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Hospital Veterinário CasVet: novidades e mudanças revolucionam forma de cuidar dos animais

Hospital Veterinário CasVet: novidades e mudanças revolucionam forma de cuidar dos animais

Foi ao final de anos de atividade que o Hospital Veterinário CasVet foi adquirido pelo OneVet Group, em abril de 2017. “No final quem ganha é o paciente e o tutor”, garante a diretora clínica Sónia Monteiro, que faz um balanço positivo da decisão – difícil, mas ponderada – que teve de tomar. Com um trabalho mais abrangente, em parceria com outras unidades do grupo, as novidades somam-se destacando-se a aposta na cirurgia ortopédica e a contratação do médico veterinário Rui Onça.

Começou por ser uma pequena clínica em 2004, nos Jardins da Parede, concelho de Cascais, mas não demorou até que a sua fundadora e diretora clínica, a médica veterinária Sónia Monteiro, percebesse que era necessário ampliar as instalações, o que veio a acontecer em 2009 com a inauguração do Hospital Veterinário que está localizado até aos dias de hoje na mesma urbanização. Com serviços de proximidade e aberto durante 24 horas, o hospital responde às várias necessidades dos pacientes e dos seus tutores.

Dividido em três pisos, inclui petshop junto à receção e sofreu uma reestruturação em 2010 com a divisão de espaços diferenciados de cão e de gato, consultórios e áreas de internamento para cada espécie, o que acabaria por culminar na certificação “Cat Friendly Clinic” pela International Society of Feline Medicine, quatro anos depois.

Hospital Veterinário CasVet: novidades e mudanças revolucionam forma de cuidar dos animais

A VETERINÁRIA ATUAL fez uma reportagem neste hospital em maio de 2012 e regressou agora para acompanhar as novidades mais recentes. Sempre com a perspetiva de crescimento, a CasVet foi adquirida pelo OneVet Group a 4 de abril de 2017. Foi um momento de viragem na vida da diretora clínica que sempre pautou a sua atividade por “fazer mais e diferente”. Ao fim de algum tempo de reflexão, e depois de vários anos a trabalhar dia e noite, a multiplicar-se em turnos e a assegurar fins-de-semana e feriados, quis ter mais tempo para se dedicar à família. “Temos de nos modernizar e não podemos ficar fechados nas quatro paredes. Há que inovar, apostar em equipamentos, mas também em formação. Se me tivesse mantido nas instalações anteriores, a minha vida tinha sido mais calma e com menos custos fixos, mas nunca achei que isso fosse o mais justo para os clientes”, salienta afirmando que o que mais fez durante todos estes anos foi reinvestir. “Precisava de ficar descansada e de saber que o meu negócio ficaria bem entregue se eu não estivesse tão presente”, partilha.

Hospital Veterinário CasVet: novidades e mudanças revolucionam forma de cuidar dos animais

Durante os primeiros anos de profissão deu muito de si estando sempre disponível. “O meu filho nasceu cinco dias antes de abrir este hospital e passou muitas horas aqui”, conta. O nascimento da terceira filha, há três anos, levou-a refletir e a tentar perceber se era assim que queria continuar a trabalhar “neste ritmo alucinante”. Precisava de desligar. Foi esta perspetiva que levou Sónia Monteiro a achar que fazia sentido “evoluir em grupo e em rede”. Não foi uma decisão fácil. “É um pouco de nós que entregamos. O hospital foi construído e evoluiu à nossa imagem, mas acho que foi a melhor opção e voltaria a decidir o mesmo porque defendo o equilíbrio entre a vida familiar e profissional.”

Inspirada pela mãe, enfermeira, e pelo facto de ter crescido perto da área da Medicina, confessa-se uma apaixonada pelos animais. “São realmente sinceros e demonstram melhor as emoções do que as pessoas. Faz-me bem estar junto deles”, assegura. Mas tem noção que para abraçar uma atividade tão intensa e que exige dedicação total é preciso “gostar muito”.

