O estado da arte da oncologia veterinária é cunhado por uma exponencial inovação diagnóstica e terapêutica, que catapulta para uma mudança de paradigma: os cuidados deixaram de ser paliativos “por defeito” e a palavra “cura” tem um peso cada vez maior na prática clínica. Ao mesmo tempo que a cirurgia oncológica está cada vez mais especializada, os protocolos de quimioterapia são ajustados à espécie e ao estado clínico, enquanto a imunoterapia começa a ser uma realidade cada vez mais presente e as terapias complementares ganham cada vez mais tração.
A oncologia veterinária atravessa um dos períodos de maior transformação da sua história. O que durante muitos anos foi sobretudo uma área de controlo de sintomas e cuidados paliativos é hoje um campo em clara expansão terapêutica, com diagnósticos mais precoces, tratamentos combinados e uma ambição cada vez mais curativa, mas sem nunca perder de vista a qualidade de vida.
Este é o retrato traçado por Patrícia Lopes, médica veterinária no AniCura Restelo Hospital Veterinário, ao analisar o estado da arte da oncologia veterinária, com particular foco na quimioterapia, mas também nas novas abordagens que estão a redefinir o tratamento do cancro em animais de companhia.
Uma das mudanças mais marcantes, segundo a médica com formação pós-graduada e experiência clínica em oncologia, começa fora do hospital: a perceção dos tutores evoluiu de forma significativa e isso tem impacto direto no prognóstico dos doentes. Patrícia Lopes sublinha que, há alguns anos, muitos tutores duvidavam até que os animais pudessem desenvolver doença oncológica. Hoje, a realidade é bem diferente: existe maior sensibilização, maior vigilância e uma procura crescente por check-ups oncológicos em animais de meia-idade e seniores. “Os tutores estão muito mais atentos aos animais”, refere, acrescentando que o diagnóstico precoce é hoje uma consequência direta dessa mudança de mentalidade.
Também dentro da comunidade veterinária a abordagem mudou. Lesões que antes poderiam ser apenas monitorizadas durante meses são agora investigadas de forma imediata. A cultura do “esperar para ver” deu lugar a uma atitude diagnóstica mais proativa, amplamente aceite pelos tutores.
Evolução diagnóstica é o motor da mudança de paradigma
A evolução dos meios complementares de diagnóstico é um dos principais pilares desta transformação. A ressonância magnética, por exemplo, permitiu uma mudança radical na abordagem às neoplasias intracranianas. Sintomas neurológicos que antes ficavam sem explicação podem agora ser associados a tumores cerebrais diagnosticados em fases mais precoces, abrindo portas a cirurgia e a outros tratamentos que antes não eram sequer equacionados.
Esta melhoria diagnóstica tem também impacto indireto noutras áreas, como a radioterapia. Embora Portugal ainda não disponha de centros de radioterapia veterinária, o aumento do diagnóstico de tumores com indicação para esta modalidade levou a um maior encaminhamento de casos para o estrangeiro.
Outra inovação relevante é a utilização crescente da linfangiografia para identificação do linfonodo sentinela, particularmente importante em tumores como o mastocitoma. Esta técnica permite mapear a drenagem linfática real do tumor, que nem sempre corresponde aos linfonodos regionais “clássicos”. A informação obtida pode alterar a abordagem cirúrgica e melhorar o estadiamento da doença, contribuindo para tratamentos mais dirigidos.
Quimioterapia: mais opções, mais segurança, mais personalização
Na prática clínica diária de Patrícia Lopes, a quimioterapia continua a ter um papel central, mas está longe de ser a mesma de há uma década. Por um lado, o número de fármacos disponíveis aumentou, alargando as possibilidades terapêuticas. Por outro, o conhecimento sobre protocolos, efeitos adversos e monitorização evoluiu de forma significativa. “O acompanhamento que é feito hoje em dia nada tem a ver com o que era feito há poucos anos”, refere. Esse acompanhamento é hoje visto como parte integrante do tratamento. Inclui monitorização clínica e laboratorial rigorosa, mas também uma forte componente de educação dos tutores, que aprendem a reconhecer sinais de alerta em casa.
