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Avaliação para detetar dor e desconforto nos cães – Novo serviço em Portugal

Podem os cães detetar cancro da mama através da pele? iStock

Os cães são mestres em esconder a dor e é por isso que muitas vezes ela passa despercebida. Quando chegam ao ponto de coxear, se não for por trauma, a dor já está instalada há algum tempo. Segundo a International Association for the Study of Pain (IASP), a dor é definida como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a dano tecidual real ou potencial. Portanto, a deteção precoce é crucial. Num estudo recente conduzido pela Universidade de Lincoln (2020 Feb 18; Pain and problem behaviour in cats and dogs – Daniel S. Mills et al.), é mencionado que entre 23% a 82% dos casos de comportamento apresentam dor como causa subjacente. Tendo em conta que este estudo incluía animais já com suspeita de algum desconforto, imagine-se qual a percentagem daqueles em que não há suspeitas e que vivem com dor.

“A avaliação Dynamic Dog abrange todo o histórico de vida do cão e ainda todos os seus movimentos e posturas ao longo de vários dias e em diferentes contextos do seu dia-a-dia, como dormir, comer, correr, brincar, realizar necessidades fisiológicas, subir e descer escadas, entre outros.”

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Sabemos ainda que em ambientes veterinários, a maioria dos cães tende a esconder o seu desconforto, seja por medo ou porque entram num estado de “shut down“, e que nessas alturas, a libertação de adrenalina/epinefrina e dopamina atuam como anti-inflamatório, temporariamente reduzindo qualquer desconforto presente, o que pode dificultar todo o vosso processo de avaliação.

A realidade é que, frequentemente, a dor ou o desconforto podem ser a principal causa de comportamentos indesejados em cães, como proteção de recursos, agressividade com outros cães e pessoas, sensibilidade a sons, relutância em caminhar, problemas relacionados com a separação, entre outros. O comportamento relacionado à dor é bastante complexo, e a dor pode ser subtil, passando despercebida durante anos. Ter uma ferramenta que nos permita avaliar os níveis de conforto de um cão e reconhecer esses sinais antes que se tornem demasiado evidentes, pode ajudar a melhorar drasticamente esses comportamentos, se não os corrigir completamente, uma vez que a dor seja identificada e controlada.

 

“Os resultados são apresentados num relatório técnico, com link para a visualização de vídeos, e o mesmo é enviado ao médico veterinário para que possa orientar e decidir os próximos passos no tratamento do paciente em questão.”

Como pode beneficiar/ajudar os médicos veterinários?

 

– Facilita a recolha abrangente e detalhada de informações do paciente, algo que sabemos ser difícil de realizar durante uma consulta devido a restrições de tempo;

– A avaliação Dynamic Dog é realizada sem necessidade de manipular o cão, o que é crucial ao lidar com casos de comportamento agressivo, muitas vezes associados a dor subjacente, ou cães extremamente ansiosos. Isso elimina o stresse comum em consultas, quer para o cão quer para o veterinário e tutor;

 

– Acesso a um relatório pormenorizado com terminologia conhecida;

– Um Dynamic Dog Practitioner possui as habilidades necessárias para identificar, com segurança e com base científica, possíveis sinais de desconforto no cão e comunicá-los ao médico veterinário. O objetivo é fornecer uma análise aprofundada que possam considerar útil aquando do vosso exame clínico e diagnóstico, facilitando a decisão dos próximos passos para ajudar o animal que têm à vossa frente e proporcionar-lhe alívio o mais rápido possível, unindo esforços por uma causa comum.

Uma avaliação Dynamic Dog abrange todo o histórico de vida do cão e ainda todos os seus movimentos e posturas ao longo de vários dias e em diferentes contextos do seu dia-a-dia, como dormir, comer, correr, brincar, realizar necessidades fisiológicas, subir e descer escadas, entre outros. Não se trata apenas de uma análise de postura e movimento; também examinamos a conformação específica desse cão, analisamos a forma como fazem as transições entre diferentes posições (sentar para deitar, deitar para ficar em pé, etc.) e avaliamos como andam e trotam em todas as perspetivas (caudal, frontal, lateral e, se necessário, dorsal). Cada detalhe é depois minuciosamente analisado com o auxílio de fotos e vídeos específicos, utilizando um conhecimento aprofundado da anatomia do cão e da sua biomecânica que nos permite identificar todos os processos compensatórios que o cão possa apresentar. Essa identificação ocorre por meio de consistências encontradas ao longo de todo o processo de avaliação. Os resultados são apresentados num relatório técnico, com link para a visualização de vídeos, e o mesmo é enviado ao médico veterinário para que possa orientar e decidir os próximos passos no tratamento do paciente em questão.

Perfil da autora

Bárbara Noriega, treinadora dedicada à área da dor e doença osteoarticular, oficialmente certificada como Dynamic Dog Practitioner em Portugal, traz um novo serviço que auxilia na deteção de áreas de dor e desconforto em cães. A paixão pelo conhecimento na área da dor e a perceção de que uma grande parte dos seus clientes com problemas de comportamento poderia estar a sofrer desconforto, sem meios claros de o demonstrar, levaram-na a procurar uma forma de ajudar esses animais e os seus tutores. Foi convidada para ser Cambassador – embaixadora do Canine Arthritis Management (CAM) – onde apoia tutores de todo o mundo na gestão dos seus animais. Frequentou vários cursos na área e, finalmente, encontrou o curso que considera “proporcionar a certificação e qualificação necessárias para apontar de forma rigorosa, objetiva e cientificamente fundamentada tudo aquilo que anteriormente não conseguia”, revela.

*Artigo de opinião publicado na edição 179, de fevereiro, da VETERINÁRIA ATUAL

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