Um estudo com cães e gatos com alterações gastrointestinais ligeiras concluiu que 28 dias de suplementação nutricional estiveram associados a melhorias nos sinais digestivos reportados pelos tutores.
A investigação avaliou um produto em formato mastigável com prebióticos e pós-bióticos incluindo 64 cães e 67 gatos residentes em França.
O trabalho teve como objetivo avaliar os efeitos de um suplemento nutricional contendo uma mistura específica de prebióticos e pós-bióticos em cães e gatos com perturbações gastrointestinais ligeiras. O produto em teste era composto por polpa de fruto de baobá, goma de acácia, Lactobacillus helveticus HA-122 inativado e frações selecionadas de estirpes de levedura inativadas.
Os autores enquadram os suplementos nutricionais específicos como uma abordagem utilizada em situações gastrointestinais ligeiras, como fezes moles intermitentes ou pequenas alterações na qualidade das fezes. Já a alteração completa da dieta ou a terapêutica farmacológica são geralmente reservadas para doenças gastrointestinais moderadas a graves.
O estudo incluiu animais com mais de um ano, de qualquer raça e sexo. Dos 64 cães e 67 gatos inicialmente incluídos, 57 cães e 57 gatos completaram o estudo.
No início do estudo e após 7, 14 e 28 dias, os tutores preencheram um questionário sobre diferentes aspetos da saúde digestiva dos animais. No primeiro e no último dia, recolheram também uma amostra de fezes para análise.
No primeiro dia, 94% dos cães e 91% dos gatos aceitaram o suplemento, isoladamente ou misturado com a comida. Entre o início e o final do estudo, a avaliação da saúde digestiva feita pelos tutores melhorou, passando de 7 para 8 pontos numa escala de 0 a 10, em cães e gatos.
Ao fim de 28 dias, 65% dos tutores de cães e 58% dos tutores de gatos reportaram melhoria na saúde digestiva dos seus animais. A proporção de cães com fezes muito húmidas ou líquidas diminuiu de 23% para 12%. Nos gatos, esta proporção reduziu-se de 18% para 9%.
A pontuação relativa ao odor das fezes também melhorou significativamente ao longo do tempo, a partir do sétimo dia, em cães e gatos. A proporção de tutores que referiram flatulência nos cães diminuiu de 96% para 51%; nos gatos, a redução foi de 75% para 12%.
Segundo os autores, o suplemento parece ter provocado pequenas alterações na microbiota de cães e gatos, sem mudanças profundas no conjunto da comunidade microbiana.
No conjunto, os investigadores referem que 28 dias de suplementação resultaram em melhorias gastrointestinais significativas, reportadas por cerca de 70 dos 114 tutores que completaram o estudo.
Ainda assim, os autores sublinham que os resultados devem ser interpretados tendo em conta as limitações do estudo e a variabilidade entre indivíduos. Defendem, por isso, investigação adicional em estudos de maior escala para avaliar os potenciais efeitos benéficos na microbiota e nos sinais digestivos.

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