Também as condições hospitalares se transformaram. Existem equipas dedicadas exclusivamente à administração de quimioterapia, com protocolos de segurança e vigilância contínua durante as fases pré, peri e pós-tratamento. Além de melhorar a qualidade dos cuidados, esta organização procura também aliviar o peso emocional e logístico para os tutores.
Terapêuticas dirigidas, eletroquimioterapia e imunoterapia
“A quimioterapia ‘clássica’ é hoje complementada por abordagens mais específicas. A quimioterapia dirigida tem vindo a ganhar espaço, assim como a eletroquimioterapia, técnica que potencia a ação dos fármacos através de impulsos elétricos. Inicialmente associada sobretudo ao carcinoma de células escamosas, esta modalidade é hoje utilizada numa variedade maior de tumores, como os carcinomas das glândulas perianais”, destaca a veterinária.
“A quimioterapia ‘clássica’ é hoje complementada por abordagens mais específicas. A quimioterapia dirigida tem vindo a ganhar espaço, assim como a eletroquimioterapia, técnica que potencia a ação dos fármacos através de impulsos elétricos. Inicialmente associada sobretudo ao carcinoma de células escamosas, esta modalidade é hoje utilizada numa variedade maior de tumores, como os carcinomas das glândulas perianais”
Patrícia Lopes
Mas, é na imunoterapia que se concentram algumas das maiores expetativas. Esta área, em forte desenvolvimento, já começa a oferecer novas perspetivas para tumores como mastocitomas, melanomas e alguns tumores do sistema nervoso central.
Paralelamente, a investigação começa a explorar por que razão diferentes indivíduos respondem de forma distinta às mesmas imunoterapias. O estudo do microbioma surge como uma das peças-chave deste puzzle. “Está a desenvolver-se tudo de forma muito rápida”, observa a médica, apontando para um futuro em que a resposta imunitária e as características individuais do doente terão um peso crescente na escolha terapêutica.
Rumo a uma oncologia cada vez mais personalizada
Embora ainda não se possa falar plenamente de medicina personalizada em oncologia veterinária, o caminho parece traçado. Patrícia Lopes acredita que a individualização terapêutica será um dos grandes eixos de evolução nos próximos anos. Já hoje, sempre que possível, a decisão clínica procura integrar o tipo de tumor, o estádio da doença e as características gerais do doente.
Questionada sobre o peso atual das abordagens curativas versus paliativas, a médica é clara: ambas são hoje igualmente relevantes. A grande diferença está no momento em que os casos chegam à consulta. Se no passado muitos animais eram avaliados já em fases muito avançadas, hoje surgem cada vez mais em estádios em que a intenção curativa é realista.
Ainda assim, a qualidade de vida mantém-se como princípio fundamental. Em oncologia veterinária, tratar nunca pode significar prolongar o sofrimento. O equilíbrio entre controlo da doença e bem-estar do animal continua a ser central na tomada de decisão.
Patrícia Lopes deixa ainda um apelo aos colegas de clínica geral: o encaminhamento precoce faz a diferença. Nota com satisfação que os casos chegam cada vez mais cedo e já acompanhados de exames complementares relevantes, reflexo de um aumento global do conhecimento em oncologia veterinária.
Diagnosticar cedo, referenciar atempadamente e trabalhar em equipa são, na sua perspetiva, passos essenciais para continuar a melhorar o prognóstico dos doentes oncológicos.
Cirurgia continua a ser o pilar de sustentação
Num cenário em que a oncologia veterinária evolui a um ritmo acelerado, com novas terapias sistémicas, imunoterapia e diagnósticos cada vez mais sofisticados, a cirurgia mantém um lugar central. Longe de ser uma abordagem ultrapassada é, ainda, em muitos casos, a única modalidade com verdadeiro potencial curativo.
Quem o afirma é Hugo Gregório, médico veterinário responsável pelo Serviço de Oncologia da Anicura CHV Porto, que acompanha de perto a evolução da oncologia cirúrgica e das novas ferramentas que estão a transformar o diagnóstico e o tratamento do cancro em animais de companhia.
