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Hospital Veterinário de Lisboa: “Fomos evoluindo com as exigências do mercado e da atividade em si”

Hospital Veterinário de Lisboa: “Fomos evoluindo com as exigências do mercado e da atividade em si”

O Hospital Veterinário de Lisboa começou por ser uma clínica, mas “chegámos a uma altura onde sentimos a necessidade de evoluir e criar valências que não tínhamos”. Transformou-se num hospital, uma decisão certeira, apesar de se situar numa zona onde há muitos CAMVs.

Ricardo Vieira é um homem de vários interesses e isso nota-se pelo seu percurso profissional. Numa fase inicial “fazia clínica de pequenos animais”, tendo mesmo chegado a rumar aos Estados Unidos da América, mais precisamente à Universidade de Athens (Georgia), para fazer “formação mista, por um lado em pequenos animais” e por outro ao nível “da nutrição e da indústria avícola”. Na verdade, o diretor do Hospital Veterinário de Lisboa (HVL) trabalhou muitos anos ligado ao setor avícola e “ainda hoje sou consultor num grupo de empresas desta área”.

Atualmente, o médico veterinário possui também uma empresa de nutrição animal “em que trabalhamos, ao nível dos animais de produção, com fábricas de rações e grandes explorações, fazendo formulações para estas entidades”.

De clínica a hospital

Foi no meio deste dinamismo empresarial que surgiu, entre 1996 e 1997, o HVL, cuja criação teve como objetivo “o aumento do meu portfolio dentro do setor veterinário”, salienta o diretor. Hoje, este centro de atendimento médico veterinário (CAMV) é um hospital, mas, nos seus primórdios, nasceu como clínica, já na sua localização atual, na área de Telheiras, mas “num espaço mais pequeno”.

Hospital Veterinário de Lisboa: “Fomos evoluindo com as exigências do mercado e da atividade em si”

Em mais de duas décadas muito mudou, não só a nível da Medicina Veterinária, como da comunidade onde o HVL está inserido. Daí que, se primeiramente era “uma clínica, com as valências que o mercado procurava naquela época”, este CAMV “foi evoluindo com as exigências do mercado e da atividade em si”, reitera o responsável. Um dos auges desta evolução aconteceu há cerca de dez anos, com a transformação de clínica em hospital veterinário. “Chegámos a uma altura onde sentimos a necessidade de evoluir e de criar valências que não tínhamos, bem como de dispor de um serviço de 24 horas por dia durante 365 dias por ano e, por isso, termos evoluído para hospital”. Antes disso, contudo, “já funcionávamos num horário alargado”.

Em suma, “resolvemos avançar porque tínhamos instalações e sentíamos a demanda, tendo sido uma decisão estratégica e de gestão”. O médico veterinário considera que “era o momento oportuno” e acredita que “não nos equivocámos”.

Neste momento a estrutura ocupa três lojas – praticamente todo o rés-do-chão do edifício – e inclui uma zona de petshop “onde comercializamos rações especializadas de dieta e alguns acessórios”. O Hospital Veterinário de Lisboa é ainda constituído, para além dos consultórios e da área cirúrgica, por uma zona de imagiologia; três internamentos, nomeadamente “geral, infectocontagioso ou para animais que requeiram cuidados mais continuados ou especializados e um pequeno para animais grandes”. E ainda dispõe de um hotel para gatos.

O HVL possui igualmente um laboratório de análises clínicas “bem equipado (bioquímicas, hematologia, citologia, endocrinologia)”, como sublinha Ricardo Vieira, acrescentando que quando é necessário algo que não esteja contemplado no portefólio do hospital “recorremos a prestadores de serviços externos, pois a rapidez é fundamental para dar resposta às situações que nos surgem”. Há ainda neste CAMV uma área comum “onde fazemos a formação da equipa e reuniões mensais”.

Medicina interna

O cerne da atividade do Hospital Veterinário de Lisboa é a medicina interna. “Fazemos cá toda a parte de imagiologia, dedicamo-nos à medicina felina que hoje em dia é quase uma ‘especialidade’ e temos na equipa um oftalmologista e também a parte da dermatologia está assegurada”. Porém, numa equipa “como a nossa é obvio que não temos todas as valências nem áreas de interesse” e, por isso, mais uma vez “recorremos a prestadores de serviço externos, nomeadamente em cirurgias mais avançadas, acupuntura e cardiologia”.

No total, a equipa do HVL é constituída por “dez médicos veterinários, três enfermeiras, três auxiliares, duas rececionistas e um assistente operacional”, refere Ricardo Vieira, revelando que “também temos um consultório satélite na zona dos Olivais”. Há ainda CAMVs “que nos referenciam animais”, salienta o responsável.

“Não nos podemos queixar”

Ao fim das mais de duas décadas de atividade, o balanço é “positivo. Temos vindo a evoluir constantemente”, reforça o diretor. O HVL “iniciou a sua atividade como hospital precisamente na altura em que começaram a surgir mais CAMVs desta natureza em Lisboa”.  Na época “havia apenas um hospital veterinário” na capital.

E na época da crise económica e financeira que assolou o país, Ricardo Vieira assegura que “não a sentimos muito”. Na verdade, “o período entre 2012 e 2014 foi o melhor do hospital”.

Encontrar soluções

Se o HVL passou quase imune à crise, na sua história já teve de ultrapassar crises internas, originadas muitas vezes por “ser difícil manter as equipas”, revela o diretor, explicando que “constituímos as equipas e por vezes se um elemento sai é preciso renovar”.

Aliás, para o responsável a gestão dos recursos humanos (RH) é um dos maiores desafios da gestão do Hospital Veterinário de Lisboa. “A gestão dos RH tem de ser feita e nem sempre é fácil porque, como em todas as outras atividades, há egos e divergência de opiniões”. Não obstante, “quando nos deparamos com dificuldades há que encontrar soluções”. E esta “é a nossa postura: encontrar soluções e trabalhar sempre com a melhor qualidade possível, criando uma equipa com várias valências”.

Daí que a meta, em termos futuros, seja “fazer crescer o hospital”. Neste sentido, Ricardo Vieira refere que “temos ideias em carteira que passam pela criação de novos serviços”.

 

“Não perder tempo”

As 24 horas do dia quase que não chegam para Ricardo Vieira, tendo em conta todas as atividades a que se dedica. “Trabalho muitas horas, começando cedo e acabando tarde, e é preciso ter alguma organização”. Um dos seus ‘segredos’ é “procurar não perder tempo e concentrar-me naquilo que é considerado essencial”. Esta tem sido a sua forma de estar e “enquanto tiver capacidade assim vou continuar”. Atualmente, Ricardo Vieira não tem disponibilidade para fazer clínica, passando o seu dia-a-dia muito pela área da gestão. Mas quando fazia, o médico veterinário que se licenciou em 1977 gostava sobretudo de fazer medicina interna e cirurgia.