«Quase veterinária de província»

«Quase veterinária de província»

Tabaqueira é nome de empresa, mas também a designação do bairro, em Albarraque, onde se instalou um pequeno centro veterinário que, apesar de aberto apenas duas horas por dia, chega a atender 15 pacientes. Falamos do Albavet – Centro Veterinário da Tabaqueira.

A honestidade e humildade parecem ser vincadas características de João Pedro Silva, médico veterinário e um dos responsáveis pelo Albavet – Centro Veterinário da Tabaqueira, em Albarraque, concelho de Sintra. Ao primeiro contacto da VETERINÁRIA ACTUAL fez questão de nos pôr de sobreaviso: «não sei se este centro veterinário será de grande interesse para a vossa publicação, pois trata-se um centro veterinário pequeno, quase familiar. Ou melhor, numa área de elevada densidade populacional, é quase “veterinária de província”». Não contrariámos na altura, mas agora respondemos: pequeno, grande, na província, na cidade, familiar ou não, todas as clínicas, centros e hospitais veterinários interessam. Todos têm como principal objectivo a prestação de cuidados e assistência aos animais, e aí não interessa o tamanho das instalações, mas a qualidade do serviço. E, com recursos mais limitados que muitos centros, este espaço cumpre esse objectivo.
O bairro da Tabaqueira nasceu encostado à empresa com o mesmo nome. Da produção de cigarros cresceu um complexo habitacional, tantas vezes largado ao abandono típico dos dormitórios. Mas esta situação tem vindo a mudar nos últimos anos, ou não fosse a implementação de novos serviços em prol dos residentes, como o Centro Veterinário da Tabaqueira, um sinal disso mesmo.
Familiaridade entre paciente e veterinário
O espaço foi fundado em 2001, por quatro sócios. Como nos revelou João Pedro Silva, «a nossa principal preocupação é para com os animais. Por isso damos o nosso máximo, com o objectivo de garantir que a saúde destes se encontre assegurada, mas nunca esquecendo que a relação veterinário/dono é de extrema importância no alcançar desse objectivo».
O centro é tido como muito particular e familiar. É que «dada a zona onde se encontra inserida, existe bastante familiaridade entre o veterinário e os clientes. A maioria nunca tinha levado os animais anteriores ao veterinário, e agora, por causa dessa familiaridade, começou a fazê-lo». Este esforço de aproximação e confiança tem trazido bons resultados, com o centro a ter, neste momento, qualquer coisa como 1500 utentes.
Com dimensões reduzidas – 200 m2 – quando comparado com outros espaços semelhantes, este centro tem disponíveis, no dia-a-dia, apenas os equipamentos básicos. Assim, para serviços externos, é feita a aposta na contratação de serviços especializados, como é o caso das ecografias, ecocardiografias, endoscopias ou raios X.
Uma das particularidades deste centro é o facto de estar aberto por poucas horas durante dia, apesar da disponibilidade total de 24 horas em urgências. Durante a semana o espaço está ao dispor dos utentes das 18h30 às 20h30, enquanto que aos sábados atende das 10h às 13h. A explicação para esse facto é adiantada por João Pedro Silva, que nos revela que o facto do centro estar inserido numa zona habitacional não justifica um horário mais alargado. E ao optar por manter esse horário de duas horas diárias, é possível diminuir os encargos, factor que depois se reflecte em preços mais convidativos. E mesmo assim, com este horário limitado, os dois profissionais que trabalham no centro atendem entre 10 a 15 animais por dia.
Agradecer com frangos
A grande dificuldade com que o centro se depara no seu dia-a-dia é, à semelhança de tantos outros espaços, a questão financeira dos clientes. É que, como nos revelou o responsável, «a zona onde nos encontramos é uma zona principalmente de população envelhecida, o que nos obriga a tentar sempre solucionar os problemas da forma mais rápida e económica para os donos».
E duas horas por dia chega para fazer um balanço positivo? Na realidade, segundo o médico veterinário, dá para fazer um balanço bastante positivo: «o número de clientes tem aumentado bastante, graças à boa imagem que a clínica tem transmitido». Essa boa imagem leva até que tenham clientes de outros pontos do país, como são exemplo os antigos moradores do bairro que entretanto mudaram de casa, mas que preferem que os seus animais sejam atendidos no mesmo espaço de sempre.
Mesmo com este relativo sucesso, nada é mais gratificante, como nos revelou João Pedro Silva, que os agradecimentos em ovos, frangos e bolos caseiros. «Quase me faz sentir veterinário de província», afirma.
Marcações online com aceitação
A ideia pré-concebida em relação a um estabelecimento que optou por ter poucos recursos, é a de que as novas tecnologias não assumem um papel importante, para não dizer que são inexistentes. Este centro foge a essa ideia, ou não fosse demonstrativo o facto de emitir uma newsletter em formato electrónico, permitir a marcação de consultas online, e, num esforço de modernização dos recursos tecnológicos, estar a realizar uma reestruturação do site.
A newsletter é, segundo o responsável, «mais um canal de comunicação com os clientes e que tem grande aceitação por parte destes». Estando também disponível no formato em papel para quem não dispõe de acesso à Internet, permite manter os utentes informados sobre o que se passa no centro, «quais as novidades, as promoções, os serviços prestados». Além disso, «são também abordados outros assuntos de interesse para todos, como por exemplo doenças de cães e gatos. É também uma forma de os donos trocarem informação, como por exemplo os que querem dar animais ou adoptar».
Outra das mais-valias é a marcação de consultas online – disponível em www.albavet.com – uma funcionalidade que tem tido bastante aceitação. É que «os clientes percebem que é para nós mais fácil trabalharmos desta forma e que diminui o tempo de espera das consultas. Não têm de vir mais cedo para marcar a sua vez, como normalmente acontece». Esta ferramenta permite, além da diminuição do tempo de espera, ter uma noção de quais os tipos de consulta que são esperadas para esse dia, o que ajuda também a melhor planear a actividade do centro.
«Não sei se este centro veterinário será de grande interesse», afirmava João Pedro Silva no início. Se aqui chegou, enquanto leitor, talvez a resposta seja «sim, interessa».