Uma das mudanças mais relevantes dos últimos anos, segundo o clínico, tem ocorrido logo no início do processo: no diagnóstico. Entre as inovações mais promissoras estão as chamadas biópsias líquidas, que permitem detetar e caracterizar doença oncológica através de uma simples amostra de sangue. Esta abordagem, ainda em fase de expansão, poderá no futuro reduzir a necessidade de procedimentos cirúrgicos invasivos apenas para obtenção de diagnóstico. A possibilidade de identificar marcadores tumorais circulantes abre portas a diagnósticos mais precoces e a uma monitorização menos agressiva da doença.
Ao mesmo tempo, outras áreas terapêuticas continuam a evoluir. A radioterapia, embora ainda não disponível em Portugal, tem registado avanços significativos a nível internacional. Já a imunoterapia e as terapêuticas dirigidas começam a ganhar espaço também na medicina veterinária, com o surgimento de novos fármacos inspirados nos progressos da oncologia humana, incluindo anticorpos monoclonais e moléculas alvo-específicas.
O mito do “apenas paliativo”
Apesar desta modernização, persiste por vezes a ideia de que tratar o cancro em animais é sobretudo um exercício paliativo. Hugo Gregório considera essa perceção cada vez mais desajustada.
Embora reconheça que muitos tumores continuam a não ser curáveis, sublinha que há um número significativo de neoplasias que podem ser efetivamente tratadas e, em alguns casos, curadas. E é aqui que a cirurgia assume um papel determinante.
“A cirurgia, apesar de ser o método mais antigo, ainda é o método mais eficaz para a maioria dos cancros, quando é possível”, afirma. Sempre que o tumor é ressecável e o estado geral do animal o permite, a excisão cirúrgica continua a ser a estratégia com maior probabilidade de controlo definitivo da doença, ressalva.
Mesmo nos casos em que a cura não é uma possibilidade, a intervenção cirúrgica pode reduzir carga tumoral, aliviar sintomas e potenciar a eficácia de tratamentos complementares, contribuindo para uma sobrevivência prolongada com qualidade de vida.
Cirurgia mais precisa e trabalho em equipa
Também dentro do bloco operatório a evolução é evidente. A cirurgia oncológica atual beneficia de técnicas mais refinadas e de uma integração crescente com a imagiologia avançada.
Procedimentos minimamente invasivos, já adotados por alguns centros, permitem alcançar resultados semelhantes aos da cirurgia convencional, mas com menor dor pós-operatória, menor tempo de recuperação e menos complicações. Paralelamente, a radiologia de intervenção começa a ganhar espaço como complemento ou alternativa em situações selecionadas. O objetivo é claro: manter ou melhorar os resultados oncológicos, reduzindo simultaneamente a morbilidade associada ao tratamento.
A complexidade crescente dos casos oncológicos exige uma abordagem multidisciplinar. Para Hugo Gregório, o tratamento do doente oncológico é, cada vez mais, um esforço de equipa que envolve cirurgiões, oncologistas médicos, imagiologistas e outros especialistas. Esta articulação permite definir estratégias combinadas – cirurgia seguida de quimioterapia, por exemplo – e ajustar decisões terapêuticas ao tipo de tumor, estádio da doença e condição geral do animal.
Tutores mais informados, maior abertura aos tratamentos
É inegável que as expetativas dos tutores mudaram. Se no passado o acesso a tratamentos era frequentemente limitado por receios ou por falta de informação, hoje existe uma maior abertura para abordagens mais avançadas.
Segundo o médico veterinário, os tutores não só aceitam mais facilmente as propostas terapêuticas, como muitas vezes as solicitam ativamente. A evolução da mentalidade acompanha o avanço da medicina, refletindo uma valorização crescente da qualidade e da duração de vida dos animais de companhia.