Novidades mais recentes

A integração no OneVet Group manteve a direção clínica e a equipa [maioritariamente jovem] totaliza atualmente 19 pessoas, entre médicos veterinários, enfermeiros e auxiliares, além de alguns colegas que colaboram enquanto prestadores de serviços. A direção clínica aposta regularmente na formação interna dos colaboradores. “Como há falta de formação especializada e de qualidade em Portugal, com a prata da casa tentamos formar a nossa equipa enquanto mais-valia para o seu crescimento. Se não nos preocuparmos com o desempenho e o crescimento profissional de quem trabalha connosco, facilmente procuram outras oportunidades”, explica Sónia Monteiro.

Hospital Veterinário CasVet: novidades e mudanças revolucionam forma de cuidar dos animais

Rui Onça, médico veterinário dedicado à área de ortopedia e de cirurgia, juntou-se em setembro do ano passado, o que permitiu dar maior resposta nestas duas valências. A diretora clínica justifica a escolha como uma “boa aposta” e a procura contínua de pautar a oferta com serviços pela diferenciação. Em complemento, o hospital disponibiliza também fisioterapia, iniciada um pouco antes da passagem do CasVet para OneVet Group e assegurada pela enfermeira Catarina Pinto, que está neste momento a realizar um curso intensivo em Madrid. “O médico Rui Onça quer apostar na cirurgia neurológica e a fisioterapia vai dar um bom apoio pós-cirúrgico, tal como já acontece com outros casos clínicos”, destaca a diretora clínica. Atualmente, o hospital dispõe de banheira, ultrassons, laser e assume este investimento como resultante em “alguns sucessos”.

“Apostámos ainda na área de cardiologia conjuntamente com o Hospital Veterinário Berna (HVB), assegurada pelo colega Tiago Bispo; na área de dermatologia, com a colaboração de Diana Coelho, que dá consultas em todo o grupo; e a valência de oftalmologia, da responsabilidade da colega Uxia Rodriguez”, acrescenta.

Um dos grandes desafios que a direção clínica enfrenta é o cenário low cost que tem crescido em Portugal, bem como a abertura de novas clínicas veterinárias num momento em que o cliente “está muito sensível ao preço. Sabemos que há preços praticados no país que são incomportáveis e que representam prejuízo. Não conseguimos perceber como é que se consegue cobrar este tipo de valores. Esta é uma área que me deixa alguma curiosidade quanto ao futuro”, diz Sónia Monteiro. A responsável aponta ainda os valores “muito baixos” praticados ao domicílio por quem presta serviços de vacinação e desparasitação. No CasVet, os profissionais deslocam-se a casa dos tutores sempre que possível e sobretudo no caso de séniores que vivem sozinhos com os seus animais. “Não é a nossa área core, mas é algo que asseguramos, ainda que tenhamos menos capacidade durante a noite e em momentos de pico de trabalho. No entanto, em grande parte dos casos, chegamos a casa dos clientes e não temos meios para atuar e seguir devidamente os casos clínicos. Acabamos por ser um serviço de transporte porque temos de trazer os animais para o hospital para a realização de exames médicos”, sublinha.

Hospital Veterinário CasVet: novidades e mudanças revolucionam forma de cuidar dos animais

Quando um animal dá entrada no hospital, rapidamente realiza raio-x, ecografia e análises sanguíneas, consoante os sintomas e o problema de saúde que apresente. Quando é preciso fazer um TAC, o mesmo é assegurado pelo HVB. “Este hospital também recorre à nossa valência de fisioterapia. Dentro do grupo, as unidades vão aperfeiçoando determinadas áreas, complementando-se. Acabamos por ter mais casuística por estarmos inseridos num grupo sólido.”

