças como a peste suína africana, a gripe das aves e a febre aftosa continuam a espalhar-se globalmente, impulsionadas pela crescente interação entre vida selvagem, gado e atividades humanas. Quando partilham os mesmos recursos, como água, alimento e abrigo, aumentam significativamente as oportunidades de transferência de patógenos entre espécies.

A análise sublinhou ainda que a propagação destas doenças não depende apenas das características dos agentes patogénicos, como da sua capacidade de sobrevivência no ambiente ou das taxas de mortalidade, mas também de fatores regionais, sistemas de produção agrícola, espécies envolvidas e condições ambientais.

 

Segundo a WOAH, o clima, a alteração dos habitats e a expansão de assentamentos humanos contribuem para criar vias complexas de transmissão entre animais selvagens e domésticos, podendo também abrir caminho a infeções zoonóticas.

Neste sentido, a Organização Mundial de Saúde Animal destacou a importância de mapear previamente as áreas de risco na interface entre vida selvagem e gado, identificando pontos críticos como fontes de água ou zonas de alimentação.

 

Segundo a organização, esta abordagem permite aos serviços veterinários antecipar cenários de disseminação e atuar antes do aparecimento de surtos. No entanto, a organização reconhece que a falta de dados consistentes e as diferenças no conhecimento científico entre países continuam a ser obstáculos relevantes.

Como resposta, a análise defende a implementação de planos de ação específicos para cada exploração agrícola, com medidas destinadas a reduzir o contacto entre animais selvagens e domésticos. Estas podem incluir melhorias nas infraestruturas, alterações na localização de comedouros e bebedouros ou a redução da atratividade das propriedades para a fauna silvestre.

 

A distinção entre ações prioritárias e alternativas, bem como entre medidas gerais e específicas, é apontada como fundamental para transformar avaliações de risco em decisões práticas.

Segundo a WOAH, as ações prioritárias devem incidir nas intervenções com maior impacto na redução do risco, enquanto as alternativas oferecem soluções viáveis quando existem limitações legais ou operacionais. Já as medidas gerais estabelecem uma base mínima de biossegurança, ao passo que as específicas atuam sobre pontos de risco claramente identificados.

Assim, a Organização Mundial de Saúde Animal reforçou que a biossegurança não deve ser encarada como um custo, mas como um investimento. Os custos iniciais associados à melhoria das condições nas explorações são, segundo a organização, largamente inferiores aos prejuízos resultantes de surtos de doenças, que incluem perdas de produção, tratamentos e abates sanitários.

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