Tal como na medicina humana, fala-se cada vez mais em oncologia de precisão. Já existem empresas, sobretudo nos Estados Unidos, que oferecem perfis moleculares de tumores, identificando mutações e potenciais alvos terapêuticos específicos para cada doente. No entanto, Hugo Gregório alerta para a necessidade de prudência. Embora a análise genética e molecular seja tecnologicamente possível, a utilidade clínica prática ainda não está totalmente comprovada em muitos casos. O que funciona em laboratório nem sempre se traduz em benefícios reais no paciente. O caminho parece inevitável, mas a integração plena destas ferramentas na prática clínica dependerá de mais estudos e de evidência robusta.
Um futuro moldado pela medicina humana
Olhando para os próximos anos, o médico veterinário acredita que grande parte das inovações continuará a resultar da translação direta da investigação em oncologia humana. Imunoterapias, terapias alvo e novas estratégias de diagnóstico tendem a seguir esse percurso, chegando primeiro às pessoas e depois aos animais.
Essa ponte entre as duas medicinas tem acelerado o progresso e deverá continuar a fazê-lo, aproximando cada vez mais a oncologia veterinária de um modelo sofisticado, multimodal e centrado no doente.
“Num cenário de constante inovação, a cirurgia mantém-se como a base sólida sobre a qual muitas destas novas abordagens se constroem. Antiga na história, mas plenamente atual na prática, continua a ser, em muitos casos, a melhor oportunidade de cura para o doente oncológico veterinário”, conclui Hugo Gregório.
“Num cenário de constante inovação, a cirurgia mantém-se como a base sólida sobre a qual muitas destas novas abordagens se constroem. Antiga na história, mas plenamente atual na prática, continua a ser, em muitos casos, a melhor oportunidade de cura para o doente oncológico veterinário”
Hugo Gregório
Terapias complementares: onde entram a acupuntura e a canábis?
A oncologia veterinária moderna já não se limita a escolher entre tratar ou apenas paliar. A evolução dos protocolos médicos e cirúrgicos trouxe uma ambição cada vez mais curativa, mas também reforçou a importância de abordagens que melhorem o conforto, reduzam efeitos adversos e apoiem o doente de forma global. É neste espaço que ganham relevo as terapias complementares.
Karla Pinto, médica veterinária acupunturista e canabinologista, acompanha regularmente animais com doença oncológica e defende uma visão clara: estas abordagens não substituem a oncologia convencional, mas podem ter um papel relevante e crescente na abordagem do doente oncológico.
Acupuntura: foco nos sintomas e na qualidade de vida
Na prática clínica, muitos dos animais que chegam até ao consultório de Karla Pinto já passaram por uma avaliação em oncologia. Frequentemente, tratam-se de doentes em contexto paliativo ou cujos tutores não têm possibilidade de avançar com terapias como quimioterapia ou radioterapia (esta última ainda não disponível em Portugal), por limitações logísticas ou financeiras.
É neste cenário que a acupuntura se destaca, sobretudo pelo controlo de sintomas. Karla Pinto explica que a técnica não tem como objetivo atuar diretamente sobre o tumor, mas sim aliviar manifestações associadas à doença ou aos tratamentos. Náuseas, falta de apetite, alterações gastrointestinais e dor são algumas das queixas mais comuns.
A dor oncológica, em particular, pode assumir formas complexas e imprevisíveis. A médica refere a chamada dor disruptiva, que surge de forma súbita e sem uma causa evidente imediata, sendo frequente em doentes oncológicos. Nestes casos, a acupuntura pode ser uma ferramenta útil no controlo do desconforto.
Ainda assim, ressalva que a técnica exige cuidados específicos nesta população. A colocação de agulhas demasiado próxima do tumor deve ser evitada, devido ao aumento da vascularização local que pode ocorrer. “Tem de ser um veterinário treinado, um acupunturista veterinário a fazê-lo”, alerta, defendendo uma prática baseada em conhecimento sólido e não em experimentalismo.
O principal benefício, resume, está na qualidade de vida. A acupuntura pode ajudar o animal a comer melhor, sentir menos dor e tolerar melhor tratamentos como quimioterapia ou corticoterapia. “A acupuntura neste contexto é um paliativo, no sentido em que conseguimos melhorar um sintoma e ter impacto positivo na qualidade de vida”, afirma, lembrando que paliar não significa desistir, mas sim cuidar ativamente do bem-estar.