Revoluções nos cuidados veterinários

O facto de os tutores em Portugal ainda não apostarem muito nos seguros de saúde, como já acontece rotineiramente noutros países, traz alguns desafios extra. “No norte da Europa, qualquer animal de estimação tem um seguro. Os tutores entram num hospital ou numa clínica, entregam o seu animal e confiam”, refere a diretora clínica assinalando o protocolo do hospital com o Montepio para crédito bancário. “Em casos extremos, conseguimos um crédito aprovado em apenas duas horas e o cliente pode pagar um tratamento ou procedimento em doze meses sem juros. Até numa cirurgia de urgência podemos avançar com esta hipótese se o dono não estiver preparado para fazer face ao custo podendo pagar de forma faseada.”

No que respeita à cirurgia ortopédica propriamente dita, as exigências relativamente ao preço não param de crescer na prática clínica. “O material para cirurgia é muito caro e provavelmente mais alto do que noutros países europeus que têm centros de produção. Além disso, no nosso País, a mão de obra é mais barata, o custo final é mais baixo, mas o custo de vida das pessoas acaba por não acompanhar essa realidade”, alerta a responsável. Sónia Monteiro acredita que os médicos veterinários deveriam conseguir balizar preços mínimos e criar uma tabela geral para evitar dúvidas por parte dos clientes. “Questionam-nos frequentemente porque é que os serviços médico-veterinários custam tão pouco num lado e cinco vezes mais noutro. Infelizmente, os animais não falam, não transmitem as dores que sentiram durante um tratamento ou uma cirurgia. Para os tutores, a decisão não é fácil porque os resultados aparecem, independentemente de o animal ter sofrido durante o procedimento, e é mais fácil pagar menos”, sublinha.

Por outro lado, o facto de os animais serem considerados membros da família permite o “desabrochar da possibilidade de fazer coisas novas na veterinária, de conseguir a confiança dos clientes e apostar em tratamentos diferenciados e de qualidade”, defende Sónia Monteiro, que enaltece as leis mais recentes que salvaguardam a proteção dos animais e “revolucionam a forma como se encara o cuidado com os animais”.

Hospital Veterinário CasVet: novidades e mudanças revolucionam forma de cuidar dos animais

Na sua opinião, a primeira consulta a ter num CAMV deveria ser antes da aquisição de um animal. Uma espécie de serviço para prevenir futuras situações e preparar os futuros tutores para a responsabilidade que é ter um animal de companhia. “Seria uma consulta sem animal para que as pessoas refletissem sobre o que implica um animal no orçamento familiar e na logística diária. Seria o momento em que os clientes questionariam se teriam disponibilidade financeira, afetiva e tempo para ter animais. As pessoas vivem muito isoladas, estão muito sós e têm necessidade de ter um contacto afetivo ligando-se muito aos animais por esse motivo, sobretudo nos centros urbanos. Quem não desenvolve tanta ligação emocional acaba por ponderar se vale a pena tentar tudo o que está ao seu alcance quando é necessário tratar um animal ou se fica mais barato adquirir um novo.”

Que balanço?

Apesar da maior burocracia e das crescentes exigências ao nível de gestão e dos processos administrativos, o balanço que a diretora clínica faz da integração do hospital no OneVet Group, quase dois anos depois, é “claramente positivo”.

Ao final de década e meia a trabalhar em medicina veterinária sente que as novas gerações têm muito para lhe ensinar. “São jovens focados noutras coisas, são mais aventureiros, desenvolvem mais a auto-confiança e sentem que o mundo é global”, sublinha. Com os olhos postos no futuro promete ficar atenta ao setor nos próximos anos. “Estou curiosa pois acho que vamos ter de nos reequilibrar. Os clientes dispersam-se mais e tenho algumas dúvidas se o número de centros hoje cresce ao mesmo ritmo do número de clientes. Julgo que há algo que é transversal a todas as profissões: com garra e com vontade quem é bom vence sempre”, afirma. De igual modo parece-lhe importante que as pessoas tenham mais noção dos custos da medicina veterinária. “Há uma grande desvalorização do valor do trabalho que executamos e há quem continue a procurar os serviços mais baratos em detrimento da qualidade e da diferenciação, mas acho que todos temos o dever de proteger a classe.”

Como mensagem para futuros empreendedores, sugere a aposta formativa na área de gestão, algo essencial para quem quer abrir um negócio próprio. Consciente de que um hospital diminui a proximidade com os clientes, algo que acontece mais com as clínicas veterinárias, vai tentando que os pacientes do CasVet sejam vigiados e seguidos nas consultas pelos mesmos médicos veterinários, pois já foi construída uma relação de empatia e de confiança. Nas urgências, toda a equipa acaba por ter de intervir. “Este não é um hospital de massas pois sempre pautámos a nossa atividade pela componente da humanização como extensão das necessidades dos nossos clientes.”

 

Rui Onça, médico veterinário da área de ortopedia e de cirurgia do Hospital Veterinário Casvet, do Hospital Veterinário Berna e do Hospital Veterinário do Seixal, todos eles pertencentes ao OneVet Group, tem vindo a dedicar-se mais à cirurgia em geral e ortopédica. Para trás, deixou um horário completo como professor convidado na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, onde ainda mantém um horário correspondente a duas manhãs. Foi a necessidade que sentiu em operar mais que o fez diminuir a carga horária dedicada ao ensino. “Quando temos menos casos clínicos começamos a perder um pouco a mão”, refere.

Para o médico veterinário licenciado em Medicina Veterinária desde 1999, todos os anos representam um investimento considerável em formação. “Esta é uma área em constante evolução e precisamos de estar atualizados. Existem cada vez mais novas técnicas e equipamentos”, realça. Aliás é o facto de a ortopedia e a traumatologia terem “uma curva de aprendizagem grande” que leva, na sua opinião, a que muitas pessoas “desistam a meio do percurso”, notando-se “um grande défice de traumatólogos”. No dia da reportagem da VETERINÁRIA ATUAL no CasVet, Rui Onça fez uma cirurgia de rutura de ligamento cruzado de uma cadela que já tinha operado há cerca de oito meses. “Hoje vou operar o segundo membro. É comum haver a rutura de um lado, e num curto espaço de tempo, do outro”, disse antes de entrar no bloco operatório. “É uma cirurgia um pouco agressiva, o que sugere que o animal fique cá internado durante a noite e tenha alta no dia seguinte. Como é um caso referenciado por um colega será acompanhado pelo mesmo, mas gosto de ser eu a fazer o follow-up principal, nos dois principais meses, e a acompanhar as possíveis complicações. Caso contrário poderá ser o colega a cuidar do caso”, explicou.

Hospital Veterinário CasVet: novidades e mudanças revolucionam forma de cuidar dos animais

Rui Onça dedica-se também a cirurgias rotineiras, como castrações e ovariohisterectomias. “Temos todas as condições para realizar cirurgias durante 24 horas: uma boa sala de cirurgia, uma boa máquina de anestesia e uma boa equipa de enfermeiros”, salienta. Ao longo da sua carreira tem assistido a casos clínicos marcantes. “Tenho várias experiências de cães e gatos que aparecem quase condenados, mas quando há compliance com o tutor é muito mais fácil correr bem.” Por vezes pode ser necessário o tutor ir regularmente ao hospital para receber algum ensinamento e para a mudança dos pensos. “O nosso sucesso cirúrgico depende de nós próprios, mas também, e muito, dos tutores. É importante estarem motivados e informados.”

Sobre a maior dificuldade ou desafio da especialidade a que mais se dedica, o médico veterinário aponta o custo dos procedimentos. “São cirurgias muito caras. Em Inglaterra, 95% das cirurgias realizadas são suportadas pelos seguros. Julgo que este pode vir a ser o futuro da medicina veterinária, mas ainda não há suficiente divulgação no nosso País. Isto também passa pelo papel do médico veterinário logo na consulta, para que os tutores saibam desta possibilidade e das vantagens de terem um seguro animal”. No que respeita à margem de lucro, assinala que a mesma é mais baixa em Portugal. “A cirurgia que vou fazer hoje custa aproximadamente 4000 libras em Inglaterra e, em Portugal, ronda pouco mais do que mil euros, quando o material cirúrgico e os implantes são os mesmos.”