Canábis medicinal: entre o apoio sintomático e o potencial antitumoral
Se a acupuntura atua sobretudo ao nível dos sintomas, a canabinologia abre uma frente mais ampla. Karla Pinto distingue claramente esta abordagem da anterior, defendendo que determinados canabinoides podem ter efeitos que vão além do conforto.
Para além das conhecidas ações analgésica, anti-inflamatória e estimulante do apetite, algumas moléculas derivadas da canábis estão a ser estudadas pelo seu potencial efeito direto sobre o tumor e o seu microambiente. A médica evita falar em cura, sublinhando que a investigação veterinária ainda está numa fase inicial, mas admite que há sinais encorajadores.
“Além das conhecidas ações analgésica, anti-inflamatória e estimulante do apetite, algumas moléculas derivadas da canábis estão a ser estudadas pelo seu potencial efeito direto sobre o tumor e o seu microambiente”
A sua própria investigação de doutoramento centra-se na expressão dos recetores canabinoides em contexto oncológico. Os recetores CB1 e CB2 – entre outros em estudo – podem, no futuro, funcionar como biomarcadores ou alvos terapêuticos. Dependendo da sua expressão em determinado tumor, poderá ser possível desenhar estratégias mais dirigidas, à semelhança do que já acontece com terapias-alvo noutras áreas da medicina.
“É uma terapia extremamente individualizada”, explica, comparando esta lógica à dos anticorpos monoclonais. A ideia de uma oncologia de precisão, ajustada às características biológicas de cada tumor, começa assim a ganhar terreno também neste campo e também na veterinária.
Evidência, regulação e formação são uma exigência
Apesar do entusiasmo, Karla Pinto faz questão de se distanciar de abordagens simplistas ou comerciais. Rejeita a ideia de que “dar CBD” de forma indiscriminada seja medicina. Defende, pelo contrário, uma utilização rigorosa, com produtos de qualidade farmacêutica, doses adequadas e acompanhamento clínico.
A interação com outros fármacos é um exemplo da complexidade envolvida. Alguns canabinoides podem interferir com o metabolismo hepático de quimioterápicos, o que obriga a ajustar horários de administração. Quando bem utilizada, a canábis pode até permitir reduzir doses de determinados fármacos, potenciando o efeito terapêutico e diminuindo efeitos adversos, mas estes benefícios dependem de conhecimento técnico e monitorização.
Para a médica, um dos grandes desafios atuais é a falta de formação estruturada na área. O sistema endocanabinoide continua ausente de muitos currículos universitários, tanto em medicina humana como veterinária. “Temos de começar pela base”, defende, apelando a uma abordagem científica e não ideológica.
Um dos pontos que Karla Pinto mais enfatiza é a necessidade de articulação com os colegas oncologistas. As terapias complementares devem integrar-se no plano global do doente, não substituí-lo. “Isto não é alternativo, é complementar”, sublinha.
O receio de que os tutores abandonem terapias convencionais em favor de soluções ditas naturais ainda existe, mas a médica acredita que o diálogo entre profissionais é a melhor forma de o ultrapassar. Quando há comunicação, todos ganham, incluindo o doente.
Um futuro em construção
A investigação em medicina canabinoide veterinária ainda está a dar os primeiros passos, mas o interesse científico cresce. O estudo de recetores, a identificação de alvos terapêuticos e o desenvolvimento de ensaios clínicos em cães e gatos são caminhos apontados como prioritários.
Para já, o papel destas terapias é claro: melhorar a qualidade de vida, reduzir sintomas e apoiar os tratamentos convencionais. Mas, olhando para a velocidade a que a investigação avança, Karla Pinto acredita que a canábis medicinal poderá tornar-se um “player muito interessante” também na vertente antitumoral.
Num cenário em que a oncologia veterinária se torna cada vez mais sofisticada, as terapias complementares parecem destinadas a ocupar um espaço próprio, não como alternativa, mas como parte de uma abordagem verdadeiramente integrada ao doente oncológico.



